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segunda-feira, 19 de agosto de 2019

Com gol e recorde de Marta, Brasil vence a Itália e avança na Copa

Marta faz de pênalti e se torna a maior artilheira em Copas
do Mundo./Foto: Rico Brouwer/Getty Images
O Brasil venceu a Itália por 1 a 0 e está classificado para as oitavas de final da Copa do Mundo. Marta, de pênalti, marcou o gol da vitória, o seu 17º, o que a tornou a maior artilheira de Copas, incluindo a masculina.

Com o resultado, as comandadas de Vadão terminam a primeira fase na terceira colocação do Grupo C e aguardam a definição dos outros grupos para conhecerem as adversárias. A seleção brasileira foi melhor durante todo o jogo e sofreu poucos sustos. 

Brasil começa melhor, mas Itália equilibra

O Brasil começou o primeiro tempo pressionando e com a marcação avançada, dificultando a saída de bola italiana. Porém, a primeira oportunidade foi da Itália, aos quatro minutos. Bonansea recebeu pelo lado direito, cortou para o meio e chutou no cantinho. Barbara se esticou e conseguiu fazer a defesa, jogando para escanteio.

A Seleção respondeu em grande estilo aos 16. Marta cobrou escanteio na primeira trave e Debinha quase marcou um golaço de letra. A goleira Giuliani salvou e cedeu novo escanteio para o Brasil. Marta de novo na bola. A camisa 10 bateu fechado e quase surpreendeu Giuliani, que tirou de soco. 

Debinha fez boa jogada aos 22 e bateu da entrada da área, mas a bola foi para fora. A partir dos 25 minutos, o jogo ficou equilibrado, com a Itália buscando as jogadas pelas pontas.

O maior susto veio aos 39. Em um contra-ataque rápido, Bonansea recebeu livre, cara a cara com Barbara. A atacante italiana finalizou forte, mas a goleira brasileira fez grande defesa. 

Marta marca o gol da vitória e o nome na história das Copas

O Brasil voltou melhor para o segundo tempo, jogando no campo de ataque e buscando o gol. Logo aos seis, Andressinha cobrou falta no travessão e por pouco não abriu o placar. Quatro minutos depois, Andressinha novamente cobrou falta, dessa vez na cabeça de Kathelen, que desviou e a bola passou rente à trave. 

Vadão resolveu sacar Cristiane e colocar Bia Zaneratto aos 19. A atacante quase abriu o placar em seu primeiro toque na bola. Ludmila fez jogada individual pela direita e cruzou. Bia escorou e a bola passou perto. 

Aos 26, Debinha fez boa jogada em velocidade e foi parada com falta dentro da área. Pênalti para o Brasil. Marta, que não fez boa partida, foi para a bola e bateu forte. Goleira para um lado, bola para o outro e a melhor jogadora do mundo se tornou a maior artilheira de todas as Copas, incluindo masculina e feminina, com 17 gols. 

Depois do gol brasileiro, o ritmo diminuiu bastante e as duas equipes pareceram satisfeitas com o resultado.Vadão substituiu Marta e colocou Luana, volante, para dar mais proteção à zaga. A Itália seguiu pouco inspirada e o placar não foi alterado. Vitória do Brasil.

*Publicado em ogol.com.br em 18/06/2019

Com a ausência de Neymar, quem será o protagonista da seleção?

Sem Neymar, posto de referência técnica fica aberto na
seleção de Tite./Montagem: O Gol
Após o corte de Neymar, com lesão no tornozelo, e a convocação de Willian como substituto e novo camisa 10, surge uma pergunta sobre o time de Tite: quem será o protagonista da seleção?

A ausência do astro do Paris Saint Germain pode abrir brecha para outros jogadores assumirem a liderança técnica em um torneio de alto nível. Com uma seleção recheada de nomes relevantes para o futebol mundial, candidatos para o posto não faltam. Vamos aos nomes.

Os candidatos

Alisson: O camisa 1 vem de uma temporada espetacular com o Liverpool, coroada com o título da Liga dos Campeões, onde foi um dos destaques nos jogos decisivos, incluindo a final. Em 38 partidas do Campeonato Inglês, em 21 o goleiro não foi vazado.

Dani Alves: Um dos mais experientes do grupo, retomou a faixa de capitão da equipe. Retorna para uma competição após ter ficado de fora da Copa do Mundo por lesão. Fez boa temporada no PSG e tem um título de Copa América no currículo.

Coutinho: Contratado para ser justamente o substituto de Neymar, no Barcelona, Philippe Coutinho não conseguiu repetir, na Espanha, o excelente futebol apresentado na Inglaterra. Na Copa do Mundo, teve um bom início e era o principal jogador da equipe, mas não manteve o nível das atuações. Vindo de uma temporada decepcionante, com partidas fracas e até polêmica com a torcida blaugrana, a Copa América surge como grande chance de redenção.

Gabriel Jesus: O atacante do Manchester City ainda sofre críticas a respeito do desempenho na Rússia em 2018. Único camisa 9 da história da seleção a terminar uma Copa sem balançar as redes, Gabriel Jesus marcou seis gols em sete amistosos após a competição. Junto a isso, vem de uma temporada de 21 gols na Europa, mesmo não sendo titular absoluto, e parece ter retomado a boa fase. Antes tido como concorrente de Firmino, no amistoso contra Honduras, a dupla atuou junta no ataque e rendeu bem, o que pode significar mais tempo de jogo para o jovem atleta.

Roberto Firmino: O atacante do Liverpool segue em evolução. Embora 2018/19 não tenha sido uma temporada tão goleadora como a anterior, Roberto Firmino mostrou mais uma vez a sua importância para o elenco dos Reds. Com muita mobilidade, habilidade e inteligência tática, pode desempenhar diferentes funções no ataque. Vive boa fase e assim como Alisson chega com a experiência de ter ganho a Liga dos Campeões.

Richarlison: O atacante do Everton parece não sentir a pressão de vestir a camisa amarelinha. Já são 10 jogos, cinco gols marcados, boas atuações e muita interação com a torcida, principalmente com a sua tradicional comemoração, a "dança do pombo", o que o torna um dos jogadores mais queridos do grupo. Richarlison pode atuar tanto pelos lados como centralizado, o que agrada Tite. Em sua segunda temporada na Inglaterra, aumentou consideravelmente o número de gols: de cinco para 14.

