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sexta-feira, 19 de junho de 2020

Danilo Pereira, o brasileiro preparado para ser a futura joia do Ajax

Brasileiro chegou ao Ajax depois de passagem pela base
do Santos. (Foto: Divulgação Ajax)
Johann Cruijff, Marco Van Basten, Wesley Sneijder, Edgard Davids, Patrick Kluivert, Edwin van der Sar, Ronald e Frank de Boer... A lista de grandes nomes do futebol holandês revelados pelo Ajax é extensa.

Mais recentemente, o maior campeão dos Países Baixos alçou ao time principal o zagueiro Matthijs de Ligt, já vendido à Juventus, e Donny van de Beek. A dupla integrou, junto com o ponta brasileiro David Neres, um time jovem que levou o Ajax até a semifinal da Liga dos Campeões da Europa e às conquistas do Campeonato Holandês e da Copa da Holanda. 

Além de Neres, alvo de gigantes do continente, outro brasileiro chama atenção da comissão técnica do Ajax: Danilo Pereira. Aos 20 anos, o atacante fez ótima temporada em 2018/19 pela equipe B, anotando 19 gols em 33 jogos e aguarda uma oportunidade no time principal. Enquanto isso, o jogador passa pelo processo de adaptação ao novo país. 

''Morei oito meses com uma família holandesa e foi uma experiência boa. Eles sempre me ajudaram em tudo, então sou grato por isso. Eles eram bem tranquilos e não gostavam quando eu colocava músicas brasileiras alto (risos).  Eles 'zoavam' me chamando de morango, em português mesmo, porque é minha fruta favorita e eu sempre pedia. Até na rua eles falavam assim comigo'', disse o jogador em conversa com a reportagem de oGol.  

A adaptação de Danilo também ocorre dentro de campo. O jogador revelou o que tem aperfeiçoado no seu estilo de jogo com o método holandês. 

''Sou um centroavante que gosta de receber a bola, fazer um-dois e receber na frente, fazendo infiltração. A parte da infiltração eu aprendi aqui, porque jogo mais de ponta. Eles pedem para eu correr nas costas dos zagueiros, para receber a bola sem marcação. Quando jogo de centroavante, eu gosto de buscar a bola no meio de campo e tabelar porque assim, vai ter um jogador livre. A filosofia deles é essa: fazer um-dois, receber a bola nas costas dos zagueiros e os meias chegarem na área''.  

Bagagem em grandes clubes do Brasil

Antes de chegar na Europa, em 2017, Danilo rodou por alguns clubes brasileiros. O início foi na Portuguesa, onde ficou cinco anos. Em 2010, a mudança para o Corinthians, onde atuou por mais cinco temporadas até ser dispensado. 

No currículo constam ainda rápidas passagens por Ponte Preta e Vasco, até chegar ao sub-17 do Santos. No Alvinegro Praiano, se destacou no Paulista Sub-20, com sete gols e sete assistências e despertou a atenção do clube holandês. O jogador comparou as categorias de base do Brasil com a do Ajax.

''A base brasileira tem muitos talentos, mas acho que queimam etapas. Você tem que primeiro preparar, para depois lançar. Aqui eles apostam muito na juventude, então fazem um trabalho muito bom e sério. Eles chamam os atletas após o treino e mostram o que e como melhorar. Isso tem uma grande diferença e você nunca pode queimar etapa, sempre sobe degrau por degrau. Ele pensam na sua parte física, modo de jogo e como te fazer evoluir para que consiga chegar ao topo".

Processo comum a todos os jovens da academia, o Ajax preocupa-se em manter seus jogadores na escola e Danilo não é exceção. Embora garanta estar totalmente focado no objetivo de se tornar jogador do time principal, o atleta reconhece a atenção que o clube dá aos estudos. 

''Eles sempre falam que o estudo é essencial, porque você tem que ter um segundo plano, até por isso, tem a escola dentro do clube''.

