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quarta-feira, 5 de junho de 2019

Hat-trick de CR7 coloca Portugal na final da Liga das Nações

CR7 resolve e Portugal é finalista da Liga das Nações.
Foto: Gualter Fatia/Getty 
Com show de Cristiano Ronaldo, Portugal se classificou para a final da Liga das Nações. O camisa 7 foi o autor dos três gols portugueses em uma partida bastante difícil para os donos da casa contra a Suíça. Ricardo Rodriguez, de pênalti, descontou para o 3 a 1. 

A final será disputada no estádio do Dragão, no Porto, no próximo domingo. Portugal aguarda o vencedor de Inglaterra e Holanda. No sábado, a Suíça joga pelo terceiro lugar em Guimarães, no Estádio Dom Afonso Henriques.

Primeiro tempo equilibrado, mas CR7 decide

Com cinco jogadores no meio de campo, a Suíça começou a partida comandando as ações e marcando forte. Antes dos cinco minutos, já havia assustado duas vezes. Na primeira, após confusão na área, a bola sobrou para Shaqiri, que bateu em cima de Rui Patrício. Logo depois, em cruzamento da direita, Seferovic tocou de cabeça para fora. 

Aos 11, Cristiano Ronaldo apareceu. Akanji tentou sair jogando e entregou no pé de Bernardo Silva. O meia do Manchester City rolou para o craque do time, que não pegou bem e mandou para fora. Seferovic voltou a dar perigo ao gol português aos 17. Em novo cruzamento, o artilheiro tocou de cabeça, mas parou em Rui Patrício. Já aos 24, CR7 sofreu falta na entrada da área. Ele mesmo foi para a cobrança e bateu forte no contra pé de Sommer. Placar aberto no Porto.

O jogo seguiu equilibrado com chances para ambos os lados. A melhor delas surgiu aos 41, com Seferovic novamente. O camisa 9 se livrou da marcação, escorou cruzamento, mas a bola foi na trave. Dois minutos depois, Portugal respondeu. Cristiano Ronaldo deu um passe açucarado para João Félix. A joia do Benfica bateu por cima do gol. No último lance da primeira etapa, Shaqiri recebeu na entrada da área sem marcação. O jogador do Liverpool bateu com força, mas a bola foi para fora.

VAR aparece em lance confuso; CR7 decide novamente

O segundo tempo começou bastante movimentado. Aos cinco, Cristiano Ronaldo bateu de fora da área e a bola passou perto. No lance seguinte, a Suíça reclamou de pênalti em Zuber. O jogo seguiu e Bernardo Silva sofreu pênalti. O VAR foi acionado e árbitro Felix Brych assinalou a penalidade para a Suíça. Ricardo Rodriguez cobrou e Rui Patrício chegou a tocar na bola, mas não evitou o empate: 1 a 1. 

Aos 19, Seferovic, mais uma vez ele, quase virou a partida. Bruno Fernandes respondeu com chute de longe aos 22, mas o melhor estava guardado para o final.O segundo tempo de Cristiano Ronaldo era apagado, sem participar muito do jogo, porém, aos 42 minutos, Bernardo Silva cruzou rasteiro e o craque bateu de primeira para colocar Portugal na frente. 

A Suíça tentou sair para o ataque, mas após passe errado o contra-ataque foi armado. A bola caiu em CR7, que limpou a marcação e bateu no canto de Sommer. Hat-trick do camisa 7 e vaga garantida na final. 

*Publicado em ogol.com.br em 05/06/2019

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Entrevista: Leo Itaperuna

Revelado pelo Fluminense, Léo chegou
ao Sion em 2012./ Foto: www.fc-sion.ch
O ano de 2007 guarda boas lembranças para o torcedor do Fluminense. Tudo porque neste ano, o Tricolor foi campeão da Copa do Brasil e deu uma reviravolta em sua história com sucessivas participações em Libertadores, dois títulos brasileiros e um carioca. Mas 2007 também foi especial para Léo Itaperuna. Formado na base do clube, o atacante, hoje com 24 anos foi lançado no time profissional por Renato Gaúcho e após problemas internos, rodou por equipes menores. Chegou ao Arapongas do Paraná e foi um dos artilheiros do campeonato estadual, despertando interesse do FC Sion, da Suíça, clube que defende desde 2012. Em entrevista exclusiva ao blog do Caio Fiusa, ele lembra da passagem do italiano Gennaro Gattuso pela equipe e comenta a relação dos torcedores suíços com o futebol.

