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segunda-feira, 25 de março de 2019

Em jogo com quatro expulsões, Joinville vence Figueirense

Jefferson foi um dos destaques da partida, garantindo a
vitória tricolor./Foto: Twitter Joinville EC
Em partida marcada por cartões vermelhos, o Figueirense foi derrotado em casa pelo Joinville por 1 a 0. O gol foi de Nathan Cachorrão, aos 10 minutos da primeira etapa. Com o revés, o alvinegro perdeu a liderança para o maior rival, o Avaí, nos critérios de desempate, já que ambos estão empatados com 30 pontos. Já o Joinville subiu para o sexto lugar, com 20, e está mais próximo da vaga para a semifinal. 

As confusões começaram cedo no Orlando Scarpelli. Logo aos 10 minutos do primeiro tempo, Nathan Cachorrão aproveitou falha de Pereira e abriu o placar. Na comemoração, o atacante do Joinville imitou um cachorro. Alemão, lateral do Figueirense, não gostou e deu um tapa no rival. Vermelho direto para o defensor alvinegro. Aos 20, novo desentendimento entre os jogadores, mas sem cartões. 


Mesmo com um a menos, o Figueirense pressionou e quase empatou com Ruan Renato, que testou firme, mas o goleiro Jefferson salvou. Aos 34, Pereira e Hugo Almeida se desentenderam e receberam o vermelho. Com nove em campo, os donos da casa assustaram em cabeçada de Willian Popp. 


No segundo tempo, Willian Popp voltou a incomodar a defesa tricolor. O atacante até marcou, mas o assistente assinalou impedimento. O Joinville se fechou bem, enquanto o Figueirense buscou o empate até o final, mas parou no goleiro Jefferson. Nos acréscimos, Caíque, do Joinville, recebeu o segundo amarelo e também foi expulso. Fim de papo em Florianópolis: JEC 1 a 0. 


Na próxima rodada, o Joinville tem confronto direto com o Marcílio Dias, em casa, no sábado. As duas equipes tem 20 pontos e brigam pela última vaga para a semifinal. Já o Figueirense, visita o Hercílio Luz, vice-lanterna, no domingo.



*Publicado em lance.com.br em 24/03/2019

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Entrevista: Franklin Vicente

Emprestado ao Celje, Franklin se recupera
de grave lesão/ Foto: Leo Carahija


Uma grave lesão e 5 meses longe dos gramados. Emprestado pelo Olimpija Ljubjana ao Celje, ambos da Eslovênia, até o fim da temporada, em dezembro, para se recuperar de uma ruptura no músculo posterior da coxa direita, o atacante Franklin Vicente não deixa se abater. Aos 24 anos, o jogador está há 3 no país europeu onde enfrenta além da marcação dos adversários, o inverno rigoroso. Abaixo você confere na íntegra, a entrevista exclusiva que o atleta, revelado pelo Figueirense-SC deu ao blog do Caio Fiusa. Nela, Franklin conta um pouco sobre o futebol e a cultura de um país tão desconhecido para os brasileiros.

Caio Fiusa: Você está voltando agora de uma grave lesão. Como está se sentindo? Já está 100%?

Franklin Vicente: Depois dos dois últimos jogos, já estou me sentindo muito bem, mas ainda preciso recuperar a minha forma física. No primeiro jogo, depois da lesão, joguei 20 minutos, no segundo um tempo inteiro, no terceiro joguei 80 minutos e o último joguei o jogo todo. A confiança vai voltando com o tempo. Ainda não me sinto confiante para fazer algumas coisas, mas graças a Deus estou a cada dia melhor.

CF: Há 3 anos no país, você já disputou 77 partidas e marcou apenas 11 gols. Está satisfeito com essa média?

FV: Eu jogo mais como segundo atacante, pelos lados do campo. Não sou centroavante. Sempre tenho números maiores de assistências do que de gols, mas claro que quero fazer gols também. Como um profissional, eu sempre procuro melhorar. Quanto mais gols eu fizer, melhor para mim e para minha equipe.

CF: A maioria dos jogadores dos elencos de Olimpija e Celje é eslovena, diferente de outros países europeus onde é difícil você encontrar um jogador local no primeiro time. Você acha que essa predominância de eslovenos faz com que o futebol da equipe fique muito preso ao estilo de jogo esloveno?