Danilo Pereira mantém uma relação próxima com David Neres, amigo com quem está sempre junto e serve de exemplo. Mas o jovem jogador revela que construiu amizade com outra promessa brasileira na Holanda: Mauro Junior, meia do PSV que atualmente está emprestado ao Heracles Almelo. 

''A gente conversava mais antes, agora nem tanto por conta da correria que está aqui, mas temos contato e combinávamos de sair. Ele é uma pessoa muito boa''. 

Em junho, o Brasil foi campeão do Torneio de Toulon, na França. A competição contou com atletas Sub-23. Danilo não esteve no grupo, mas garante que isso não o abalou e espera vestir a amarelinha em breve. 

''É o meu sonho. Eu não recebi nenhum contato da CBF, mas não fiquei chateado. Todos que foram convocados estavam preparados e são de ótima qualidade. Estou treinando e tenho que estar pronto para quando a oportunidade aparecer''.  

Atualmente, o Ajax B disputa a segunda divisão holandesa. A equipe já jogou duas partidas. Na estreia, foi derrotado pelo FC Oss, por 2 a 1, e na última rodada empatou com o NEC, em 3 a 3. Danilo Pereira participou dos dois jogos, ambos vindo do banco, por 46 minutos, sem marcar gols.  

*Matéria publicada em ogol.com.br em 04/09/2019

sábado, 25 de maio de 2019

Com muitos desfalques, Vasco aposta em jovem trio para formar a zaga

Defesa tem sido um problema. Últimos anos na elite
terminaram com saldo de gols negativo./Foto: Reprodução
O Vasco enfrenta o Santos pela 4ª rodada do Campeonato Brasileiro logo mais, às 16h, no Pacaembu. Com muitos desfalques, o técnico Marcos Valadares teve problemas para escalar a equipe vascaína. Sem os três experientes e principais zagueiros do elenco (Leandro Castán, Werley e Breno), a defesa será bem jovem e formada por Luiz Gustavo, (25 anos), Ricardo Graça, (22) e Miranda (19). 

Autor de um dos gols da vitória do Vasco por 2 a 1 contra o Santos, em São Januário, pela Copa do Brasil, o defensor Ricardo Graça se mostra confiante e garante que os jogadores buscarão os três pontos na capital paulista.

- Espero que o Valadares consiga se despedir com um bom jogo, uma vitória. Podem ter certeza que todo mundo vai entrar em campo empenhado para conquistar o resultado positivo e presentear não só ele, mas a torcida. 

E é justamente a defesa que tem sido o grande problema do Vasco nos últimos anos. Atualmente, a equipe tem a terceira pior do Brasileiro, com sete gols sofridos. Apenas Grêmio e Fluminense (este com quatro jogos disputados) sofreram mais: oito. 

Já nas temporadas passadas em que o Vasco esteve na elite, somente em 2012 o saldo de gols terminou positivo: +22 gols. Em 2018 e 2013, o clube terminou o ano com -5 de saldo. Em 2017 e 2015, foi um pouco melhor, -4. 

O Vasco entra em campo com Sidão; Luiz Gustavo, Ricardo Graça e Miranda; Cláudio Winck, Raul, Lucas Mineiro, Pikachu e Danilo Barcelos; Rossi e Maxi Lopez.


* Publicado em 12/05/2019 em lance.com.br

segunda-feira, 13 de maio de 2019

Valadares volta ao Pacaembu para se despedir dos profissionais com vitória

Valadares perdeu a final da Copa SP, no Pacaembu, em
janeiro, para o São Paulo./ Foto: Rafael Ribeiro/Vasco
O Vasco visita o Santos hoje em busca da primeira vitória no Campeonato Brasileiro. O confronto será a última partida de Marcos Valadares no comando dos profissionais antes de Vanderlei Luxemburgo assumir o elenco. E o Pacaembu, palco do confronto, não traz boas lembranças para o treinador e o Gigante da Colina. 