Caio Fiusa: Eu queria que você começasse dizendo porque não conseguiu ficar mais tempo no Fluminense e acumulou empréstimos a outras equipes.

Léo Itaperuna: Comecei muito bem no profissional. Fui lançado pelo Renato Gaúcho, um dos melhores treinadores com quem já trabalhei, e cheguei a marcar um gol na minha primeira partida. Tiveram muitos desentendimentos entre a diretoria e o meu empresário, o que resultou nos meus empréstimos para outros clubes. Fora isso, aprendi bastante durante os muitos anos que fiquei no Fluminense e tenho vários amigos lá. Só tenho a agradecer ao clube.

CF: Depois do Fluminense, você rodou por vários clubes como América-RJ, Paulista, Cabofriense, CRAC-GO, Duque de Caxias-RJ, Anápolis e Arapongas-PR. Como foi parar no FC Sion? E o que tem achado do futebol suíço?

LI: Eu estava disputando o campeonato paranaense pelo Arapongas e fui um dos artilheiros com 10 gols. Um diretor do FC Sion foi a Curitiba ver um jogo, no qual eu fui bem e fiz um gol. Houve um contato entre os clubes e chegamos a um acordo. O futebol aqui não é como no Brasil, com aquela paixão, mas é técnico, tatico e de velocidade.

CF: A Suíça é um país que tem muitos imigrantes. Como lidou com tantas culturas diferentes?

LI: Aqui as culturas são bem diferentes, mas graças a Deus me adaptei rápido. No time titular do FC Sion só tem um suíço, mas isso é bom porque eu vou aprendendo um pouco de cada cultura de diferentes continentes. Tenho um ótimo relacionamento com todos. A grande vantagem é o convívio fora de campo. Toda semana tem almoço ou jantar com todos os jogadores e comissão técnica, o que faz aumentar a amizade.

Para Léo, prioridade dos clubes é a
Copa da Suíça./ Foto: Arquivo Pessoal
CF: E o que mais te chamou atenção na cultura suíça?

LI: O que mais me chamou atenção foi a forma como eles tratam os brasileiros. Quando gostam, convidam para suas casas e fazem de tudo para agradar.

CF: O que falta para o campeonato suíço atrair o público brasileiro?

LI: Eu penso que o campeonato suíço é muito desvalorizado. Não sei o porquê. Outros campeonatos que não são tão empolgantes, têm mais visibilidade. Mas aqui na Europa ele é reconhecido pelos outros países. Quem se destaca aqui, acaba jogando em grandes equipes de outros países. Sinceramente não sei o que falta para atrair a atenção dos canais esportivos brasileiros.

CF: O FC Sion tem apenas dois títulos nacionais e o último foi em 1996/1997. Há muita cobrança para quebrar esse jejum?

LI: Não tem muita cobrança por parte da torcida, mas sim pela dos dirigentes. O FC Sion tem um ótimo time e tem tradição. Em breve vamos conquistar um título e dar fim a esse jejum.

CF: Em compensação, o clube disputou doze finais da Copa da Suíça e venceu todas. A competição é encarada de forma diferente?

LI: Aqui eles dão muita importância à Copa da Suíça porque é o caminho mais curto para disputar a Europa League. Ano passado saímos na semifinal para o Basel, que é o time de maior investimento, mas esse ano brigaremos pelo título.

CF: Você chegou a trabalhar com o Gattuso, que foi jogador e técnico do FC Sion. Como foi a experiência?

Parceria com Gattuso rendeu muitos ensinamentos a Léo
dentro e fora de campo./ Foto: Arquivo Pessoal
LI: Gattuso é uma ótima pessoa e ótimo profissional. Tive o prazer de trabalhar com esse cara vencedor que sempre queria ganhar. Ele como treinador não era diferente, tinha a mesma luta e dedicação. Foi um super treinador e tenho certeza que será em breve um dos melhores do mundo. Aprendi muita coisa com ele e ouvi conselhos que vou levar para a vida toda.

CF: E o que você aprendeu?

LI: Taticamente aprendi muita coisa como uma simples movimentação, um toque na bola pode fazer toda diferença no jogo. Ele me dizia que o futebol é simples e a gente que inventa. Fora de campo aprendi a ser mais profissional nas horas livres, a me alimentar melhor, me cuidar melhor. São coisas que eu não fazia antes, mas graças a Deus a passagem dele me fez crescer profissionalmente.

