sexta-feira, 19 de junho de 2020

Reconstrução do Manchester United passa pela contratação de cinco promessas europeias

Jovem francês de 16 anos é o novo reforço
dos Diabos Vermelhos. (Foto: Divulgação)
O último domingo foi especial para o Manchester United não só pela goleada de 4 a 0 sobre o Chelsea, na estreia do campeonato inglês, mas também por conseguir vencer forte concorrência pela contratação da joia francesa, Hannibal Mejbri.

O meia-atacante, de apenas 16 anos, havia despertado interesse de Barcelona, Bayern de Munique, Tottenham e Leicester, mas deixou o Monaco para jogar nos Diabos Vermelhos. A transferência vai custar 10 milhões de euros ao gigante inglês, que aguarda a aprovação da FIFA para incorporar o garoto à equipe sub-18.

Mejbri não é a única promessa europeia que vai chegar em Old Trafford nesta janela. O United acertou com mais quatro jovens talentos, todos com 16 anos e vindos de fora da Inglaterra, para as suas categorias de base. 

O mais interessante para os Diabos Vermelhos é que os atletas da lista abaixo não possuíam um contrato profissional e, por conta disso, coube ao gigante inglês pagar a ''training fee'', uma indenização ao clube formador. As taxas são irrisórias para o Manchester United, dado o seu poderio financeiro. Sendo assim, os investimentos são muito atrativos, uma vez que os riscos são baixos. 

Os novos talentos de Old Trafford

Bjorn Hardley, lateral esquerdo que pode atuar tanto como zagueiro quanto ponta esquerda, chega do NAC Breda, da Holanda. O holandês também espera o aval da FIFA para ser oficialmente jogador do sub-18 do United, que vai pagar uma taxa de 90 mil euros pela transferência. 

Também da Holanda chega outro talento: Dillon Hoogewerf. Criado na academia do Ajax, o baixinho ponta direita de 1,65m foi a primeira contratação do Manchester United, por 130 mil euros, nesta janela de verão europeu. Apesar da pouca idade, Hoogewerf já defendeu a seleção da Holanda sub-19. Em Old Trafford, ele é mais um que jogará na equipe sub-18. 

O United também identificou potencial em Mateo Mejia, atacante que pertencia ao Zaragoza e marcou 50 gols na temporada passada na base. Os dois clubes chegaram a ter um atrito antes de selarem o acordo, uma vez que o clube inglês não notificou o espanhol sobre a negociação. Devido a concorrência de Real Madrid, Valencia, Arsenal e Atlético de Madrid, o United aceitou os termos do Zaragoza e a transferência foi fechada em 670 mil euros. 

O último da lista é o goleiro sueco Johan Guadagno. Com 1.83m o jogador chega do desconhecido IF Brommapojkarna, do país nórdico, por valor não divulgado. O novo reforço teve um período de testes no United em janeiro e revelou que também recebeu ofertas de Anderlecht e Internazionale de Milão.

Histórico vitorioso com atletas da base

Todos os reforços para a categoria sub-18 do Manchester United fazem parte do projeto de reconstrução do clube, liderado por Ole Gunnar Solskjaer, técnico do profissional. O sexto lugar na última Premier League ligou o alerta no staff da equipe, que resolveu apostar mais nas categorias de base. 

Foi a partir dos talentos formados pela base que o Manchester United construiu seu reinado na Inglaterra. Sob o comando de Sir Alex Ferguson um grupo de seis jovens jogadores vindos da academia, no início dos anos 1990, eternizou a ''Class of 1992''. 

David Beckham, Ryan Giggs, Paul Scholes, Nicky Butt, Phil Neville e Gary Neville compuseram uma era de ouro para os Diabos Vermelhos, com inúmeros títulos nacionais e uma Liga dos Campeões.