Além de nunca ter vencido o adversário desta tarde no estádio, foi no local que a equipe sub-20 de Valadares perdeu nos pênaltis para o São Paulo, na decisão da Copinha deste ano. Embora não tenha voltado para o Rio de Janeiro com o título, a equipe saiu do campeonato elogiada, principalmente pelo poder de reação na final e pelos talentos revelados. 

Do elenco que disputou a Copa São Paulo, quatro atletas foram aproveitados nos profissionais. O goleiro Alexander substituiu o lesionado Fernando Miguel até a chegada de Sidão. O meia Lucas Santos, hoje machucado, teve algumas oportunidades, inclusive entre os titulares. O atacante Thiago Reis começou brilhando emplacando gols em sequência, mas perdeu espaço com a volta de Maxi Lopez ao comando de ataque. O zagueiro Miranda disputou apenas uma partida, contra o Athletico, na Arena da Baixada e deve ganhar a vaga do lesionado Werley. 

Se o Vasco tem um tabu a ser quebrado no Pacaembu, por outro lado, a última vitória vascaína em São Paulo foi justamente contra o Santos. Em 2017, brigando por uma vaga na Libertadores, o Cruz-Maltino venceu por 2 a 1, na Vila Belmiro, com gols de Evander e Nenê. Ricardo Oliveira descontou. 

O provável time do Vasco para a partida das 16h deve ser Sidão; Luiz Gustavo, Ricardo Graça e Miranda; Cláudio Winck, Raul, Lucas Mineiro, Pikachu e Danilo Barcelos; Rossi e Maxi Lopez.

*Publicado em lance.com.br em 13/05/2019

Vanderlei Luxemburgo espera encerrar carreira no Vasco

Luxemburgo lançou sua marca de cachaça em evento na
capital paulista./ Foto: Divulgação Twitter
Em um evento em São Paulo para lançar sua marca de cachaça, Vanderlei Luxemburgo aproveitou para falar do seu mais novo desafio: ser o técnico do Vasco no Brasileirão. O último trabalho do experiente treinador foi no Sport, clube que o demitiu em outubro de 2017. Em entrevista à "ESPN", Luxa revelou o que o motivou a aceitar o convite.

- O Vasco. É um gigante, mas um gigante adormecido. Eu recebi o convite do Vasco e olhei a representatividade do clube no futebol brasileiro. Acredito que é a maior oportunidade da minha carreira, já perto do fim, de fazer um grande trabalho. É a possibilidade de resgatar a autoestima do torcedor e do clube.

No Rio, Luxemburgo trabalhou nos quatro grandes da capital. Como jogador, defendeu Flamengo, onde também foi treinador, e Botafogo, clube pelo qual se aposentou em 1980. No Fluminense, foi o técnico em duas ocasiões. Já no Vasco, Vanderlei espera que a segunda passagem seja a última da carreira à beira do gramado. 

- Tomara que seja o último clube da minha carreira. Se tudo sair como o planejado, se a torcida e a diretoria abraçarem, se o projeto funcionar, eu posso encerrar minha carreira do jeito que eu imaginei: 'o Luxemburgo passou por maus momentos, mas ele é um grande treinador'. Então é uma possibilidade legal para os dois lados, acredito que o Vasco também aposte em mim. 

Embora ainda não tenha comandado o primeiro treino do elenco vascaíno, Vanderlei Luxemburgo garantiu que o trabalho já começou. O técnico vai encontrar o grupo no hotel em São Paulo, antes da partida contra o Santos, pela quarta rodada do Campeonato Brasileiro. 

- Eu já estou trabalhando. Mandei o Copertino me passar todas as informações do Vasco. Vi o jogo do Santos. Vou jantar com os jogadores, vou para a palestra. Se faltar algo, vou falar, mas quem manda é o menino Valadares. Mas quem me conhece sabe que vou dar pitaco (risos).

Santos e Vasco se enfrentam neste domingo, a partir das 16h (de Brasília), no Pacaembu. O Peixe está invicto, com duas vitórias e um empate. Já o Cruz-Maltino ainda não venceu na competição e é o lanterna, com duas derrotas e um empate.  