David Neres: Mais uma boa temporada com a camisa do surpreendente Ajax. Semifinalista da Liga dos Campeões, campeão holandês e da Copa da Holanda, David Neres tem um estilo de jogo que agrada o brasileiro, partindo para cima da marcação, com velocidade e muita habilidade. Além disso, o camisa 7 marca gols e distribui assistências. Após boa atuação contra Honduras, Neres surge como provável substituto de Neymar pela ponta esquerda e pode ser o grande "beneficiado" pelo corte do craque do PSG.

*Publicado em ogol.com.br em 11/06/2019

domingo, 2 de novembro de 2014

Seleções do futuro: Brasil

Chegamos ao último post de seleções formadas por jogadores que podem explodir na Rússia, em 2018. Com idade até 21 anos, todos podem jogar os Jogos Olímpicos (sub-23), no Rio de Janeiro, em 2016. Além do mais, nenhum dos atletas que você viu aqui tem no currículo uma disputa de Copa do Mundo.

A série fecha com o futebol nacional e seus talentos. Jovens jogadores que já se destacam na Europa, são a esperança do país conquistar o tão sonhado hexa.

BRASIL
Talisca, Piazon e Gabigol
Depois do vexame no Mineirão, a palavra ''renovação'' virou tema obrigatório nos jornais, programas e debates esportivos. O pedido era unanimidade: atenção a formação de novos jogadores. Muitas críticas em relação às categorias de base dos clubes brasileiros e poucas mudanças. Atletas saindo do país antes de estrearem profissionalmente é um rotina. Todos os principais times do Brasil possuem dívidas e as utilizam como justificativa para não investir em melhores condições de treinamento para as suas joias.

A escolha de Dunga para reassumir a seleção brasileira colocou em dúvida o futuro do futebol nacional. Apesar de graves problemas, ainda é possível prospectar uma boa Copa do Mundo em 2018, na Rússia. Talentos não faltam, basta encontrar alguém que os direcionem a um caminho diferente do que foi feito até aqui.

Ederson
Data de nascimento: 17 de agosto de 1993 (21 anos)
Clubes: Ribeirão (2011/12), Rio Ave (2012-atual)
Em 2013/14: 28 partidas (todas como titular)

Pouco conhecido no Brasil, Ederson teve destaque na boa
campanha do Rio Ave, em 2013/14./ Foto: zerozero.pt
Pouco conhecido no Brasil mas já de certo prestígio em Portugal, Ederson é mais um entre os muitos jogadores de futebol que deixam o país antes de atuar por um clube profissionalmente. Formado pelo São Paulo, o goleiro que tem como principais virtudes os reflexos e o posicionamento, foi vendido ao Benfica com apenas 16 anos, no meio de 2009.

Ederson só foi jogar na categoria principal dois anos depois. Negociado com o Ribeirão, da segunda divisão portuguesa, ele foi o titular absoluto da equipe em 2011/12, disputando 30 partidas. Apesar de não conseguir o acesso com o time, o goleiro se destacou e acertou com o Rio Ave. Depois de uma temporada de adaptação com apenas oito jogos, veio a afirmação com uma boa sequência. Para a tristeza de Ederson, 2013/14 terminou com dois vice-campeonatos para o Benfica - Taça de Portugal e Taça da Liga Portuguesa. 

Embora ainda não tenha conquistado nenhum título de expressão, o bom vivido por Ederson no Rio Ave o levou a seleção sub-20. Nela ela venceu o Torneio Internacional de Toulon, em 2014 e atualmente integra o elenco sub-21, que se prepara para a disputa das Olimpíadas em 2016, no Rio de Janeiro.

Fabinho
Data de nascimento: 23 de outubro de 2014 (21 anos)
Clubes: Real Madrid Castilla (2012/13), Real Madrid (2013), Mônaco (2013-atual)
Em 2013/14: 31 partidas (26 como titular com um gol)

Ainda com idade olímpica, Fabinho já foi testado por Dunga
na seleção principal./ Foto: asm-fc.com
A trajetória do lateral direito Fabinho é no mínimo curiosa. Revelado pelo Fluminense, foi negociado com o Rio Ave, de Portugal, sem fazer uma única partida pelo Tricolor. Antes que pudesse estrear profissionalmente pela equipe portuguesa, foi emprestado ao todo poderoso Real Madrid. Com apenas 18 anos, o jogador de bons cruzamentos, força e velocidade, realizava o sonho de muitos.

Na capital espanhola, Fabinho atuou pelo Real Madrid Castilla, equipe B, que disputa a segunda divisão. Foram 30 partidas, 2 gols e uma assistência. O ápice da temporada ocorreu no dia 8 de maio. O lateral foi chamado para compôr o banco da equipe principal, no jogo contra o Málaga. Aos 31 da segunda etapa, entrou e campo e contribuiu com uma assistência na vitória por 6 a 2 dos galácticos. 

As boas atuações o levaram ao novo rico do futebol europeu: o Mônaco, clube onde está em sua segunda temporada emprestado e é titular absoluto. Fabinho estreou por seleções de base em 2014. Ele foi chamado para a equipe sub-21. Além disso, o lateral direito foi o escolhido para substituir Maicon, cortado por indisciplina, na seleção principal. 

Marquinhos
Data de nascimento: 14 de maio de 1994 (20 anos)
Clubes: Corinthians (2012), Roma (2012/13), PSG (2013-atual)
Em 2013/14: 32 partidas (26 como titular com cinco gols)
 
Juventude e bom futebol fizeram de Marquinhos um dos
mais pretendidos na Europa./ Foto: globoesporte.com
Um dos nomes mais especulados na última janela de transferências. Por pouco Marquinhos não deixou Paris e se transferiu para Barcelona. E havia ainda quem dissesse que o Manchester United também mirava o defensor, que ao se transferir da Roma para o PSG, por 35 milhões de euros, se tornou o quarto mais caro da história. Atualmente é o quinto, atrás dos companheiros de time David Luiz - o primeiro colocado, vindo do Chelsea por 50 milhões - e Thiago Silva - o terceiro, que deixou o Milan por 42 milhões.