FV: Eu acho que isso não muda muita coisa. O jogador estrangeiro vem pra cá para fazer o que o treinador quer. Os eslovenos gostam de jogadores talentosos que sejam de fora, mas ele tem que ser em primeiro lugar dedicados taticamente e depois ele vai mostrar o talento. Os 11 jogadores tem funções no ataque e na defesa, não existe essa de atacante não marcar. Então, não adianta você fazer dois gols por jogo e não ajudar a marcação. O jogo é bem intenso e o atleta corre o tempo inteiro.

CF: Você tem liberdade para mostrar e desenvolver as suas principais características?

FV: Eles me entendem e pedem para eu driblar, arriscar jogadas, mas quando temos que marcar eles exigem que eu marque assim como todos os outros.


CF: Na entrevista anterior, o Tom Gilio, que está na Bulgária, revelou que os próprios jogadores têm um certo preconceito contra estrangeiros e, principalmente, contra negros. Você já passou por alguma situação do tipo? 

FV: Olha, aqui na Eslovênia eu não percebo nenhum tipo de racismo contra estrangeiros, pelo contrário, somos muito bem tratados. Mas eu já fui ofendido 3 vezes aqui em partidas, todas elas no mesmo lugar. A torcida desse time era meio barra pesada também. Fora isso, eu tenho um vida bem tranquila em relaçao a esse tipo de preconceito.

CF: Futebol aí é paixão? Os torcedores tem aquele fanatismo? E eles são violentos?

FV: Fanáticos somente as torcidas do Maribor e do Olimpja, porque são os dois maiores times do pais. As dos outros clubes são normais, até porque aqui o futebol não é o esporte preferido deles. Então não é aquela paixão como no Brasil. E os casos de violência são entre torcida e polícia.

CF: Nos últimos 4 anos, o Maribor foi 3 vezes campeão e é o maior vencedor do campeonato nacional com 10 conquistas. Isso mostra que o campeonato é desequilibrado?

FV: Nao, o campeonato é muito disputado do começo ao fim. Apesar de o Maribor nos últimos anos ter um notório desempenho nas eliminatórias dos campeonatos europeus, eles têm dificuldade como todos os outros times de ponta do pais.

Maior dificuldade de Franklin foi o inverno esloveno./
Foto: Miha Koron
CF: O campeonato esloveno é recente devido ao fim da Iugoslávia. Por conta disso, é atrasado? Falta estrutura? 
FV: Em termos de estrutura nem todos tem tanto a oferecer, mas todos eles têm estrutura de time profissional. Os clubes são de longa data, a maioria já existia desde do tempo da Iugoslávia. O problema é mesmo que os eslovenos não são apaixonados como nós pelo futebol.

CF: Eu vi que os estádios são acanhados, com média de 16, 18 mil de capacidade. Mesmo assim a torcida comparece e faz deles pequenos caldeirões? 

FV: Os estádios são pequenos, o maior é o do Olimpija com capacidade para 22 mil.
A ocupação depende do jogo. Quando são clássicos, a torcida comparece. A festa fica mais para as organizadas, elas que têm os fiéis torcedores.  

CF: A Eslovênia esteve na última Copa, na África do Sul, em 2010. Você acha que isso fez com que houvesse um investimento nas categorias de base? Como está o futebol esloveno nesse sentido?

FV: Acho que o investimento na base ainda é muito precário. Precisa-se de muito mais para se manter em um alto nível.

CF: Diferente de muitos brasileiros, você tem um empresário estrangeiro, o croata Mirsad Keric. Estar com ele foi uma opção sua? E quanto tempo tem essa parceria? 

FV: Vão fazer 3 anos que estamos juntos. Ele me procurou e o interesse de me levar para fora do Brasil veio dele também. Eu sempre tive o sonho de jogar na Europa, então quando pintou uma oportunidade eu não pensei duas vezes.
CF: Você foi revelado pelo Figueirense, mas não chegou a brilhar com a camisa alvinegra. Você se arrepende de ter saído cedo do clube e não ter tido a oportunidade de mostrar mais o seu futebol?