*Publicado em lance.com.br em 11/05/2019

sábado, 15 de dezembro de 2012

Entrevista: Maldonado

Volante considera as lesões os momentos
mais difíceis da carreira./Foto: flamengo.com.br
Aos 32 anos, o volante chileno Claudio Maldonado é conhecido pelo seu estilo de jogo aguerrido, como todo bom marcador sulamericano. Revelado pelo Colo Colo, tradicional clube do Chile, ele acumula passagens por São Paulo, Cruzeiro, Santos, Fenerbahçe-TUR e seleções de base e principal. Atualmente no Flamengo, conquistou o Campeonato Brasileiro de 2009 e o Carioca de 2011. Abaixo, você confere na íntegra e com exclusividade a entrevista que o jogador deu ao blog do Caio Fiusa, onde lembra o período difícil que viveu com a camisa rubro negra e comenta a situação do futebol de sua terra natal.

Caio Fiusa: O Campeonato Brasileiro de 2012 foi o que mais teve jogadores estrangeiros na história. Por que você acha que isso está acontecendo?

Claudio Maldonado: O nível do torneio está crescendo a cada ano. Muitos jogadores que estavam lá fora, estão voltando porque eles sabem que o futebol brasileiro está qualificado como um dos melhores do mundo. E todo ano aparecem jogadores estrangeiros, todo ano os clubes abrem as portas para nós que somos de fora. Eu acho que por isso há tantos como argentinos, chilenos, peruanos agora, aqui. É um mercado muito forte, que a cada dia cresce muito.

CF: Você veio para o Brasil em 2000, muito novo ainda. Por que a opção de vir? Foi pela questão financeira, pelo futebol brasileiro ser uma vitrine?

CM: Na verdade, o Colo Colo tinha uma dívida com o São Paulo. Quando eles (São Paulo) foram ver um zagueiro, não quiseram por ser mais velho. O São Paulo queria um jogador mais jovem, que pudesse dar um retorno ao clube. Foi ali que eles me viram e quiseram me contratar. Cheguei com 20 anos e foi a melhor coisa que podia acontecer. Poder mostrar o meu futebol tão competitivo como o brasileiro e abrir portas para outros clubes, para mim foi o ideal.

CF: Como foram os primeiros meses de São Paulo? Você fala muito bem português, demorou muito para aprender?

CM: Não, porque no mês que cheguei, eu ficava muito tempo concentrado com meus companheiros. O São Paulo ainda estava na disputa do Paulista e da Copa do Brasil, então eu passava mais tempo no clube do que em casa. Foi naquele dia a dia que eu aprendi a falar, a me cuidar dentro e fora de campo, foi o momento ideal para eu poder aprender tudo o que eu sei hoje. O São Paulo me ofereceu toda a estrutura, além dos meus companheiros que foram fantásticos comigo. Todo o momento confinado foi de aprendizado.

CF: Teve muitas dificuldades na adaptação?

CM: Não tive muitas. Claro, você não consegue falar direito nos primeiros três, quatro meses. Às vezes é difícil você se expressar, mas não tive em momento algum aquela dificuldade de ficar abatido, triste. Foi muito fácil, tudo correu de um jeito que eu não esperava. Isso me ajudou para poder conhecer mais da cultura brasileira, falar bem, acho que tudo isso foi um muito bom. Eu cheguei muito novo, querendo aprender, querendo sempre o melhor também.

CF: Você começou no Colo Colo, clube de grande torcida no Chile e hoje está no Flamengo, que tem a maior do Brasil. Tem como comparar?

CM: A pressão é igual. São dois times do povo, pressão o tempo todo. As torcidas de Flamengo e Colo Colo não aceitam não serem campeões, não chegar entre os primeiros. Os dois são parecidos, por isso que eu já me sentia em casa quando cheguei. Já estava acostumado.