As joias do profissional do United

Atualmente, o elenco principal conta com nove atletas oriundos da base, com diferentes papeis na equipe. Marcus Rashford e Jesse Lingard são titulares de Solskjaer. Scott McTominay e Andreas Pereira alternam entre o banco de reservas e a titularidade. Timothy Fosu-Mensah e Axel Tuanzebe retornam de empréstimo e buscam sequência. Mason Greewood, Tahith Chong e Angel Gomes ainda dão seus primeiros chutes no elenco principal.

Recuperado de pneumonia, Ricardo Lopes busca o tri na Coreia do Sul

Atacante do Jeonbuk Motors não pensa em morar
no Brasil no futuro. (Foto: Divulgação)
Bicampeão nacional e atual líder do campeonato coreano, campeão da Liga dos Campeões da Ásia em 2016, quatro anos de clube com mais de 130 jogos, titular absoluto e ídolo da torcida. Esse é um breve resumo da carreira de Ricardo Lopes defendendo as cores do Jeonbuk Motors, da Coreia do Sul. O atleta que saiu desconhecido do Brasil fez seu nome no país asiático e bateu um papo com oGol

Após se destacar no Globo, do Rio Grande do Norte, Ricardo Lopes foi emprestado ao Fortaleza. Da capital cearense, o atacante aceitou o desafio de defender o Jeju United, da Coreia do Sul. Na Ásia, a adaptação foi rápida e o desempenho dentro de campo, promissor.  

"Minha vinda para a Coreia do Sul foi tranquila. Eu não tive dificuldades em relação aos horários, alimentação e até mesmo com o futebol, que aqui é mais correria e de força física. Quem quer vencer na vida tem que passar por cima disso tudo. Sempre coloquei isso na minha cabeça."

Os 11 gols e 11 assistências nos 33 jogos com a camisa do Jeju United renderam ao jogador uma transferência para o Jeonbuk Motors, uma das potências do país, clube que defende há quatro anos. Nesse período, o elenco do atual bicampeão coreano contou com sete brasileiros. Entretanto, Ricardo Lopes esteve mais próximo dos coreanos, apesar da dificuldade de falar o idioma local.

"Eu convivo mais com os coreanos, as resenhas são com eles. Eu os entendo bastante, mas falar é complicado. Os professores são coreanos, talvez se tivesse um professor brasileiro me ensinando o idioma local, fosse mais fácil. Mas a gente se entende com um pouco de coreano e um pouco de inglês. Meus melhores amigos são coreanos."

Por falar em resenha, o atacante lembra de uma história divertida com um companheiro de clube. 

"Estávamos em um dia de folga e saímos para beber. Um amigo acabou bebendo demais e dormiu. Nós desenhamos no rosto dele inteiro. (risos) No dia seguinte, tinha o café da manhã no hotel e descemos. Ele levantou, não olhou no espelho e foi direto. Pensa em um cara bravo. (risos) Estava todo mundo no café, até o presidente. E ele não sabe até hoje quem foi."

Um desejo e momento difícil na Coreia do Sul

Com tanto tempo de Coreia do Sul, uma relação de carinho mútuo e longe dos holofotes da seleção brasileira, é natural imaginar o atacante defendendo as cores do país asiático. Desejo para que isso aconteça não falta.

"Já tiveram esses comentários na imprensa. Eu penso em me naturalizar, sim. É um país que eu gosto e acredito que pra mim e minha família, seria muito bom. Vamos ver o que acontece."

Amante confesso do país asiático, Ricardo Lopes destaca inúmeros pontos que o fazem querer seguir na Coreia do Sul. A segurança, um dos maiores problemas atuais do Brasil, é o principal motivo pela preferência do jogador. 

"O que eu mais gosto aqui é a tranquilidade. Não tem violência. Uma criança pode brincar na rua e ir para a escola sozinha. A gente não pensa em sair daqui. Quem não quer uma paz dessa? Uma vez, esqueci meu cartão de crédito em um restaurante e não lembrava. Voltei no local umas duas semanas depois e uma funcionária me entregou. Se fosse no Brasil...E eles são muito carinhosos com o estrangeiro." 