FV: Foi ótimo ter sido relevado no Figueirense! Eu aprendi muito no tempo que eu fiquei no clube. Tive grandes treinadores em cada categoria que passei. Eu não me arrependo de ter saído e acho que cada um trilha seu caminho e segue o que acha melhor para sua carreira. Para mim foi uma ótima decisão, mas muitos não fariam essa troca. Quando eu decidi sair, o Figueirense passava por problemas e nós, jogadores formados no clube, fomos deixados de lado. O importante para um atleta é jogar, para estar em evidencia. Por isso decidi sair, porque naquele momento eu não teria a oportunidade de mostrar o meu futebol. 

CF: Figueirense esse ano disputa a série B do Brasileiro. Tem acompanhado os campeonatos, tanto a série A quanto a B?

FV: Vejo muito pouco a série A e a B eu não acompanho nada.

Atacante pretende ficar mais na Eslovênia e voltar ao
Brasil após a aposentadoria./Foto: siol.net
CF: Por ser uma ex-república iugoslava, existe muita rivalidade com os outros países como Croácia, Sérvia, por exemplo?

FV: Tem sim, não parece que um dia eles foram um mesmo país. A rivalidade entre eles nos esportes é uma coisa bem forte, porém saudável. Eles não se desrespeitam e nem se agridem.

CF: Eu acredito que seja uma cultura muito diferente da brasileira, não é?

FV: A cultura deles é totalmente diferente. Os eslovenos são pessoas mais fechadas e mais complicadas de se fazer amizade. Eu tive um pouco de dificuldade para me adaptar aos costumes e hábitos deles como almoçar muito tarde. A comida por exemplo não tem tempero nenhum. Você quase não vê pessoas reunidas para comerem ou saírem juntas. Também tem um pouco de falta de higiene em relação aos desodorantes. Muitas pessoas andam com um cheiro muito forte de suor, até mesmo algumas mulheres. Mas hoje já me adaptei e considero a Eslovênia minha segunda casa.

CF: Já que você tocou no assunto, qual foi a sua maior dificuldade de apaptação?

FV: O inverno é super rigoroso aqui, sofri muito no período. Além de ser difícil fazer qualquer coisa nessa época, principalmente treinar e jogar.

CF: A ilha de Bled na Eslovênia foi considerada a mais bonita do mundo. Além disso, o país é um dos primeiros a produzir comida orgânica. Já teve a oportunidade de visitar o lugar ou comer esse tipo de alimento? O que mais você visitou e pode destacar do país? 
  
FV: Eu visitei a ilha de Bled, que é um dos pontos turísticos mais bonitos. Fui à caverna de Postojna, à de Predijama e visitei o lago de Bohjn. Fui também a dois lugares muito bonitos que são Portoroz e Piran. Eu posso dizer que a Eslovênia é de uma belíssima natureza. O turismo é movido pelas belezas que a natureza oferece. Mas ainda não experimentei a comida orgânica.

CF: Resumindo todas as suas experiências na Eslovênia e claro, no futebol do país, acha que é vantajoso para o brasileiro tentar a sorte aí? Porquê? 

FV: Sim, é muito vantajoso porque o Euro é muito mais valorizado do que o Real e o custo de vida aqui é muito mais baixo do que no Brasil. Eu chego até a ficar assustado quando vou para o Brasil e vejo os valores de certas coisas. Sem falar que a condição de vida que a Europa oferece é bem melhor do que a oferecida no Brasil, em relaçao a saúde, educação, segurança e infrainstrutura. E ainda tem a taxa de desigualdade social que é quase zero.

CF: Você hoje está casado. Pretende construir a sua família na Eslovênia ou na Europa? 
 
FV: Pior que não. Mesmo com tudo que a Europa oferece eu sinto falta da minha família e dos meus amigos e também do Brasil.

CF: Mas pretende continuar aí ou voltar para o Brasil? 
 
FV: Sim, eu quero estar por aqui até eu parar de jogar. Depois quero voltar para o Brasil e me estabelecer o mais rápido possível.
  
CF: Alguma história para relembrar?

Maior objetivo do atacante é garantir o futuro da família.
/ Foto: Arquivo Pessoal
FV: Teve uma que aconteceu logo quando eu cheguei. Eu não sabia falar nada e tinha acabado de começar as aulas de esloveno. Aí um dia fomos almoçar juntos em um hotel antes de um jogo. Logo após a refeição, eu queria agradecer ao garçom por ter me servido. Um colega me disse que eu deveria dizer ''hvala barko''. Só que isso significa ''obrigado bigodudo'' e eu sem saber de nada e achando que estava falando corretamente, disse isso ao cara. Ele ficou me olhando com uma sem graça e todos do time não paravam de rir. Até que me explicaram o que eu tinha tinha dito e também explicaram ao garçom (risos). No final ficou tudo bem.