CF: Falando sobre o Flamengo. Você chegou ao clube em um bom momento, já sendo campeão no primeiro ano. Como foi a sua chegada?

CM: Cheguei com o Álvaro, porque o clube queria dois jogadores mais experientes para poder compôr a defesa. Foi aí que a gente deu uma força para o time e tivemos uma reta final muito boa. Foi um momento muito bom para o clube e para mim, que estava fora e pude voltar ao Brasil e mostrar o meu trabalho.

CF: Apesar da boa fase do clube, você teve uma lesão antes dos últimos jogos, inclusive não podendo jogar contra o Grêmio, o jogo do título. Na época, você já era experiente. Como foi esse momento?

CM: As últimas três partidas eu não pude jogar. Infelizmente me machuquei em um amistoso da seleção e fiquei quase quatro meses fora. Foi muito difíci porque eu tinha voltado bem, estava me sentindo bem desde que eu tinha chegado ao Flamengo e ficar os últimos três jogos de fora, foi muito triste. Não poder estar ali ajudando depois de tudo que tínhamos feito em onze, doze jogos. Não poder estar ali compartilhando aquela felicidade com os meus companheiros, brigando pelo título. Foi muito triste não poder estar em campo, mas por outro lado eu estava ali com eles no dia a dia, incentivando o tempo todo. Nós éramos um grupo e você tem que incentivar o cara que está ali e tentar dar força. Fiquei triste por ficar de fora mas feliz pelo Flamengo ter saído campeão.

CF: O Flamengo tem a maior torcida do Brasil, mas nesse ano teve a décima média de público. Por que uma posição tão abaixo do que é esperado do Flamengo?

CM: Acho que a gente perdeu muito depois que o Maracanã fechou. Nosso torcedor não estava mais com aquela vontade de ir ao jogo, até porque, para algumas pessoas ficava difícil o acesso ao Engenhão. Não é o nosso estádio, é tudo diferente e jogos à noite é mais perigoso. Então, acho que as pessoas ficam com um pouco de receio. A gente que depende muito do torcedor flamenguista, perdeu com isso e esses anos estão sendos difíceis. Não vai muita gente. Talvez o torcedor espera para ir só nos finais de semana, quando o jogo é mais cedo e dá para se programar melhor. O Flamengo perdeu muito com isso. O Maracanã era praticamente a nossa casa, o torcedor ia com felicidade, tinha gosto de ir.

CF: Já chegou a pensar em formar dupla com Cáceres? Acha que daria certo pelo estilo de jogo parecido?

CM: Acho que poderia ser, porque temos um estilo diferente de jogar, mais aguerrido. A gente tem um futebol mais de pegada, até pela posição em que jogamos. Ali no meio tem pegada o tempo todo, choque o tempo todo. Então, acho que estamos mais acostumados que os brasileiros.

CF: A crise interna, muito por causa do período eleitoral do clube, atrapalhou de alguma forma dentro de campo?

CM:  Acho que não. Nós estavámos sempre meio de fora de tudo o que estava acontecendo. Claro que a gente escutava e via o que acontecia no dia a dia, mas eu acho que isso não influenciou muito para nós estarmos mal ou jogarmos mal. Tem aquelas coisas de salário atrasado, o cara não está feliz porque o clube está devendo, tudo isso foi um problema muito grande ao longo desse ano. Mas eu acho que não tem relação com o nosso rendimento dentro de campo. Você tem que separar. Você se sente insatisfeito, não consegue se programar, mas quando veste a camisa esquece de tudo e tenta sempre fazer o melhor.

CF: Esse ano você quase não jogou. Como fica a cabeça de um jogador que convive com lesões, mesmo sendo experiente?