Exímio marcador, bom nas jogadas aéreas, no controle de bola e nos passes, frio e veloz para um zagueiro, Marquinhos, que pode jogar como lateral direito, despertou a atenção do futebol europeu. Foram apenas 14 partidas pelo profissional do Corinthians, clube onde ficou por 10 anos. Na base do Timão conquistou o Paulista sub-15, em 2010 e a Copa São Paulo, em 2012 e rendeu mais de oito milhões de reais aos cofres do time paulista.

Na Itália, Marquinhos teve um desempenho impressionante. Em 30 partidas pela equipe giallorossi, manteve regularidade de boas atuações, sendo titular em 26 e só recebeu um amarelo e um vermelho. Logo se tornou um dos jogadores mais adorados do time. A rápida adaptação a Roma se repetiu em Paris, onde o zagueiro foi um dos destaques do multicampeão nacional.

Marquinhos foi campeão sul-americano e quarto lugar no mundial sub-17, em 2011. O zagueiro ainda venceu o Torneio Internacional de Toulon, este ano. Apesar da idade, ele não integra mais as seleções sub-20 e sub-21. O jogador tem sido chamado para defender a principal, comandada por Dunga.

Dória
Data de nascimento: 8 de novembro de 1994 (19 anos)
Clubes: Botafogo (2012/14), Olympique de Marselha (2014-atual)
Em 2013: 49 partidas (47 como titular com quatro gols)

Titular absoluto no Botafogo e cogitado na Itália, Dória foi
vendido para a França./ Foto: goal.com
Depois de muitos anos, o Botafogo finalmente conseguiu formar jogadores de alto nível. O nome mais expressivo da talentosa geração do Glorioso é Dória. O zagueiro canhoto de 1.89m de muita força, bons desarmes, velocidade e eficiência nas jogadas aéreas chegou a ser comparado a Thiago Silva, à época no Milan, e especulado como um possível parceiro. O defensor fez sua estreia pelos profissionais do alvinegro com apenas 17 anos, em 2012. Terminou o ano como titular absoluto da posição. 

No início de 2013, disputou o Sul-americano sub-20, onde o Brasil foi eliminado na primeira fase. Apesar disso, teve boa atuação e chamou a atenção da Juventus. Ao longo do ano, Dória se firmou como um dos melhores e mais utilizados do time, tendo conquistado o Campeonato Carioca e garantindo assim convocação para a seleção sub-20, onde venceu o Torneio Internacional de Toulon e a Valais Cup.

As boas atuações o levaram a primeira convocação para a seleção principal, que enfrentaria a Bolívia em um amistoso. A transferência para a Juventus parecia certa. Entretanto, o time da estrela solitária conseguiu segurar a sua joia para a temporada seguinte. Além dos italianos Milan e Juventus, o zagueiro foi cogitado como reforço no Barcelona, Chelsea, entre outros. Dória encerrou 2013 com a tão sonhada vaga para a Libertadores em 2014, torneio que o Botafogo não disputava há 17 anos.

Devido ao grave momento financeiro que o clube carioca atravessa, Dória foi vendido ao Olympique de Marselha por 10 milhões de euros. A contratação não foi aceita pelo treinador do time francês, Marcelo Bielsa, que ainda não escalou o jogador. O zagueiro tem no currículo prêmios individuais como melhor quarto zagueiro do Campeonato Carioca e do Torneio Internacional de Toulon e melhor jogador da Valais Cup, todos em 2013. Este ano, foi bicampeão em Toulon. 

Wendell
Data de nascimento: 20 de julho de 1993
Clubes: Iraty (2011), Londrina (2011/12), Paraná (2012), Londrina (2013), Grêmio (2013/14), Bayer Leverkusen (2014-atual)
Em 2013: 32 partidas (25 como titular com um gol)

De ascensão meteórica, Wendell vai conquistando
a titularidade na Alemanha./ Foto: forzace.com.br
Do interior do Paraná a Alemanha. Esse caminho foi traçado por Wendell em apenas três temporadas como profissional e com 20 anos. Revelado pelo modesto Iraty, disputou o campeonato regional e se transferiu no mesmo ano para o Londrina, que disputava a segunda divisão local. Ajudou a equipe na volta à elite e jogou o paranaense de 2012. 

Muito ofensivo, de excelente preparo físico e de bons cruzamentos, Wendell chamou a atenção do Paraná. Emprestado ao novo clube, disputou a série B do Brasileirão de 2012. Retornou ao Londrina para o estadual de 2013, onde foi campeão do interior, compôs a melhor defesa do campeonato e foi eleito o melhor lateral esquerdo. Em junho, foi comprado por 2 milhões de reais pelo Grêmio, que só pode contar com seu futebol em apenas 31 jogos. 

Em apenas oito meses no Tricolor Gaúcho, o lateral teve uma valorização gigantesca. Wendell foi vendido ao Bayer Leverkusen por mais de 19 milhões de reais.O jogador estreou pelas seleções de base este ano e com o pé direito. Ele foi campeão do Torneio Internacional de Toulon sub-20.

Rodrigo Caio
Data de nascimento: 17 de agosto de 1993 (21 anos)
Clubes: São Paulo (2011-atual)
Em 2013: 58 partidas (54 como titular com quatro gols)

Grave lesão no joelho impediu a continuidade do bom
futebol de Rodrigo Caio esse ano./ Foto: oestadoce.com.br
Zagueiro, volante e se precisar, lateral. Sem dúvidas a maior qualidade de Rodrigo Caio é jogar em diversas posições com a mesma qualidade. Apesar de estrear em um péssimo jogo do São Paulo que resultou em uma humilhante derrota por 5 a 0 para o rival Corinthians, o jogador deu a volta por cima e se tornou um dos mais utilizados do elenco. Excelente marcador, perigoso nas jogadas aéreas e de bons toques, principalmente nas saídas de bola...Não a toa, foi especulado como reforço do Barcelona, que procurava, desesperadamente, um zagueiro.

Em agosto, mesmo mês em que surgiu a notícia de uma possível transferência para o time da Catalunha, Rodrigo Caio teve uma grave lesão em partida contra o Criciúma pelo Brasileiro e esfriou o interesse dos espanhois. O jogador que era titular absoluto e havia disputado 25 partidas, todas nesta condição, rompeu os ligamentos do joelho esquerdo e só volta a jogar em 2015.