CF: Eu gostaria que você dissesse quais são seus objetivos a serem alcançados?

FV: Bom, meus objetivos não são muito diferentes dos outros jogadores. Eu quero jogar a Liga dos Campeões, Copa do Mundo, jogar em grandes clubes europeus. Mas o principal é, quando eu encerrar minha carreira, ter a consciência de que eu fiz tudo o que eu podia, sem nunca me omitir e, sem dúvidas, garantir uma vida digna à minha família, que sempre estiveram ao meu lado e merecem tudo de melhor. Resumindo, meu objetivo não é conquistar o mundo e nem ser o melhor, eu quero garantir o futuro das pessoas que eu amo, e ser feliz a cada dia com o futebol que é a minha paixão. Deus me deu um dom e a oportunidade de, através desse dom e do meu sonho, viver e dar alegria para os que apreciam o futebol. 

Entrevista realizada em 30/09/2013, pela internet.
Críticas, dúvidas e sugestões: fiusa.caio@gmail.com   

sábado, 15 de dezembro de 2012

Entrevista: Ruy Cabeção

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Ruy Cabeção diz que treinador foi o motivo de
sua saída do Grêmio/ Foto: Lairto Martins
Ruy Bueno Neto começou a carreira no América/MG. Ganhou fama nacionalmente após se destacar com a camisa 2 do Botafogo, onde se tornou ídolo. Após passagens por grandes clubes brasileiros, acaba de disputar a Série C pelo Brasiliense-DF. Aos 34 anos, o experiente jogador revela bastidores da relação entre jogador e empresário e o desejo de ser treinador futuramente. Abaixo, você confere a entrevista exclusiva que o Cabeção deu para o blog do Caio Fiusa.

Caio Fiusa: Hoje, você tem contrato com alguém? Surgiu alguma proposta ou sondagem?

Ruy Cabeção: Estou sem clube. Sondagem tem, mas proposta concreta ainda não.

CF: Está esperando o ano terminar para decidir?

RC: Não. Estou esperando uma coisa bacana. A gente tem que analisar tudo, o time, o campeonato que vai ser disputado. Não estou trabalhando mais com escritório, não tenho nada assinado com nenhum empresário mais. Então, é direto comigo mesmo.

CF: Você passou por grandes clubes como Cruzeiro, Botafogo, Fluminense e Grêmio. Mas foi no Botafogo que você conseguiu destaque nacional. Foi a sua melhor passagem?

RC: Foi, porque a identificação com a torcida era e é muito grande. Mas, tiveram outros clubes em que eu tive momentos bons também. No próprio Cruzeiro, eu tive muitos, mas por ser mineiro, ser prata da casa do estado, o reconhecimento às vezes não é o mesmo. O Grêmio também, fiquei pouco tempo, mas fui eleito melhor lateral do campeonato gaúcho. Não tem um time específico. O carinho maior que eu carrego até hoje é da torcida do Botafogo.

CF: Você é lembrado pelo jogo da final do Carioca de 2006, no qual mesmo machucado, permanceu em campo. Foi o momento ou o jogo mais marcante da sua carreira?

RC: Tive muitos. Eu sou um jogador que tenho um reconhecimento maior do torcedor. Em Minas Gerais, algumas pessoas vinculadas à imprensa - eram minoria, mas de meios importantes - infelizmente tinham problemas pessoais comigo.  outros não reconheciam, prefiriam falar mal. No Cruzeiro, eu fiquei marcado por ter participado da jogada do gol de despedida do Sorín. No título mineiro do América/MG, eu que fiz a jogada toda sozinho para o gol do Alessandro. No Botafogo teve esse jogo. No Figueirense, quase fomos campeões da Copa do Brasil. E no Grêmio, a gente chegou a uma semi-final de Libertadores e foi a minha primeira. Cada time tem um momento.

CF: A sua passagem pelo Fluminense interferiu na relação com a torcida alvinegra?

RC: Não, de forma alguma.

CF: Foi bem recebido nas Laranjeiras?

RC: Sim. Tenho o respeito do torcedor por ter feito parte do grupo de 2009, que se livrou do rebaixamento.

