segunda-feira, 19 de agosto de 2019

Com gol e recorde de Marta, Brasil vence a Itália e avança na Copa

Marta faz de pênalti e se torna a maior artilheira em Copas
do Mundo./Foto: Rico Brouwer/Getty Images
O Brasil venceu a Itália por 1 a 0 e está classificado para as oitavas de final da Copa do Mundo. Marta, de pênalti, marcou o gol da vitória, o seu 17º, o que a tornou a maior artilheira de Copas, incluindo a masculina.

Com o resultado, as comandadas de Vadão terminam a primeira fase na terceira colocação do Grupo C e aguardam a definição dos outros grupos para conhecerem as adversárias. A seleção brasileira foi melhor durante todo o jogo e sofreu poucos sustos. 

Brasil começa melhor, mas Itália equilibra

O Brasil começou o primeiro tempo pressionando e com a marcação avançada, dificultando a saída de bola italiana. Porém, a primeira oportunidade foi da Itália, aos quatro minutos. Bonansea recebeu pelo lado direito, cortou para o meio e chutou no cantinho. Barbara se esticou e conseguiu fazer a defesa, jogando para escanteio.

A Seleção respondeu em grande estilo aos 16. Marta cobrou escanteio na primeira trave e Debinha quase marcou um golaço de letra. A goleira Giuliani salvou e cedeu novo escanteio para o Brasil. Marta de novo na bola. A camisa 10 bateu fechado e quase surpreendeu Giuliani, que tirou de soco. 

Debinha fez boa jogada aos 22 e bateu da entrada da área, mas a bola foi para fora. A partir dos 25 minutos, o jogo ficou equilibrado, com a Itália buscando as jogadas pelas pontas.

O maior susto veio aos 39. Em um contra-ataque rápido, Bonansea recebeu livre, cara a cara com Barbara. A atacante italiana finalizou forte, mas a goleira brasileira fez grande defesa. 

Marta marca o gol da vitória e o nome na história das Copas

O Brasil voltou melhor para o segundo tempo, jogando no campo de ataque e buscando o gol. Logo aos seis, Andressinha cobrou falta no travessão e por pouco não abriu o placar. Quatro minutos depois, Andressinha novamente cobrou falta, dessa vez na cabeça de Kathelen, que desviou e a bola passou rente à trave. 

Vadão resolveu sacar Cristiane e colocar Bia Zaneratto aos 19. A atacante quase abriu o placar em seu primeiro toque na bola. Ludmila fez jogada individual pela direita e cruzou. Bia escorou e a bola passou perto. 

Aos 26, Debinha fez boa jogada em velocidade e foi parada com falta dentro da área. Pênalti para o Brasil. Marta, que não fez boa partida, foi para a bola e bateu forte. Goleira para um lado, bola para o outro e a melhor jogadora do mundo se tornou a maior artilheira de todas as Copas, incluindo masculina e feminina, com 17 gols. 

Depois do gol brasileiro, o ritmo diminuiu bastante e as duas equipes pareceram satisfeitas com o resultado.Vadão substituiu Marta e colocou Luana, volante, para dar mais proteção à zaga. A Itália seguiu pouco inspirada e o placar não foi alterado. Vitória do Brasil.

*Publicado em ogol.com.br em 18/06/2019

Com a ausência de Neymar, quem será o protagonista da seleção?

Sem Neymar, posto de referência técnica fica aberto na
seleção de Tite./Montagem: O Gol
Após o corte de Neymar, com lesão no tornozelo, e a convocação de Willian como substituto e novo camisa 10, surge uma pergunta sobre o time de Tite: quem será o protagonista da seleção?

A ausência do astro do Paris Saint Germain pode abrir brecha para outros jogadores assumirem a liderança técnica em um torneio de alto nível. Com uma seleção recheada de nomes relevantes para o futebol mundial, candidatos para o posto não faltam. Vamos aos nomes.

Os candidatos

Alisson: O camisa 1 vem de uma temporada espetacular com o Liverpool, coroada com o título da Liga dos Campeões, onde foi um dos destaques nos jogos decisivos, incluindo a final. Em 38 partidas do Campeonato Inglês, em 21 o goleiro não foi vazado.

Dani Alves: Um dos mais experientes do grupo, retomou a faixa de capitão da equipe. Retorna para uma competição após ter ficado de fora da Copa do Mundo por lesão. Fez boa temporada no PSG e tem um título de Copa América no currículo.

Coutinho: Contratado para ser justamente o substituto de Neymar, no Barcelona, Philippe Coutinho não conseguiu repetir, na Espanha, o excelente futebol apresentado na Inglaterra. Na Copa do Mundo, teve um bom início e era o principal jogador da equipe, mas não manteve o nível das atuações. Vindo de uma temporada decepcionante, com partidas fracas e até polêmica com a torcida blaugrana, a Copa América surge como grande chance de redenção.