No São Paulo, Rodrigo Caio foi campeão da Copa Sul-Americana em 2012 e da Eusebio Cup, em 2013. Pelas seleções de base do Brasil, ele foi campeão e eleito melhor jogador do Torneio Internacional de Toulon, sub 20, em 2014. O atleta de São Paulo foi ainda determinante na conquista do Quadrangular Internacional, torneio preparatório que contou com Brasil, Argentina, Uruguai e Chile. Na decisão, contra os argentinos, o jogador marcou o único gol do jogo, garantindo o título ao país.

Lucas Silva
Data de nascimento: 16 de fevereiro de 1993 (21 anos)
Clubes: Nacional-MG (2012), Cruzeiro (2012-atual)
Em 2013: 28 partidas (23 como titular com dois gols)

Revelação do atual campeão brasileiro, Lucas Silva é
especulado no Real Madrid./ Foto: superesportes.com.br
Titular na melhor equipe do país desde o ano passado, quando foi campeão brasileiro, Lucas Silva foi capa do jornal madrilenho Marca, em outubro de 2014. Segundo o diário, o Real Madrid estaria interessado em contar com o futebol do volante, que se destaca pelos desarmes, chutes de longa distância, regularidade e visão de jogo. Além do mais, os 18 cartões amarelos recebidos em 76 partidas - média de um a cada 4,2 jogos - pouco para um jogador de marcação, mostram a eficiência no combate aos adversários da promessa cruzeirense. 

Em 2012, Lucas Silva foi emprestado ao Nacional, de Muriaé, para a disputa do Campeonato Mineiro. Ele só jogou uma partida e foi justamente contra o quem hoje é o seu maior rival, o Atlético Mineiro - derrota por 4 a 2. De lá para cá, as aparições com a camisa celeste se tornaram rotina e além do Brasileirão em 2013, ele conquistou o Campeonato Mineiro, deste ano. 

Atualmente, o volante é o mais jovem e um dos que mais atuou da equipe titular do Cruzeiro. A equipe mineira está na briga pelo bi nacional e pelo título da Copa do Brasil, que culminaria na segunda tríplice coroa na era dos pontos corridos - a primeira foi em 2003. Atacante de origem, o agora volante Lucas Silva tem como inspiração o ex-jogador Juninho Pernambucano. O jogador da Raposa tem treinado cobranças de falta, como fazia o ídolo do Vasco e Lyon. Pelas seleções de base, ele foi campeão do Torneio Internacional de Toulon, em 2014.

Rafinha Alcântara
Data de nascimento: 12 de fevereiro de 1993 (21 anos)
Clubes: Barcelona B (2010/13), Celta de Vigo (2013/14), Barcelona (2014-atual)
Em 2013/14: 32 partidas (28 como titular com quatro gols)

Irmão de Thiago, meia da seleção espanhola, Rafinha optou
por defender o país onde nasceu./ Foto: vavel.com
Filho caçula de Mazinho, tetracampeão em 1994, Rafinha, apesar de brasileiro de nascimento, é fruto de La Masía, centro de treinamento dos jovens atletas do Barcelona. Jogador de excelente qualidade no passe e no controle de bola, criativo, rápido e driblador. 

Canhoto, Rafinha joga com facilidade pelo lado direito, cortando para o meio e abrindo mais espaço para os chutes. Ele também faz jogadas de linha de fundo e passes por entre os zagueiros. Na ótima campanha do Celta de Vigo, contribuiu com sete assistências. Em 2014/15, tem ganhado algumas oportunidades no remodelado Barcelona, que tem Luís Enrique no comando, seu treinador na temporada passada no Celta.   

Para a sorte do Brasil, Rafinha Alcântara optou por um destino no futebol diferente ao do irmão Thiago, que defende a seleção espanhola. O jogador do Barcelona pretende seguir vestindo a camisa do país onde nasceu e aos poucos vai tendo oportunidades. Chamado para a seleção sub-20, venceu o Torneio Internacional de Toulon e disputou o sul-americano da categoria, no ano passado. Atualmente, é convocado para a sub-21 que se prepara para as Olimpíadas, em 2016.

Anderson Talisca
Data de nascimento: 1 de fevereiro de 1994 (20 anos)
Clubes: Bahia (2013/14), Benfica (2014-atual)
Em 2013: 38 partidas (19 como titular com três gols)

Primeira temporada na Europa, 20 anos, artilheiro e melhor jogador do futebol português. Neymar a parte, Anderson Talisca é a sensação brasileira no Velho Continente. Se no Bahia, o meia já se destacava pelo porte físico, qualidade no passes, eficiência nas cobranças de falta e cabeceio e fôlego inesgotável, no Benfica, que o adquiriu por apenas 12 milhões de reais, ele abriu os olhos do mundo para o seu talento com a expressiva marca de sete gols em oito jogos no campeonato local.

A estreia não poderia ter sido melhor. Pela semi-final da Taça da Honra, contra o Estoril, Anderson Talisca garantiu a vitória benfiquista com o gol do jogo. O título acabou escapando na derrota para o rival Sporting, mas o baiano foi eleito o melhor da competição. Com apenas cinco meses de Benfica e um título conquistado - a Supertaça de Portugal - o jogador desperta interesse de outros clubes gigantes do continente. O Arsenal é o principal deles. 

O torcedor do Bahia mal pode se acostumar a ver Anderson Talisca em campo com a camisa tricolor. O jogador disputou 68 partidas e marcou 11 gols, sendo dois deles no triunfo por 2 a 0, no primeiro jogo da final do Campeonato Baiano contra o maior rival, Vitória. O meia terminaria a competição campeão, eleito o melhor jogador e escolhido para a seleção do campeonato.

A passagem de Anderson Talisca pelas seleções de base conta com o título do Torneio Internacional de Toulon sub-20, em 2013. Atualmente, ele tem sido chamado pelo técnico Alexandre Gallo para a seleção sub-21, que se prepara para as Olimpíadas do Rio de Janeiro, em 2016.

Lucas Piazon
Data de nascimento: 20 de janeiro de 1994 (20 anos)
Clubes: Chelsea (2012), Málaga (2013), Vitesse (2013/14), Eintracht Frankfurt (2014-atual)
Em 2013/14: 31 partidas (26 como titular com 11 gols)

Mais um caso de uma jovem promessa vendida antes de jogar profissionalmente no país. O meia-atacante formado no São Paulo tinha acabado de completar 17 anos quando o Chelsea pagou mais de 22 milhões de reais por um contrato de cinco anos. No clube paulista, na categoria sub-15, ele conquistou os torneios Brasil-Japão, em final contra o maior rival, Corinthians, a Copa Nike - torneio nacional - e a Manchester United Premier Cup - fase internacional da Copa Nike - onde foi um dos destaques da competição.