CF: No início você era só Ruy, depois adotou o Cabeção. Alguma vez o apelido incomodou?

RC: Não. Esse apelido começou com a torcida do Cruzeiro, mas foi se firmar mesmo no Botafogo. Eu carrego desde criança, o pessoal da minha rua, do meu bairro, sempre me chamaram de Cabeção. Então, nunca incomodou não.

CF: Você falou do Grêmio, onde começou muito bem, marcando dois gols nos dois primeiros jogos. Depois saiu no meio do ano. Porquê?

RC: Eu saí exclusivamente por culpa do treinador. Eu tive um desentendimento com ele na semi-final da Libertadores. Eu iria ficar treinando em separado, mas o Celso Barros (presidente da patrocinadora do Fluminense) me ligou pedindo para ajudar o time e me ofereceu dois anos de contrato. Foi por isso que eu saí, se não, teria continuado lá. A diretoria, os jogadores e a torcida gostavam de mim.

CF: Se arrepende de ter saído do Grêmio naquela época?

RC: Não é questão de se arrepender ou não. Eu gostava muito de jogar pelo Grêmio. Na minha estreia eu fiz um gol, fui muito bem no Estadual, era titular absoluto, tinha muita coisa boa que poderia acontecer. Infelizmente, apareceu mais um treinador para atrapalhar minha carreira, mas é vida que segue e serve de aprendizado.

CF: Você ficou conhecido por jogar na lateral. Depois, passou a atuar como meia. Como foi essa transição?

RC: Nos últimos quatro ou cinco anos, eu venho jogando mais como segundo volante ou meia direita. Mas, querendo ou não, sempre um treinador me pede para atuar na lateral. Isso vai mais por questão do elenco. Para mim, jogar no meio de campo, não foi nenhuma novidade. A minha categoria de base foi toda feita como meia direita. Quem me colocou como lateral direito foi o Vanderlei Luxemburgo, na época em que estava em falta no Brasil. Ele achava que eu poderia ser feliz ali. E realmente fui.

CF: Você falou que passou a jogar de lateral por causa de uma opção do Luxemburgo. A posição de lateral ainda é carente?

RC: Hoje, não. Logo após a época do Cafu, não tínhamos laterais-direito no Brasil. Agora, a gente tem o Daniel Alves, o Maicon, que apesar da idade é um dos melhores na posição, e alguns meninos bons que estão aparecendo.

CF: Quais as principais diferenças entre atuar na lateral e no meio?

RC: Infelizmente, o lateral é muito dependente do meio de campo. Se ele não tiver volantes e meias que balancem o jogo, de um lado para o outro, vai morrer de fome. Já, o meia não, é o coração do time, do futebol mundial. A bola está sempre passando por ali. Você tem condição de participar mais da partida com a bola no pé.

CF: Acha que ainda tem vaga para você em algum clube da primeira divisão?

RC: Sinceramente, para jogar em um clube de ponta está complicado. O futebol está monopolizado. Existem alguns empresários no futebol brasileiro que para o jogador entrar em um time grande, tem que passar por eles. E o exemplo serve para mim. Quando deixei de trabalhar com meu empresário, que tinha se vinculado a um outro, grande no meio do futebol, a dificuldade de arranjar espaço na Série A ficou maior. Ele passou a não querer trabalhar comigo por conta da minha idade e por não trazer nenhum retorno a eles. Voce vê jogadores tecnicamente de niveis inferiores, mas que podem dar um retorno para os times e empresários, que tem vaga garantida (nos clubes) e ficam pulando de um para o outro, até atingir 30 anos. Jogador acima dessa idade não vale nada.

CF: Por já ter 34, você já pensa em parar? Alguma ideia do que pretende fazer quando se aposentar?

RC: Por enquanto, não. No próprio Brasiliense, os preparadores físicos e os treinadores que passaram por lá, me disseram que posso jogar tranquilamente até aos 40. Mas, pelas minhas contas, pretendo atuar por mais 3 anos para poder treinar todos os dias e acompanhar o ritmo de todo mundo. Quando me aposentar, eu tenho muita vontade de ser técnico um dia.

CF: Pretende encerrar a carreira em algum clube específico? No Botafogo, América/MG, Grêmio...