CM: Esse ano foi muito difícil desde o início. Eu nunca tava legal, o meu joelho sempre estava com algum problema. Foi o momento mais difícil. Fiquei quase o ano todo de fora, não conseguia acompanhar os meus companheiros, ficava tratando o tempo todo, duas vezes por dia, treinos aos sábados. Foi o pior momento que já vivi. Depois que passei por duas cirurgias, graças a deus melhorou. Depende muito de você, da sua cabeça, do que você quer. Mas eu sou tranquilo, sabia que ia me recuperar, ia ficar bem, voltar a jogar que era o principal. As pessoas às vezes sentem a sua falta. Elas te vêem sempre ali e é difícil para o torcedor entender porquê você não joga quinze, vinte jogos, fica o ano todo fora. Agora eu estou bem, quero começar 2013 do zero.

Maldonado acha que os jogadores chilenos
mudaram de mentalidade/Foto: Vipcomm
CF: A torcida do Flamengo cobra muito a raça dos jogadores em campo. Acha que foi por isso que eles sentiram a sua falta?

CM: Eles sentiram desde a saída do Williams. Sentiram que faltava alguém com as características parecidas com a dele. Ficamos sem jogador de pegada. Depois chegou o Amaral, que foi muito bem, o Cáceres, mas ele querem que o jogador jogue, que tenha uma qualidade diferente.

CF: A seleção chilena tem evoluído com o tempo. Hoje, já consegue jogar de igual para igual com alguns potências. Qual o motivo da evolução do futebol chileno?

CM: O grupo é muito jovem. Então, a maioria está jogando fora. As seleções passadas eram formadas quase todas por jogadores que estavam fora do país. E eu acho que com isso, a seleção aprendeu muito e fora o trabalho que o Bielsa fez. Ele fez os jogadores acreditarem que eles podiam fazer tudo o que as seleções faziam. Isso foi um aprendizado muito bom, trabalhar com um cara como o Bielsa, deixou um legado muito forte na seleção. Com trabalho e dedicação, os jogadores acreditam que podem fazer. Além disso, a experiência que cada um tinha fora. O (Arturo) Vidal da Juventus-ITA, o Alexis (Sanchéz, do Barcelona), jogadores que agora são de um nível altíssimo, que estão fazendo a diferença. Claro, que podem perder alguns jogos, mas deixaram uma base muito boa que pode se classificar para a segunda Copa consecutiva.

CF: Tem acompanhado os campeonatos chilenos? Como andam os clubes?

CM: Os clubes estão muito bem. O Universidad do Chile se manteve dois anos muito bem. O treinador do clube na época, o Sampaoli, que hoje está na seleção, fez um trabalho parecido com o do Bielsa. Foram campeõs da Sulamericana. O Colo Colo estava em altos e baixos, chegou um treinador argentino de novo e agora que começou a se recuperar, mas mesmo assim não se classificou para as finais do campeonato. O futebol do Chile está crescendo, aparecendo jogadores novos, com cabeça boa que antigamente era difícil. Os jogadores estão mais espertos.

CF: O seu contrato termina agora (dia 31/12/2012). Você vai continuar no Flamengo? Eu sei que o Luxemburgo é um admirador do seu futebol. Ele já chegou a conversar com você sobre a possibilidade de trabalharem juntos novamente?

CM: Não falei com o Vanderlei ainda. Eu queria me dar esse tempo agora porque eu acho que devo isso ao Flamengo por todo o tempo que fiquei machucado. Primeiro eu vou conversar com o Flamengo, o Dorival quer que eu fique para o ano que vem. Mas existe uma reunião ainda que vai acontecer...que deveria acontecer para ver a minha situação. Se não der certo aí eu vejo o que faço e para onde vou. Mas, primeiramente eu vou conversar com o Flamengo, devo isso a eles. Tenho um respeito muito grande pelo clube. Eles ficaram o tempo todo comigo, me incentivando mesmo sabendo que eu não ia jogar mais esse ano, que o meu contrato ia acabar. Se eles falarem que não me querem mais, tudo bem, eu vou estar sempre agradecido ao clube, não tenho o que falar do Flamengo.

Entrevista realizada por telefone quinta feira, dia 13/12/2012
Contato: fiusa.caio@gmail.com