Técnico, de bons chutes de longa distância e de excelentes passes, Lucas Piazon não demorou para se destacar na Inglaterra. Sem poder jogar na equipe principal dos Blues - só poderia com 18 anos - o jogador disputou algumas partidas com o time reserva e marcou belos gols, fechando 2011/12 com o título da Copa da Inglaterra sub-21 e vencedor do prêmio de melhor jovem do clube na temporada. Em 2012/13, Lucas Piazon estreou pelo profissional do Chelsea, mas no meio da temporada, acabou emprestado ao Málaga, que disputava a Liga dos Campeões. 

No clube espanhol foram 14 jogos, quatro como titular e duas aparições do torneio internacional, ambas contra o Porto. A afirmação de Lucas Piazon veio em 2013/14, na Holanda, país onde jovens atletas tem dominado o futebol. Novamente emprestado, desta vez para o Vitesse, o meia-atacante conseguiu ter um sequência de jogos que resultaram em boas atuações e, claro, gols. Mas, ao fim da temporada, o Chelsea entendeu que a sua promessa precisava de mais bagagem e acertou o terceiro empréstimo consecutivo, fazendo assim com que o jogador ganhe experiência no quarto país europeu em quatro anos.

Pelas seleções de base, Lucas Piazon estreou defendendo a equipe sub-15 no sul-americano, em 2009. O jogador foi campeão sul-americano sub-17 e quarto lugar no Mundial da categoria, em 2011. Ele também venceu o Torneio de Toulon, em 2014.

Gabriel
Data de nascimento: 30 de agosto de 1996 (18 anos)
Clubes: Santos (2013-atual)
Em 2013: 13 partidas (4 como titular com dois gols)

Depois das gerações Diego/Robinho e Neymar/Ganso - isso para falar de talentos formados recentemente - a atual grande revelação do Santos é Gabriel, o Gabigol. Tido como uma das maiores promessas do futebol brasileiro, o atacante canhoto, de 1.76m, desde muito novo é conhecido. Parte da fama precoce se deve aos mais de 600 gols na base santista. 

Rápido, habilidoso, finalizador...são muitas as qualidades do garoto que veste a camisa mais ''pesada'' do futebol nacional - a 10 do time da Vila Belmiro, que pode jogar como centro-avante, com características de falso nove - expressão da moda - e como segundo atacante, se movimentando pelos lados e servindo os companheiros, função que este ano ele contribuiu com cinco assistências. 

Gabriel chegou ao clube com apenas oito anos e estreou pelo profissional com 16. Ele é o artilheiro do Santos na temporada. Ainda tentando se firmar como craque, o menino da Vila já está na história do clube. Durante o campeonato paulista de 2014, Gabriel marcou o gol de número 12 mil da história do Peixe. 

Como a negociação de Neymar para o Barcelona rendeu aos catalães prioridade na compra de joias santistas, Gabriel é especulado como futuro jogador dos espanhois. A provável transferência foi noticiada em alguns jornais europeus como o Sport, da Catalunha e o britânico Daily Mail. O contrato com o time paulista vai até 31 de dezembro de 2015 e a multa rescisória chega a 150 milhões de reais. 

Gabriel é bicampeão paulista na base. O jogador conquistou os títulos nas categorias sub-13 e sub-15, em 2008 e 2011, respectivamente. Em 2012, ele foi campeão brasileiro sub-17. Já este ano, o atacante venceu o Torneio Internacional de Cotif sub-20 e foi o artilheiro da competição com 3 gols. A revelação do Santos serve à seleção brasileira desde a categoria sub-15.

No papel

Com Gabriel fazendo o papel de falso nove e três meias de muita movimentação, chegada ao ataque e alternância de posição, consequentemente, espaços iriam aparecer para a criação e definição de jogadas. O atacante do Santos sabe jogar enfiado entre os zagueiros e aberto pelas pontas, aproveitando a união de velocidade/habilidade que possui. Assim, tanto Lucas Piazon quanto Rafinha podem fazer o papel de meia armador central, com Anderson Talisca na referência.

Anderson Talisca tem arranque para voltar e buscar a bola mais atrás e iniciar as jogadas. Rafinha, velocidade e Lucas Piazon, precisão nos passes. Os volantes Lucas Silva e Rodrigo Caio além de bons marcadores, têm qualidade na distribuição de jogo e saída de bola. Ambos trabalham com os dois pés e fazem boas inversões de jogadas.

O polivalente jogador do São Paulo, tem experiência como zagueiro, o que facilitaria a formação com três defensores e liberando mais os laterais Wendell e Fabinho, que são possuem características ofensivas. Em um possível esquema 3-5-2, Marquinhos tem velocidade para cobrir a ala direita. Já Dória, é eficiente no combate homem a homem.

Veja também!

Bressan - Zagueiro do Grêmio, 21 anos. Revelado pelo Juventude, foi titular absoluto do Tricolor Gaúcho em 2013. Este ano, teve uma lesão na coxa que atrapalhou uma maior sequência de jogos. Muito bom nos desarmes e nas jogadas aéreas.

Abner - Lateral esquerdo do Real Madrid, 18 anos. Formado no Coritiba, não quis renovar com o clube e assinou sem custos com os espanhois. Dono de um bom vigor físico para um jovem e lateral, chega bem ao ataque e serve os companheiros. Atua na equipe B dos merengues, que disputa a segunda divisão. Participou do Mundial sub-17, em 2013.

Valdívia - Meia do Internacional, 20 anos. Desde o ano passado como profissional, tem conseguido ter mais oportunidades em 2014. Ainda reserva, costuma entrar no segundo tempo e dar ânimo ao Colorado. Em 31 partidas, marcou dois gols e deu uma assistência. 

Marcos Guilherme - Meia do Atlético/PR, 19 anos. No jovem time do Furacão, o camisa 10 é peça fundamental. Dinâmico, muito habilidoso e veloz, o meia não para e dá muita dor de cabeça aos adversários. Durante a boa fase que o rubro-negro vivia no Brasileiro, fazia uma bela dupla com o atacante Douglas Coutinho. Em 23 partidas, marcou três vezes e deu duas assistências.