Na última temporada, Ricardo Lopes viveu uma fase artilheira, anotando 17 gols em 39 jogos. Porém, em 2019 o número de bolas na rede diminuiu. O jogador revelou o motivo do período de seca e que tem recebido apoio dos companheiros. 

"Eu tive alguns problemas fora de campo. Minha filha teve pneumonia e depois que sarou, eu tive também e perdi cinco quilos. Esse ano está sendo muito difícil. O treinador me chamou para conversar e mostrou que entende o momento que estou passando. Os jogadores também estão me apoiando." 

Temporada de mudança no Jeonbuk Motors

Atual bicampeão coreano, o Jeonbuk Motors segue forte na briga por mais um título nacional. A equipe de Ricardo Lopes lidera a K-League com 45 pontos, um a mais que o Ulsan Hyundai, que tem um jogo a menos. O atacante frisa que a competição deste ano está mais equilibrada e conta como é a relação com os torcedores. 

"Esse ano está diferente, mais complicado. Nós temos uns cinco jogadores de seleção, mas os outros times investiram mais. Estamos em primeiro, mas a diferença para os outros não é grande. Independente dos resultados nos jogos, as pessoas te tratam com carinho, pedem para tirar foto, dão presente, até os torcedores de times rivais. Acho que as mulheres aqui gostam mais de futebol do que os homens."

O ano de 2019 do Jeonbuk Motors é de mudança. Isso acontece por conta da saída do treinador sul-coreano Choi-Kang Hee, que deixou o comando da equipe após 12 temporadas. Para o lugar do vitorioso comandante, chegou o português José Morais. A troca facilitou o diálogo para Ricardo Lopes, que crê na melhora da equipe com o novo técnico. 

"É uma experiencia nova, primeiro ano dele conosco e alguns jogadores ainda estão se adaptando. Ele é gente boa e tenta ajudar os jogadores, passa vídeos, nossos e dos adversários, a semana toda. O treinamento não é tão intenso, é mais trabalho tático." 

Na última rodada do campeonato coreano, o líder Jeonbuk Motors empatou em 1 a 1 com o vice-líder Ulsan Hyundai. A equipe visita o FC Seoul no próximo sábado, pela 22ª rodada da competição. 

*Matéria publicada em ogol.com.br em 16/07/2019

Reforço mais caro do Aston Villa, Wesley superou dispensas na Espanha e França

Wesley Moraes chegou ao Aston Villa depois de boa
temporada no Brugge. (Foto: Divulgação Aston Villa)
Contratação mais cara da história do Aston Villa (25 milhões de euros), o atacante Wesley Moraes ainda é desconhecido de grande parte do público, seja brasileiro ou internacional. Natural de Juiz de Fora, Minas Gerais, o jogador rumou ainda adolescente para Europa em busca do sonho de ser jogador profissional.

No Velho Continente, fez testes no Atlético de Madrid, da Espanha, e Évian, da França, mas não assinou contrato. Porém, a grande oportunidade apareceu no Trencín, da Eslováquia.

 ''Tem que ter persistência e acreditar no sonho. A Eslováquia não é um país de expressão, mas tive a felicidade de jogar bem e aparecer para o futebol. Hoje, estou no melhor campeonato do mundo.''  

O melhor campeonato do mundo a que Wesley se refere é a Premier League, o campeonato inglês, próximo desafio do atacante, que assinou com o Aston Villa por cinco anos. Primeiro brasileiro da história a defender o clube, o jogador garante tranquilidade. Em sua chegada à Birmingham, o centro-avante revelou que já teve contato com o técnico Dean Smith. Segundo ele, o treinador demonstrou confiança em seu potencial.