Gabriel Jesus: O atacante do Manchester City ainda sofre críticas a respeito do desempenho na Rússia em 2018. Único camisa 9 da história da seleção a terminar uma Copa sem balançar as redes, Gabriel Jesus marcou seis gols em sete amistosos após a competição. Junto a isso, vem de uma temporada de 21 gols na Europa, mesmo não sendo titular absoluto, e parece ter retomado a boa fase. Antes tido como concorrente de Firmino, no amistoso contra Honduras, a dupla atuou junta no ataque e rendeu bem, o que pode significar mais tempo de jogo para o jovem atleta.

Roberto Firmino: O atacante do Liverpool segue em evolução. Embora 2018/19 não tenha sido uma temporada tão goleadora como a anterior, Roberto Firmino mostrou mais uma vez a sua importância para o elenco dos Reds. Com muita mobilidade, habilidade e inteligência tática, pode desempenhar diferentes funções no ataque. Vive boa fase e assim como Alisson chega com a experiência de ter ganho a Liga dos Campeões.

Richarlison: O atacante do Everton parece não sentir a pressão de vestir a camisa amarelinha. Já são 10 jogos, cinco gols marcados, boas atuações e muita interação com a torcida, principalmente com a sua tradicional comemoração, a "dança do pombo", o que o torna um dos jogadores mais queridos do grupo. Richarlison pode atuar tanto pelos lados como centralizado, o que agrada Tite. Em sua segunda temporada na Inglaterra, aumentou consideravelmente o número de gols: de cinco para 14.

David Neres: Mais uma boa temporada com a camisa do surpreendente Ajax. Semifinalista da Liga dos Campeões, campeão holandês e da Copa da Holanda, David Neres tem um estilo de jogo que agrada o brasileiro, partindo para cima da marcação, com velocidade e muita habilidade. Além disso, o camisa 7 marca gols e distribui assistências. Após boa atuação contra Honduras, Neres surge como provável substituto de Neymar pela ponta esquerda e pode ser o grande "beneficiado" pelo corte do craque do PSG.

*Publicado em ogol.com.br em 11/06/2019

terça-feira, 25 de junho de 2019

7 impressões sobre o Oi Rio Pro

Sally Fitzgibbons e Filipe Toledo foram os campeões em
Saquarema. (Foto:Damien Poullenot/WSL via Getty Images)
Estive em Saquarema entre quinta-feira e domingo para o Oi Rio Pro, a quinta etapa do WCT, o Circuito Mundial de Surfe. Com três campeonatos mundiais conquistados por brasileiros (2014 e 2018 com Gabriel Medina e 2015 com Adriano de Souza) o esporte vai crescendo e ganhando mais fãs. A edição no Brasil, novamente, mostrou um enorme público, o que é muito bom para a World Surf League, que dessa forma atinge um importante mercado consumidor. Entretanto, alguns detalhes me chamaram atenção. 

Eis algumas impressões sobre o evento:

1 - A cidade de Saquarema já respira o surfe e estava ''envelopada'' para o período da competição. Impressionante o número de turistas e de marcas no local, tanto na areia quanto na rua paralela à praia, a principal via de acesso. Evidente que o feriado de Corpus Christi contribuiu para aumentar o público e o evento fechou com chave de ouro com a final no domingo.                                                                                                                                       
2 - Estive próximo a um número relevante de curiosos em todos os dias. Pessoas que não acompanham o surfe regularmente e que por vezes perguntavam quem estava na água, de qual país era, como era o formato de disputa, etc. Coincidentemente, todos falavam que queriam ver Gabriel Medina. Isso reforça a impressão de que brasileiro gosta de campeão e não de esporte.                                                        

3 - Gabriel Medina foi eliminado na última bateria das quartas de final, mas ainda teríamos as duas semifinais femininas e masculinas e as finais de cada categoria no dia. Mesmo assim, um bom número de pessoas se levantou e foi embora. Detalhe é que Filipe Toledo, o campeão da etapa de 2018 e também de 2019, estava na disputa e era o favorito ao título, como confirmou baterias a frente.

4 - Quando o tahitiano Michel Bourez foi para água enfrentar Gabriel Medina nas oitavas, foi vaiado por um grupo pequeno de torcedores. Outro grupo, maior, abafou as vaias apoiando o competidor com gritos e palmas. Importante ressaltar que no surfe não existe esse tipo de comportamento, que é característico no futebol. Na bateria de quartas de final entre Filipe Toledo e Kelly Slater, por exemplo, o público vibrou com um belo tubo do norte-americano. Esse é o espírito. 

5 - Em algumas ocasiões, foi preciso que o locutor do evento pedisse compreensão dos surfistas amadores e banhistas. Isso aconteceu porque a área de competição, delimitada por boias, era invadida. Até mesmo um drone e uma pipa apareceram no local reservado para as baterias. Felizmente, nada disso interferiu no resultado. 