Vitinho - Atacante do CSKA Moscou, 21 anos. Explodiu no Carioca de 2013 como promessa de futuro craque. Habilidoso, abusado e rápido, se tornou o principal jogador do Botafogo, que tinha o holandês Clarence Seedorf no elenco, no Brasileiro. Antes que a temporada chegasse ao fim, acertou com o CSKA. Com a demora para se adaptar, teve seu retorno especulado. Atualmente, é um reserva bastante utilizado no time russo.

sexta-feira, 24 de maio de 2013

Especial Futebol Alemão

Jovens talentosos são fruto da reformulação
nas categorias de base alemãs/ Arte: Mainara Assis
Neste sábado, Bayern de Munique e Borussia Dortmund decidem a Liga dos Campeões da Europa. Esta será a quarta vez que clubes do mesmo país fazem a final da competição e a primeira entre alemães. Para chegarem a esta partida, que acontecerá no estádio de Wembley, as equipes eliminaram Barcelona e Real Madri, os grandes favoritos ao título. O duelo alemão constata a evolução do futebol no país. Com investimentos nas categorias de base, a Alemanha colhe os frutos com uma safra de jogadores talentosos e se credencia como uma das grandes favoritas a conquista da Copa do Mundo de 2014, no Brasil. Abaixo você confere as entrevistas que o narrador e o comentarista do campeonato alemão nos canais ESPN, Rogério Vaughan e Gerd Wenzel, e o comentarista do site IG, Mário André Monteiro concederam ao blog do Caio Fiusa. Nelas, eles explicam a reformulação do futebol na Alemanha e analisam o pontos positivos da organização da Bundesliga, a liga principal.

Caio Fiusa: Quando, como e porque começou essa reformulação no futebol alemão?

Mário André Monteiro: A Alemanha viveu uma época de vacas magras desde a conquista da Copa do Mundo de 1990. No final da década 1990, a própria Federeção Alemã de Futebol criou alguns centros de treinamentos para revelar jogadores. Os clubes adotaram esse esquema. Então, a gente pode ver que esses novos jogadores regulam mais ou menos a mesma idade. Essa reformulação foi importante porque os clubes se conscientizaram e colocaram a Alemanha como favorita para a próxima Copa.

Gerd Wenzel:  Essa recomeço teve início em 2000, ano em que houve um fracasso da seleção alemã na Eurocopa, ficando em último lugar no grupo, com duas derrotas e um empate. A Federação Alemã de Futebol e a Bundesliga se reuniram para decidir o que fazer. Uma das medidas, talvez a principal, era a de que todos os times eram obrigados a ter a sua academia de futebol, com centro de treinamentos. Foi aí o ponto de partida para toda essa revolução.

CF: Tem diferença em narrar a Bundesliga, em relação aos outros campeonatos?

Rogério Vaughan: Total. Na Alemanha tem torcida. O torcedor faz questão de ficar em pé. Eles bebem e não tem nenhuma confusão. A gente foi transmitir o jogo entre Borussia e Real, deixou o carro no estacionamento e foi andando até o estádio, junto com aquela massa amarela. No meio da massa gritando com copos de cerveja na mão, tinham torcedores do Real Madri passando vestidos com a camisa do clube. E você não via nenhum tipo de ironia. Isso é um grande exemplo. Cultura e comportamento. Influencia inclusive no comportamento dos profissionais. Tudo é saudavel para o espetáculo. A torcida faz parte dela, acabou o jogo ela vai embora e segue a vida dela. No Brasil, você chega ao estádio preocupado.

CF: Percebeu um aumento da audiência do campeonato alemão?

Gerd Wenzel acredita que a organização financeira
da Bundesliga é um atrativo/ Foto: Divulgação ESPN
GW: Nós começamos a transmitir o campeonato em 1998, 1999. Eu lembro que nossa audiência ficava atrás da Premier League (Inglaterra), da Liga Espanhola e do Calcio (Itália). Logo depois da Copa de 2006, a coisa foi mudando de figura. Até porque, na Espanha se cristializou a disputa do título sempre entre Barcelona e Real Madri. Na Itália, houve uma decadência do futebol com escândalos de manipulação de resultados, racismo e estádios ultrapassados. A Itália perdeu uma grande oportunidade com a Copa em 1990 de renovar os seus estádios. E aí o que foi acontecendo? A Bundesliga foi tomando o lugar dessas ligas, ficando atrás apenas da Inglaterra, nos canais ESPN. Houve um aumento considerável da audiência.

MAM: No Brasil, até o ano passado nós tínhamos três emissoras transmitindo. Esse ano só teve a ESPN, então o brasileiro perdeu opções. Mas com o sucesso desses dois times e os brasileiros conhecendo melhor, deve crescer.

RV: Sempre houve um público cativo do futebol alemão no Brasil, seja pela colônia ou pelo futebol jogado. Mas esse público cresceu muito, por conta da Bundesliga ter se destacado entre as grandes competições, com altas médias de público. E também tem a organização. A Bundesliga é um evento para a família, por isso você vê muitas crianças e casais nos estádios. Naturalmente, o interesse vai aumentar. O campeonato alemão se tornou um grande porto seguro na Europa.

CF: De que maneira a Copa do Mundo em 2006, ajudou na evolução do futebol no país?

GW: Já se sabia que a Copa poderia ser na Alemanha. E qual era o pensamento? Nós não podemos passar vexame em casa, seja no ponto de vista estrutural, no da organização e muito menos no da seleção. Esse foi um dos grandes motivos para essa organização na seleção e no futebol alemão com novos objetivos.

MAM: Eu tinha muita preocupação em cima do comportamento, não só da seleção como da torcida, o orgulho dos torcedores. O Klinsmann, que era o técnico na época, conseguiu colocar um espírito vencedor, um sentimento patriota e os jogadores conseguiram fazer o time ir bem. De lá para cá, vem colecionando bons resultados apesar de nenhum título. Mas o orgulho em cima da seleção voltou, tanto para a Copa de 2014 quanto para Eurocopa em 2016, competições que esses jogadores vão chegar mais maduros.