''Sei da minha importância para o clube, mas é trabalhar duro que as coisas vão acontecer. O treinador me passou tranquilidade. Ele disse que essa troca de país e campeonato não é fácil, mas que eu vou ter as oportunidades e devo trabalhar firme. Aqui, na Inglaterra, treina-se mais, o trabalho é mais intensivo, com mais velocidade e mais força.''  

Temporadas goleadoras na Bélgica

Antes de desembarcar na Inglaterra, Wesley viveu boas temporadas na Bélgica. Com as cores do Brugge, o jogador se destacou marcando muitos gols, a maioria deles com apenas um toque na bola. Segundo ele, o faro de gol apurado alinhado à rápida definição das jogadas, não era por acaso. 

''Isso é treinamento. Sempre coloco na cabeça que tocando pouco na bola, tenho mais chances de fazer o gol e aí complica para o zagueiro. Eu procuro me posicionar bem dentro da área e ocupar os espaços para confundir os adversários.''

Ao longo dos três anos e meio que esteve na Bélgica, o jogador conviveu de perto com alguns brasileiros, mas destaca a amizade com um holandês. 

''Quando eu cheguei no Brugge, tinha o Claudemir, Felipe Gedoz e Leandro Pereira. Como o Claudemir e o Leandro eram casados, fiquei mais próximo do Gedoz, com quem eu saía mais. Só que aí, eles foram embora e acabei me aproximando do Luan Peres. Mas eu sou muito amigo do Stefano Denswil. Nós saíamos com frequência para o centro da cidade, íamos comer e andar pelos shoppings.''

A carência do futebol brasileiro com um camisa 9

O novo reforço dos Villans joga em uma posição carente no futebol brasileiro. Nos últimos anos, o país que sempre foi referência em grandes artilheiros, viu os jogadores que atuam no comando do ataque com certo descrédito, casos de Fred e Gabriel Jesus, bastante criticados por atuações em Mundiais. Para Wesley, os jovens atacantes precisam de mais oportunidades, coisa que para ele faltou na época de Atlético Mineiro, ainda nas categorias de base. 

''Temos bastante jogadores jovens começando e vão render mais para frente, mas precisam de oportunidades. No Brasil, muitos saem cedo em busca disso na Europa, como eu. Eu não tenho mágoa, mas fiquei decepcionado com o Rogério Micale. Eu poderia ter tido mais oportunidades, mas Deus me abençoou e pude jogar e fazer gol em Champions League. Não sei se eu tivesse tido uma oportunidade no Atlético Mineiro, eu estaria aqui hoje também. Mas se os jovens tiverem essa oportunidade, teremos muitos matadores como Ronaldo, Romário e Adriano.'' 

Apesar do pouco tempo de carreira, Wesley já soma uma boa quantidade de títulos. Pelo Trencín, foi campeão da Taça da Eslováquia. No Brugge, foi bicampeão do Campeonato Belga e da Supertaça da Bélgica. 

*Matéria publicada em ogol.com.br em 09/07/2019

Tradicional x moderno: Botafogo é único na Série A sem numeração fixa

Diego Souza assumiu a responsabilidade de vestir a
camisa 7. (Foto: Vítor Silva/Botafogo)
O torcedor botafoguense tem orgulho de chamar o time de Mais Tradicional. E esse tradicionalismo é visto nos uniformes. Isso porque o Glorioso é o único clube na Série A que não adotou a numeração fixa para 2019, sendo essa a quinta temporada seguida do alvinegro sem a prática que se tornou comum no futebol moderno.

O Botafogo voltou a jogar com a escalação tradicional, de 1 a 11, no primeiro ano da gestão Carlos Eduardo Pereira, em 2015. Desde então, a numeração fixa só é utilizada em torneios internacionais como Libertadores e Sulamericana, onde os atletas são inscritos com determinados números até o final da competição. Independentemente disso, o clube buscou jogadores renomados para vestirem a mítica camisa 7, casos de Walter Montillo, em 2017, e agora, Diego Souza.