CF: Atualmente, o Brasil tem no Neymar a principal esperança para a Copa do Mundo. Ele é o jogador que representa a seleção. Na seleção suíça também há esse jogador ou eles são fãs de nomes mais conhecidos como Lionel Messi e Cristiano Ronaldo, por exemplo?

LI: Shaqiri. Esse é o grande nome da Suíça para a Copa do Mundo. O jogador do Bayern é técnico, rápido e finaliza bem. Ele fez uma boa partida contra o Brasil. Além dele, tem outros bons jogadores, mas o Shaqiri é a estrela. Messi, Cristiano Ronaldo e Neymar são comentados e admirados aqui, mas a torcida se identifica mais com os jogadores da seleção suíça.

CF: Falando ainda sobre o Brasil, mas mais especificamente sobre o Fluminense, clube onde você foi revelado, costuma assistir aos jogos?

LI: Sempre assisto aos jogos do Fluminense e das outras equipes. Quando não consigo ver por causa do fuso horário, gravo e assisto depois. Estou sempre bem informado sobre o futebol brasileiro.

CF: Apesar do pouco tempo aí, já pensa em voltar? Recebeu alguma sondagem?


LI: Por enquanto não penso em voltar. Penso em seguir na Europa por mais um tempo, depois em retornar ao futebol brasileiro. Ando recebendo algumas sondagens e se a proposta for boa, retorno sem problemas.

CF: E para a gente terminar, queria que você dissesse qual foi o momento mais marcante desde que está na Suíça.

LI: Foi o meu gol de bicicleta que ganhou o mais bonito da Europa. (veja o vídeo acima)


Entrevista realizada em 12/09/2013, pela internet.
Críticas, dúvidas e sugestões: fiusa.caio@gmail.com

terça-feira, 10 de setembro de 2013

Entrevista: Pedro Henrique Konzen

Konzen chegou ao FC Zurich após se
destacar no Caxias/ Foto: Arquivo Pessoal
Camisa 10. Talvez a preferida dos boleiros. Em qualquer lugar que se vê, chama atenção. Ainda mais se quem estiver vestindo for um brasileiro. Espera-se um toque genial que deixa o companheiro em condições de marcar, uma jogada criativa e a liderança dentro de campo. E é na Suíça, futebol que vem surpreendendo recentemente com vitórias sobre Espanha e Brasil, mais especificamente no FC Zurich, que um deles se encontra: Pedro Henrique Konzen. O jogador passou pela base do Grêmio, subiu aos profissionais do Caxias em 2010 e chegou ao FC Zurich no início de 2012. Com um ano e meio de clube, já marcou gol no principal clássico do país, contra o Basel e é titular na armação das jogadas. Abaixo você confere a entrevista exclusiva que o jogador deu ao blog do Caio Fiusa onde, entre outras coisas, ele revela as dificuldades na Suíça, qualifica o futebol local como emergente e opina sobre o estilo de jogo defensivo praticado pela seleção do país, que não agrada a muitos brasileiros.

Caio Fiusa: Como surgiu o interesse do Zurich FC?

Pedro Henrique Konzen: Um ex-jogador brasileiro que atuou no Zurich me indicou para o treinador.
Fíz um bom Gauchão em 2011 pelo Caxias e eles ficaram me acompanhando ao longo do ano. Em janeiro de 2012 concretizaram a minha contratação.

CF: E o que você sabia sobre a Suíça e o campeonato local?

PHK: Sabia pouco a respeito. Cheguei sem conhecer ninguém. Conhecia o Basel e o Zurich porque vi algumas vezes em competições europeias. Sobre o país, conhecia os Alpes, os chocolates, os bancos e a qualidade de vida. O idioma alemão, só tive conhecimento quando cheguei.

CF: Como foi sua adaptação? Qual foi a maior dificuldade?

PHK: A adaptação em campo não foi muito difícil, pois cheguei e logo fui atuando nas partidas por 90 minutos. Como cheguei em janeiro, no inverno, o frio foi uma dificuldade. Logo depois minha mulher veio e aos poucos a gente foi se virando com a língua. A culinária aqui também não teve grandes problemas, tem muita influencia do cardápio italiano que também existe em muitos lugares no Brasil. A cultura alemã é forte aqui e tem muitos imigrantes de países da antiga Iugolásvia. É um país rico, muito caro de se viver, mas com muita qualidade também. 