RV: Conversando com o Paul Breitner, ele disse que o alemão leva tudo muito a sério. E o futebol também é. E eles aproveitaram a Copa do Mundo em 2006. Tudo isso é reflexo de um investimento na base e de contratações pontuais. Isso é fruto de um projeto de alguns anos. A Alemanha quis se abrir para o mundo e fez isso após a Copa. Hoje, é um futebol bonito e envolvente. O Bayern e o Borussia formam a base da seleção alemã, que em todas as Copas chega como uma das favoritas ao lado do Brasil, Argentina e Itália. Mas dessa vez, chega com favoritismo por causa do futebol apresentado. Hoje há quem diga que está um degrau acima da Espanha. 

CF: Uma das medidas para fortalecer a Bundesliga, foi o equilíbrio nas cotas de TV dadas aos clubes. Mesmo assim, o Bayern de Munique, que contrata muitos jogadores talentosos dos pequenos times, e o Borussia continuam um degrau acima dos outros, inclusive monopolizando a conquista do campeonato nos últimos três anos. É possível que isso se estenda ou existe algum clube capaz de se intrometer nessa briga particular?

RV: O Paul Breitner, quando esteve aqui, disse que o objetivo do Bayern é ultrapassar o Barcelona e se tornar o maior time do mundo. Essa contratação do Mario Gotze por exemplo, sem dúvida enfraquece o Borussia. Por ter muito dinheiro, o Bayern acaba sendo o predador, mas eu acho que eles vão resolver isso da melhor maneira possível. Mas acredito que essa polarização vai acontecer cada vez mais forte.

Para Mário André Monteiro, alemães não devem só
se contentar com as vagas europeias/ Foto: Arquivo Pessoal
MAM: Historicamente, o Bayern consegue contratar melhor dentro da Alemanha por ter mais dinheiro. A própria federação não permite que os clubes façam loucuras financeiras. O clube tem um determinado dinheiro guardado e não pode gastar mais do que ganha. Os clubes tem uma saúde financeira boa e nenhum deles é devedor. O Bayern contratou o Martínez na temporada passada e agora o Gotze porque tem condições para isso. É difícil falar que o Bayern vai monopolizar porque nas últimas cinco temporadas foram três campeões diferentes. Isso mostra o equilíbrio. A tendência é que o Bayern faça isso, por já ter um grande time e ter se reforçado, mas futebol é resolvido dentro de campo.

GW: É possível que aconteça. Dos 50 campeonatos da Bundesliga desde 1962/1963, o Bayern ganhou 22. Mas sempre apontam outros times. Em 2004, era o Werder Bremen, mas não deu continuidade. O mesmo aconteceu com o Stuttgart depois, que foi pior ainda. O mais importante é que o clube persiga o projeto. E foi o que o Borussia fez. É a mesma coisa que Schalke 04, Bayer Leverkusen e Hamburgo, só para citar os mais tradicionais, devem fazer. A questão não é ganhar um campeonato, mas se tornar grande. E o clube só se torna grande em primeiro lugar, investindo nos times de base. Depois, ter uma saúde financeira, não permitir que o dinheiro que você ganhe seja utilizado em especulação financeira, mas que seja aplicado no próprio clube. Se crescer, no caso do Borussia Dortmund que já é um projeto, vai ser um adversário a altura do Bayern de Munique nos próximos anos. O Bayern tem esse projeto há muito tempo e se outros clubes fizerem vão fazer frente aos dois.

CF: Qual o grande atrativo ou o diferencial do futebol alemão?

RV: O futebol apresentado, principalmente pelo do Borussia Dortmund, que é para frente. Isso chama atenção, inclusive da garotada. Os campeonatos europeus atraem muito os brasileiros. Os jogos são transmitidos nas TVs a cabo, mas o público não vê só isso. Ele vê a bola rolando em gramados impecáveis, organização, estádio lotado e festa da torcida. Então, cria uma expectativa e uma curiosidade que fazem as pessoas o acompanharem

GW: O grande atrativo em primeiro lugar é: o jogador quer saber não apenas quanto ele vai ganhar e se ele vai ganhar. Nós temos notícias de Ligas que não pagam em dia. O próprio Málaga, teve um problema sério. Na Alemanha, não importa o clube onde você esteja, no dia primeiro o dinheiro vai estar depositado na sua conta. A segunda questão é a que o jogador vai trabalhar em um campeonato extremamente organizado com estádios cheios. E qualquer jogador tem uma outra motivação com estádio cheio. A média é de 42 mil pessoas por jogo. A organização, o pagamento em dia, estádios cheios e todo o suporte que o clube dá aos jogadores atraem os estrangeiros. Agora com a chegada de Pep Guardiola, muitos jogadores vão se perguntar o porquê dele ir para a Alemanha. Ele vai ser uma isca para outros jogadores.

MAM: Tem um dado de 2002 que diz que 60% dos jogadores eram estrangeiros. Era um número muito alto. Desde então, os clubes passaram a investir mais em jogadores alemães e isso faz com que a torcida fique mais perto do clube e veja os jogadores mais de perto. O torcedor que viu o jogador crescer dentro do clube como o Thomas Muller, Mario Gotze, Toni Kroos, querem acompanhar eles crescendo no time profissional. Esses valores fazem com que a torcida acompanhe o clube. Além da estrutura que a Federação dá para os clubes. Hoje em dia os estádios são os mais modernos do mundo e a arrecadação dos clubes gira em torno do que é consumido dentro do estádio com produtos e merchandising.

CF: O futebol espanhol é considerado o ''futebol moderno'',vem de importante conquistas e tem dois dos principais clubes do mundo, assim como os dois melhores jogadores do mundo da atualidade. Mas, nas semifinais, dos quatro confrontos foram três goleadas alemãs. O futebol alemão está ultrapassando o espanhol?

GW: Eu não diria nesse momento que o futebol alemão é o melhor nessa época. Ele está em grande ascensão e vai ter que se firmar. Não está na hora de descartar o Barcelona, o Real Madri, o Manchester United. A Alemanha veio como uma grande força mas se vai continuar, só o tempo vai dizer. O Barcelona dominou e ainda domina, apesar de estar fora da Liga dos Campeões. Na Alemanha, além da habilidade dos jogadores alemães, eles alinham isso a um grande rigor físico, então talvez essa seja a grande novidade no futebol europeu: a habilidade técnica que é 50%, uma mudança iniciada em 2000, e 50% de aprimoramento físico. Além do mais, os jovens jogadores lançados em 2004,2005 e 2006 estão amadurecendo para conquistar um título internacional. O primeiro será neste sábado, independente de quem ganhe o jogo. E o segundo pode ser na Copa do Brasil em 2014. A Alemanha pode superar as outras forças do futebol mundial.