E foi o novo reforço do Botafogo que contribuiu para a melhora nas vendas de produtos. No dia da apresentação de Diego Souza, a loja oficial vendeu o equivalente a R$ 20 mil em camisas. O Diretor de Marketing do clube, João Vieira, reconheceu a importância de associar determinado número a um jogador, mas revelou que a decisão da volta à numeração fixa precisa ainda ser discutida internamente.

- O Botafogo, tradicionalmente, reforçou sua marca com jogadores usando determinado número. Você fala na camisa 7, lembra do Garrincha, Maurício e Túlio. Fala da 13, lembra do Loco Abreu e Zagallo. A 6, do Nilton Santos. Do ponto de vista do marketing, é bom ter essa associação. Por outro lado, não ter, facilita na hora do uso do material. Nós vamos conversar com o departamento de futebol. É uma decisão mais deles, que passa pelo Gustavo Noronha (Vice-Presidente de Futebol), Anderson Barros (Gerente de Futebol), Eduardo Barroca e jogadores. Posteriormente, vem o comercial e o marketing. Precisamos realizar um estudo, uma análise sobre o impacto que isso pode gerar em vendas.

Sobre o acordo com a Kappa, oficializado na última quarta feira, o dirigente lembrou da passagem da marca italiana por General Severiano e prometeu que os torcedores alvinegros gostarão dos novos uniformes. O lançamento está previsto para ocorrer depois da Copa América.

- Certamente faremos uma festa. A expectativa é lançar diversas linhas, com diferentes preços. Uma linha social, uma oficial e outra mais popular. Esses uniformes vão ser muito alinhados com o que a torcida gosta e atrairão o público. A Kappa já tem experiência em design e estilo. No período em que estiveram conosco, entre 2004 e 2009, tivemos boas vendas. Muitos torcedores tem falado nas redes sociais sobre a expectativa.

Além dos uniformes para a equipe masculina principal, a Kappa vai produzir o material para as categorias de base e também para o time de futebol feminino. Nos esportes olímpicos, como vôlei e basquete masculinos, o planejamento do Botafogo é ter uma marca própria nos equipamentos.

*Matéria publicada em lance.com.br em 14/06/2019


segunda-feira, 19 de agosto de 2019

Campeão e destaque do Al Sharjah, Igor Coronado relembra trajetória de andarilho do futebol

Igor Coronado acumula prêmios e títulos nos Emirados
Árabes Unidos./Foto: Arquivo Pessoal
Ao longo das últimas décadas, o Brasil tem se consolidado como o maior exportador de jogadores de futebol. Mais recentemente, tornou-se comum ver atletas brasileiros defendendo clubes, em maioria, europeus, sem antes terem disputado uma partida pelo profissional em território nacional. O olhar dos times do Velho Continente tem sido direcionado cada vez mais para os jovens talentos, ainda em formação. 

Assim como muitos jovens brasileiros, Igor Coronado, natural de Londrina, no Paraná, sempre gostou de jogar futebol. Porém, a história do jogador no futebol europeu começou por outro motivo. 

- Eu fui para a Inglaterra aos 14 anos porque meus pais buscavam trabalho lá, um futuro melhor para nós. Como eu sempre joguei futebol, na escola e nos clubes amadores, surgiu a oportunidade no MK Dons e fiquei lá até os 19. No último ano, eu já ia com os profissionais para os jogos, mas mudou o treinador, que preferia jogadores mais altos, com mais força física e aí, acabei saindo. Mas a minha adaptação lá foi muito boa.

Para Igor Coronado, o período de cinco anos no Reino Unido foi importante para formá-lo como atleta e também como pessoa. Ele lembra de particularidades da cultura na categoria de base inglesa, diferentes em relação à brasileira. 