RC: Isso eu não penso. No Botafogo, é lógico que eu tive meu momento de ídolo, mas eu não posso nunca me comparar a um Túlio Maravilha, a um Sérgio Manoel, Wágner, Gottardo, Gonçalves. O clube estava a quase dez anos sem ganhar o Carioca e eu joguei machucado, o certo seria não jogar, tanto que fiquei 52 dias parado depois. Isso marcou muito a torcida. Mas eu tenho humildade e sei da grandeza que eles têm e não posso me comparar. Quero parar em um time bacana, sem jogo de despedida.

CF: Você nunca foi ligado à polêmicas, que rondam o mundo dos jogadores de futebol. Como é a sua vida fora dos campos?

RC: Uma coisa que existe é a hipocrisia. Tem muito jogador que se diz evangélico, mas não sai da noite e enche a cara. Eu fico no meio termo. Apesar de ser casado e ter duas filhas, nunca deixei de sair e tomar a minha cerveja na hora certa. Aqui no Brasil, a coisa mais estranha do mundo é jogador beber e fumar. Você vai na Europa e os jogadores bebem e fumam muito mais do que os daqui. Lá, existe o profissionalismo, eles não se preocupam com a vida pessoal do jogador, só querem que ele renda dentro de campo. Eu faço tudo que uma pessoa ''normal'' faz, lógico que tenho as minhas restrições. Sou muito feliz porque sempre soube aproveitar a minha vida da melhor maneira possível.

CF: Você afirmou em uma entrevista que os técnicos Celso Roth, Mario Sérgio e Levir Culpi foram importantes por serem diretos e sem frescuras. Tem muita frescura no futebol?

RC: Futebol hoje virou um mega evento. Os clubes aprenderam a usar o marketing. Os jogadores importantes conseguem ficar aqui muito tempo. Então, está envolvendo muita coisa. Existem empresários no meio que tem jogadores, são donos de clubes, muita influência e são só os caras (agenciados) deles que entram nos times. Os empresários não estão preocupados com os clubes. Só querem mostrar o produto deles. Nesse sentido, o futebol está chato.

CF: O Grêmio prepara o seu adeus ao estádio Olímpico. Um assunto, relacionado a isso, que vem sendo muito debatido, na internet especialmente, é o fim da ''avalanche''. O que você pensa a respeito?

RC: Isso é complicado dizer. É uma característica muito forte e tradicional da Geral. A gente fica triste, mas o futebol tem que ter um crescimento. Reclamamos há muitos anos que o Brasil tem que ter estádios modernos e agora estamos seguindo essa linha. Se tivesse alguma outra forma, um consenso, criar um cantinho só para essa organizada, não sei, é difícil. A repercussão vai ser muito grande por ser uma marca registrada gremista.

CF: Falando sobre o seu último clube, o Brasiliense chegou a ter uma boa fase na Série C, mas depois acabou não conseguindo a vaga para as quartas de final. O que houve?

RC: O ano do time foi muito ruim. Cheguei lá para disputar o segundo turno. Era capitão da equipe e fiz um ótimo campeonato, mesmo ninguém esperando. Sou muito grato ao Luiz Estevão, que sempre gostou do meu futebol e pediu para que eu voltasse. Mas existe uma pessoa lá dentro que não vai com a minha cara. O Brasiliense só colheu o que ele plantou. Infelizmente, investiu em jogadores que não eram da grandeza do clube e só no returno contratou jogadores de qualidade. Eu fui um deles, que cheguei para tentar salvar, consertar a besteira que fizeram. Mas sozinho a gente não consegue fazer nada. Mesmo assim quase conseguimos a vaga depois de uma temporada horrível, devido à filosofia de trabalho que implantaram no início do ano.

CF: Algum companheiro para destacar?

RC: São muitos nomes, muita gente mesmo, mas eu posso citar o Sorín e o Alex, nos tempos de Cruzeiro. O Pintado no América/MG. No Botafogo, o Scheidt e o Dodô. No Grêmio, o Alex Mineiro, que é meu amigo até hoje. Eu só tive problema mesmo com dois técnicos. Eles serviram como aprendizado, me ensinaram o que não fazer como treinador. E como eu tenho vontade de ser, foi uma experiência.

Entrevista realizada por telefone, quarta feira, dia 28/11/2012
Publicada no blog oagonizante.blogspot.com.br 01/12/2012
Contato: fiusa.caio@gmail.com