CF: Como é a relação dos suíços com os estrangeiros?
         Capa de jornal, o meia considera o futebol suíço
          parecido com o alemão/ Foto: Arquivo Pessoal

PHK: Eles tratam os estrangeiros muito bem. São sérios, mas conversando são pessoas simpáticas e gostam muito de futebol.

CF: Na Europa, a gente tem acompanhado alguns casos de racismo. Isso acontece na  Suíça?

PHK: Não, todos tem uma relação muito respeitosa. 

CF: Como é o estilo de jogo aí? 

PHK: O futebol é muito parecido com o alemão também. É rápido e de muito força. Com a técnica dos estrangeiros a liga vem crescendo a cada ano. No Brasil se joga um futebol mais habilidoso, é menos exigente taticamente em relação a Europa como um todo.

CF: O nível técnico ainda fica muito atrás dos principais centros, mas você acredita que já possa a ser comparado com os campeonatos de Portugal, Holanda, Ucrânia, por exemplo?

PHK: Ainda fica atrás de Inglaterra, Espanha, Itália e Alemanha, mas acredito que se nivela com os campeonatos de outros países, até mesmo com equipes que têm um poderio financeiro maior. Penso que com a evolução do futebol aqui, pode-se sonhar mais alto ali na frente.

CF: A seleção suíça venceu o Brasil recentemente por 1x0, venceu também a Espanha na Copa de 2010, pelo mesmo placar. A equipe sub-17 foi campeã mundial. Apesar disso, há ainda quem critique o estilo de jogo suíço, chamado até mesmo de ''ferrolho''. O que você acha do futebol praticado pela seleção e acredita que possa ser um adversário difícil em 2014?

PHK: Eu vejo isso como uma qualidade deles e que com um pouco de agressividade ofensiva podem ser sim uma equipe que incomode. 

CF: E falando sobre seleção, já pensou sobre se naturalizar e jogar pela Suíça?

PHK: Não, nunca pensei. O dia de amanhã a gente não sabe. Sonho com a seleção brasileira, mas se um dia surgir a possibilidade de naturalizar, sinceramente não sei o que vou fazer.

CF: Como é a relação com o torcedor?

PHK: Os torcedores são muito apaixonados. Por ser um país pequeno, viajam bastante com a equipe. A rivalidade maior é entre Basel e Zurich, mas rola uma clima bacana na partida. Tive o prazer de fazer boas partidas e até marcar um gol. Após um ano e meio aqui, muitas vezes me param na rua, em restaurantes...

CF: Como avalia os estádios e as estruturas?

PHK: Os estádios são muito modernos, já que teve a Eurocopa em 2008. Times da terceira e quarta divisão possuem centros de treinamentos com uma boa estrutura no geral.

CF: O campeonato tem apenas 10 times. A preparação e a competitividade é diferente?

PHK: É normal, como todo campeonato europeu. Geralmente, os jogos são só nos fins de semana. No caso, jogamos duas vezes contra os adversários por turno, somando quatro vezes no geral.

CF: Na maioria dos campeonatos europeus a disputa pelo título é monopolizada por dois ou três times. Na Suíça, é equilibrado?

PHK: Sim. O Basel vem com mais força nos últimos anos, mas no geral é equilibrado.

CF: Qual ou quais são os objetivos da equipe nesta temporada?

Konzen destaca honestidade dos
clubes suíços./Foto: Arquivo Pessoal
PHK: Estávamos concentrados na fase prelimiar da Europa League. Como não conseguimos a classificação (o Zurich foi eliminado pelo Slovan Liberec da República Tcheca, na terceira fase) estamos focados atrás do título, depois da vitória contra o Basel e o empate contra o St. Gallen.

CF: Quando não está jogando, o que costuma fazer no tempo livre?

PHK: Saio para conhecer as cidades, os Alpes, as fábricas de chocolates e os restaurantes italianos. Gosto também de ficar em casa assistindo canais de TV do Brasil e de ficar na internet matando a saudade dos amigos.

CF: Se tivesse que aconselhar algum jogador a ir para a Suíça, o que diria?

PHK: Os clubes são honestos! Tudo o que você assinar vai receber no fim do mês. É um país organizado, fácil de viver. Só aconselho a virem casados porque no inverno é bem frio (risos).

Entrevista realizada em 02/09/2013 pela internet
Críticas, dúvidas e sugestões: fiusa.caio@gmail.com