- A diferença que vejo é que eles trabalham muito sério. Eu era o camisa 10 do juvenil e tinha que limpar as chuteiras do camisa 10 do profissional. Os nossos treinamentos eram no mesmo horário, para que quando terminassem, a gente guardasse todo o material. Nós preparávamos os treinos deles e já tivemos que limpar o estádio. Na época, eu não entendia o porquê disso, mas hoje dou muito valor. Isso me fez crescer como pessoa. 

Depois do período em solo britânico, Igor rumou para a Suíça e foi fazer teste em um clube da segunda divisão, o Winterthur. Lá, fez alguns amistosos, mas não foi aproveitado pelo treinador, que o indicou ao Grasshopper, maior campeão nacional, onde assinou por seis meses com o time sub-21.

Como o clube estava em uma situação difícil na Liga, disputando para não ser rebaixado e ao terminar a temporada, com a permanência garantida, a direção promoveu uma reformulação em seu staff. Com isso, Igor Coronado não teve oportunidades no profissional e acabou migrando para Malta.

O jogador teve uma passagem de três temporadas pelo Floriana. Embora o arquipélago europeu, de poucos mais de 400 mil habitantes, apareça no top-10 das ligas internacionais com maior número de jogadores brasileiros, segundo estudos anuais do CIES Football Observatory, para Igor Coronado o futebol local precisa evoluir fora das quatro linhas, principalmente em relação a um problema bem conhecido no Brasil.  

- É um país difícil de crescer profissionalmente. Como eu estava sem clube, acabei aceitando. Para o jogador que vai para lá, é bom para aparecer e tentar a transferência para outro clube. Eles recebem muito bem e gostam dos brasileiros. O futebol tem crescido, mas precisa melhorar fora de campo, como por exemplo, parar de atrasar salários.

Boas temporadas por rivais italianos 

Igor Coronado teve boas temporadas na Itália, especialmente
no Palermo./Foto: Arquivo Pessoal
De Malta, onde foi eleito o melhor jogador estrangeiro em 2013, conseguiu uma transferência para a maior ilha do Mar Mediterrâneo, a Sicília, e foi defender o Trapani, clube da segunda divisão italiana. Foi no novo clube que Igor passou por uma história curiosa, a qual lembra até hoje, junto com o treinador Serse Cosmi, muito conhecido no país pela forma de gesticular e gritar à beira do gramado. 

- É um treinador com um coração enorme, mas se transforma no dia do jogo. Uma vez, estávamos vencendo por 3 a 1, eu fui tentar dar um chapéu e perdi a bola. O adversário fez o gol e o Serse entrou uns 15 metros no campo me xingando, falando que ia me matar e foi expulso (risos). Aí eu pensei ''complicou para mim''. Pouco tempo depois, consegui dar um assistência e fizemos o 4 a 2. Ele (Serse Cosmi) viu de longe e ficou muito feliz. No final do jogo, veio me abraça e pedir desculpas, mas naquele dia fiquei com medo (risos).

Igor disputou duas temporadas pelo Trapani como meia ofensivo em um esquema 3-5-2 e acumulou 19 gols em 77 jogos. O bom rendimento foi recompensado com uma oferta do rival local, o Palermo, que também estava na Série B e a 115km de distância. Porém, a saída não foi muito bem aceita pelos tifosi do Granata.

- Lógico que os torcedores não ficaram felizes, existe uma rivalidade, mas tiveram que aceitar porque a proposta foi muito boa para o clube.

Mais uma boa temporada e mais um convite para mudança de ares. Dessa vez, o desafio era maior, da Europa para o Oriente Médio, região famosa pelos altos investimentos no futebol. Igor Coronado desembarcou nos Emirados Árabes Unidos como novo reforço do Al Sharjah para a temporada 2018/19. No novo clube, passou a atuar como segundo atacante, mais próximo do gol e com mais liberdade.

Nova posição e muitos gols na conta

O jogador se adaptou bem à nova função e em 32 jogos, anotou 19 gols, ajudando a equipe a ser campeã da liga nacional e sendo eleito o melhor estrangeiro da competição. Os árabes ficaram conhecidos por agraciarem seus jogadores de destaque com prêmios luxuosos como carros, relógios, cheques, mas Igor Coronado acredita que isso tem mudado. 