MAM: O futebol espanhol teve um momento mágico porque foi revolucionário. Mas os outros times entenderam esse jeito de jogar e começaram a fazer frente. Os jogadores ganhando experiência dentro dos clubes podem levar isso para a seleção, que bateu na trave nas Euro e na Copa. Eu espero e acredito que o futebol alemão possa fazer frente e tente buscar o título.

RV: Ninguém consegue se manter imbatível. Tem que ter uma renovação. Houve um predomínio espanhol e a Alemanha vinha se preparando com a base dela. Eu me refiro à seleção. Em 2010, Alemanha não estava na ponta dos cascos e a Espanha já vinha de um título de Eurocopa. Entre os clubes, a Alemanha cresceu muito, principalmente no coeficiente europeu. Hoje, ela ultrapassou a Itália e tem quatro vagas na Liga dos Campeões. Eu vi uma entrevista do presidente Javier Tebas, da Liga Espanhola, onde ele disse que os espanhóis tem que tomar como exemplo o campeonato alemão, porque os times são saudaveis financeiramente e não fazem loucuras. Isso vai resultar numa sequência muito boa para os times e para a seleção da Alemanha, por conta desses frutos que eles plantaram lá trás. 

CF: Recentemente a Alemanha reconquinstou uma vaga que dá classificação a Liga dos Campeões da Europa. Você considera isso um incentivo a mais para continuar crescendo ou um objetivo conquistado?

MAM: Considero um objetivo, porque a Alemanha já tinha essas quatro vagas. É importante manter para que o futebol interno continue crescendo. E não basta só ter quatro times na Liga dos Campeões e três na Liga Europa, é necessário ir bem. Na Liga dos Campeões, os três chegaram as fases finais. Os clubes não podem deixar essa peteca cair. É um objetivo para não só manter as quatro vagas, mas passar a Espanha e a Inglaterra no coeficiente na Uefa e ser a melhor liga no ranking.

GW: Foi um objetivo conquistado. O próximo é ultrapassar a própria Inglaterra. Se você olhar o ranking, a Alemanha está coladinha. Em termos de vagas não vai fazer diferença nenhuma. É o objetivo ser a primeira colocada. Vai ser um embate muito difícil com a Inglaterra. Superar a Itália era um objetivo e foi conquistado e agora é a Inglaterra e depois a Espanha. O Paul Breitner deixou muito claro isso, que o objetivo é ser a melhor.

CF: O que o Brasil pode pegar de experiência com futebol alemão?

MAM: É difícil, mas esse modelo de categoria de base é o que falta no Brasil. Alguns clubes grandes não têm isso. Essa estruturação não só do profissional, mas da base também é importante para fazer algo parecido com o que é feito na Alemanha. E principalmente, os políticos que trabalham com o futebol se conscientizarem de que: futebol é política? É, é dinheiro, mas também é lazer e cultura. Então eles têm que fazer alguma coisa para tornarem os campeonatos mais atrativos e evitarem que os clubes fiquem endividados. E claro, tem que aprender muito com os grandes países europeus. Aprendendo é o primeiro passo, porque matéria prima o Brasil tem de sobra e fazendo isso, pode monopolizar o futebol tranquilamente. 

Rogério Vaughan acredita que o Bayern é o
favorito para a grande final/ Foto: Divulgação ESPN
RV: Comprometimento, seriedade. O Brasil tem dinheiro, tem jogadores que brotam todos os anos com talento. O que falta no Brasil é seriedade e comprometimento. Na Alemanha, eles são compromissados. Em casos isolados ocorre corrupção, mas no caso do Brasil isso está enraizado na cultura brasileira e junto a isso a impunidade. O Brasil vive uma situação privilegiada em relação até mesmo a países europeus. Falta planejamento. Continuamos a ser o país do jeitinho, da improvisação. Estamos às vésperas de uma Copa do Mundo e o país como está? Muitos projetos de mobilidade urbana para melhorar o país foram cancelados. Temos casos de corrupção, superfaturamento, todos esses detalhes que fazem parte da cultura brasileira servem como atraso, não só para o futebol, mas para o país em geral.

GW: Você precisa saber se os dirigentes querem aprender. Existe uma corrupção inerente ao futebol brasileiro. Existe um apetite para se fazer grandes projetos e grande empreenteiras. Não há nenhum interesse em fazer estádios baratos, quanto mais caro melhor, porque aí todo mundo pode ter a sua participação. É preciso haver uma mudança de mentalidade no futebol brasileiro, seja na organização, ou na administração dos clubes ou das federações. Enquanto não mudar, não teremos estádios baratos, muito mais caros do que os construídos na Alemanha. 

CF: Para o jogo deste sábado, tem favorito?

GW: Não tem favorito. Estou desconfiado de que esse jogo possa ser decidido em um pequeno detalhe. Se tem um time que sabe enfrentar o Bayern de Munique, é o Borussia Dortmund. Nos últimos seis jogos pela Bundesliga, foram quatro vitórias do Borussia e dois empates. O Bayern ganhou na Copa da Alemanha e ficou por conta disso.Vai ser um jogo muito equilibrado. Quem pode fazer a diferença são um dos craques, como o Ribery, que está em espetacular forma. Do lado do Borussia, o Marco Reus, que hoje desponta como o maior talento da equipe.
  
RV: O Bayern é favorito, mas o Borussia pode desequilibrar. O Bayern chegou em duas finais e está com esse trauma. Em 2010 tudo bem, mas ano passado perder em casa pro Chelsea...essa ferida ainda está aberta. Se tem um time que pode desestruturar o Bayern é o Borussia. Na história recente dos confrontos ele atrapalhou muito o Bayern. O Bayern está com essa pressão de bater na trave novamente. Se o Borussia fizer 1x0, isso vai pesar muito. As outras finais inevitavelmente vão servir como pressão para os jogadores.

Entrevistas realizadas entre os dias 18 e 21/05/2013 por telefone.
Contato: fiusa.caio@gmail.com