- Essa história dessas premiações, a gente sempre ouve falar e eu estou esperando isso ainda (risos). Acredito que essa época passou. Estamos aguardando é a premiação pelo título, mas eu não vou ganhar nada a mais que os outros jogadores.

Atualmente de férias, o jogador aguarda o reínicio da temporada nos Emirados Árabes Unidos. O primeiro compromisso do Al Sharjah, atual campeão da liga, é contra o Al Ahli, campeão da Copa do Presidente, no dia 13 de setembro, pela Supercopa dos Emirados Árabes. Mais uma oportunidade para Igor Coronado acumular títulos e premiações. 

*Publicado em ogol.com.br em 05/07/2019

Com gol e recorde de Marta, Brasil vence a Itália e avança na Copa

Marta faz de pênalti e se torna a maior artilheira em Copas
do Mundo./Foto: Rico Brouwer/Getty Images
O Brasil venceu a Itália por 1 a 0 e está classificado para as oitavas de final da Copa do Mundo. Marta, de pênalti, marcou o gol da vitória, o seu 17º, o que a tornou a maior artilheira de Copas, incluindo a masculina.

Com o resultado, as comandadas de Vadão terminam a primeira fase na terceira colocação do Grupo C e aguardam a definição dos outros grupos para conhecerem as adversárias. A seleção brasileira foi melhor durante todo o jogo e sofreu poucos sustos. 

Brasil começa melhor, mas Itália equilibra

O Brasil começou o primeiro tempo pressionando e com a marcação avançada, dificultando a saída de bola italiana. Porém, a primeira oportunidade foi da Itália, aos quatro minutos. Bonansea recebeu pelo lado direito, cortou para o meio e chutou no cantinho. Barbara se esticou e conseguiu fazer a defesa, jogando para escanteio.

A Seleção respondeu em grande estilo aos 16. Marta cobrou escanteio na primeira trave e Debinha quase marcou um golaço de letra. A goleira Giuliani salvou e cedeu novo escanteio para o Brasil. Marta de novo na bola. A camisa 10 bateu fechado e quase surpreendeu Giuliani, que tirou de soco. 

Debinha fez boa jogada aos 22 e bateu da entrada da área, mas a bola foi para fora. A partir dos 25 minutos, o jogo ficou equilibrado, com a Itália buscando as jogadas pelas pontas.

O maior susto veio aos 39. Em um contra-ataque rápido, Bonansea recebeu livre, cara a cara com Barbara. A atacante italiana finalizou forte, mas a goleira brasileira fez grande defesa. 

Marta marca o gol da vitória e o nome na história das Copas

O Brasil voltou melhor para o segundo tempo, jogando no campo de ataque e buscando o gol. Logo aos seis, Andressinha cobrou falta no travessão e por pouco não abriu o placar. Quatro minutos depois, Andressinha novamente cobrou falta, dessa vez na cabeça de Kathelen, que desviou e a bola passou rente à trave. 

Vadão resolveu sacar Cristiane e colocar Bia Zaneratto aos 19. A atacante quase abriu o placar em seu primeiro toque na bola. Ludmila fez jogada individual pela direita e cruzou. Bia escorou e a bola passou perto. 

Aos 26, Debinha fez boa jogada em velocidade e foi parada com falta dentro da área. Pênalti para o Brasil. Marta, que não fez boa partida, foi para a bola e bateu forte. Goleira para um lado, bola para o outro e a melhor jogadora do mundo se tornou a maior artilheira de todas as Copas, incluindo masculina e feminina, com 17 gols. 

Depois do gol brasileiro, o ritmo diminuiu bastante e as duas equipes pareceram satisfeitas com o resultado.Vadão substituiu Marta e colocou Luana, volante, para dar mais proteção à zaga. A Itália seguiu pouco inspirada e o placar não foi alterado. Vitória do Brasil.

*Publicado em ogol.com.br em 18/06/2019

Com a ausência de Neymar, quem será o protagonista da seleção?

Sem Neymar, posto de referência técnica fica aberto na
seleção de Tite./Montagem: O Gol
Após o corte de Neymar, com lesão no tornozelo, e a convocação de Willian como substituto e novo camisa 10, surge uma pergunta sobre o time de Tite: quem será o protagonista da seleção?

A ausência do astro do Paris Saint Germain pode abrir brecha para outros jogadores assumirem a liderança técnica em um torneio de alto nível. Com uma seleção recheada de nomes relevantes para o futebol mundial, candidatos para o posto não faltam. Vamos aos nomes.

Os candidatos

Alisson: O camisa 1 vem de uma temporada espetacular com o Liverpool, coroada com o título da Liga dos Campeões, onde foi um dos destaques nos jogos decisivos, incluindo a final. Em 38 partidas do Campeonato Inglês, em 21 o goleiro não foi vazado.

Dani Alves: Um dos mais experientes do grupo, retomou a faixa de capitão da equipe. Retorna para uma competição após ter ficado de fora da Copa do Mundo por lesão. Fez boa temporada no PSG e tem um título de Copa América no currículo.

Coutinho: Contratado para ser justamente o substituto de Neymar, no Barcelona, Philippe Coutinho não conseguiu repetir, na Espanha, o excelente futebol apresentado na Inglaterra. Na Copa do Mundo, teve um bom início e era o principal jogador da equipe, mas não manteve o nível das atuações. Vindo de uma temporada decepcionante, com partidas fracas e até polêmica com a torcida blaugrana, a Copa América surge como grande chance de redenção.

Gabriel Jesus: O atacante do Manchester City ainda sofre críticas a respeito do desempenho na Rússia em 2018. Único camisa 9 da história da seleção a terminar uma Copa sem balançar as redes, Gabriel Jesus marcou seis gols em sete amistosos após a competição. Junto a isso, vem de uma temporada de 21 gols na Europa, mesmo não sendo titular absoluto, e parece ter retomado a boa fase. Antes tido como concorrente de Firmino, no amistoso contra Honduras, a dupla atuou junta no ataque e rendeu bem, o que pode significar mais tempo de jogo para o jovem atleta.

Roberto Firmino: O atacante do Liverpool segue em evolução. Embora 2018/19 não tenha sido uma temporada tão goleadora como a anterior, Roberto Firmino mostrou mais uma vez a sua importância para o elenco dos Reds. Com muita mobilidade, habilidade e inteligência tática, pode desempenhar diferentes funções no ataque. Vive boa fase e assim como Alisson chega com a experiência de ter ganho a Liga dos Campeões.

Richarlison: O atacante do Everton parece não sentir a pressão de vestir a camisa amarelinha. Já são 10 jogos, cinco gols marcados, boas atuações e muita interação com a torcida, principalmente com a sua tradicional comemoração, a "dança do pombo", o que o torna um dos jogadores mais queridos do grupo. Richarlison pode atuar tanto pelos lados como centralizado, o que agrada Tite. Em sua segunda temporada na Inglaterra, aumentou consideravelmente o número de gols: de cinco para 14.

David Neres: Mais uma boa temporada com a camisa do surpreendente Ajax. Semifinalista da Liga dos Campeões, campeão holandês e da Copa da Holanda, David Neres tem um estilo de jogo que agrada o brasileiro, partindo para cima da marcação, com velocidade e muita habilidade. Além disso, o camisa 7 marca gols e distribui assistências. Após boa atuação contra Honduras, Neres surge como provável substituto de Neymar pela ponta esquerda e pode ser o grande "beneficiado" pelo corte do craque do PSG.

*Publicado em ogol.com.br em 11/06/2019