6 - É incrível, e até certo ponto decepcionante, a diferença de apoio do público para as brasileiras Tatiana Weston-Webb e Silvana Lima. Vale destacar que a primeira, nascida no Havaí, competia com pela bandeira havaiana até abril do ano passado e nunca venceu uma etapa do circuito mundial. Já a cearense, foi duas vezes vice-campeã mundial, venceu quatro etapas na elite, representa o país entre as melhores do mundo por mais de 10 anos. Essa diferença evidente no suporte me lembrou uma entrevista dada por Silvana em 2016. Segue o link: 

7 - A Santacosta tinha uma loja muito bem localizada na principal rua de Itaúna, próxima à praia, e acertou ao colocar o Willian Cardoso (surfista da elite patrocinado pela marca) interagindo com os fãs e autografando os produtos. Minha sugestão fica por conta dos copos. Eu comprei um de recordação, mas existia apenas um modelo, com apenas o nome da marca e a hashtag #GOPANDA (apelido do atleta) e na cor preta, o que inviabilizou que fosse autografado. A Santacosta poderia ter produzido mais modelos, em cores diferentes, valorizando mais o surfista e a sua única vitória no WCT, na Indonésia. 

Acredito que para 2020, com Filipe Toledo (3º no ranking), Ítalo Ferreira (6º) e Gabriel Medina (12º) mantendo as ótimas atuações e com chances de ganhar o título mundial deste ano, o número de torcedores, fãs e curiosos aumente e consolide Saquarema como a etapa de maior público nas areias. 

quarta-feira, 5 de junho de 2019

Hat-trick de CR7 coloca Portugal na final da Liga das Nações

CR7 resolve e Portugal é finalista da Liga das Nações.
Foto: Gualter Fatia/Getty 
Com show de Cristiano Ronaldo, Portugal se classificou para a final da Liga das Nações. O camisa 7 foi o autor dos três gols portugueses em uma partida bastante difícil para os donos da casa contra a Suíça. Ricardo Rodriguez, de pênalti, descontou para o 3 a 1. 

A final será disputada no estádio do Dragão, no Porto, no próximo domingo. Portugal aguarda o vencedor de Inglaterra e Holanda. No sábado, a Suíça joga pelo terceiro lugar em Guimarães, no Estádio Dom Afonso Henriques.

Primeiro tempo equilibrado, mas CR7 decide

Com cinco jogadores no meio de campo, a Suíça começou a partida comandando as ações e marcando forte. Antes dos cinco minutos, já havia assustado duas vezes. Na primeira, após confusão na área, a bola sobrou para Shaqiri, que bateu em cima de Rui Patrício. Logo depois, em cruzamento da direita, Seferovic tocou de cabeça para fora. 

Aos 11, Cristiano Ronaldo apareceu. Akanji tentou sair jogando e entregou no pé de Bernardo Silva. O meia do Manchester City rolou para o craque do time, que não pegou bem e mandou para fora. Seferovic voltou a dar perigo ao gol português aos 17. Em novo cruzamento, o artilheiro tocou de cabeça, mas parou em Rui Patrício. Já aos 24, CR7 sofreu falta na entrada da área. Ele mesmo foi para a cobrança e bateu forte no contra pé de Sommer. Placar aberto no Porto.

O jogo seguiu equilibrado com chances para ambos os lados. A melhor delas surgiu aos 41, com Seferovic novamente. O camisa 9 se livrou da marcação, escorou cruzamento, mas a bola foi na trave. Dois minutos depois, Portugal respondeu. Cristiano Ronaldo deu um passe açucarado para João Félix. A joia do Benfica bateu por cima do gol. No último lance da primeira etapa, Shaqiri recebeu na entrada da área sem marcação. O jogador do Liverpool bateu com força, mas a bola foi para fora.

VAR aparece em lance confuso; CR7 decide novamente

O segundo tempo começou bastante movimentado. Aos cinco, Cristiano Ronaldo bateu de fora da área e a bola passou perto. No lance seguinte, a Suíça reclamou de pênalti em Zuber. O jogo seguiu e Bernardo Silva sofreu pênalti. O VAR foi acionado e árbitro Felix Brych assinalou a penalidade para a Suíça. Ricardo Rodriguez cobrou e Rui Patrício chegou a tocar na bola, mas não evitou o empate: 1 a 1. 

Aos 19, Seferovic, mais uma vez ele, quase virou a partida. Bruno Fernandes respondeu com chute de longe aos 22, mas o melhor estava guardado para o final.O segundo tempo de Cristiano Ronaldo era apagado, sem participar muito do jogo, porém, aos 42 minutos, Bernardo Silva cruzou rasteiro e o craque bateu de primeira para colocar Portugal na frente. 

A Suíça tentou sair para o ataque, mas após passe errado o contra-ataque foi armado. A bola caiu em CR7, que limpou a marcação e bateu no canto de Sommer. Hat-trick do camisa 7 e vaga garantida na final. 

*Publicado em ogol.com.br em 05/06/2019

Palmeiras vence mais uma e segue líder

Dudu abriu o placar na Arena Condá. Com a vitória, time
de Felipão segue líder./Foto: Cesar Greco/Palmeiras
O Palmeiras venceu mais uma, a quinta em seis jogos, e continua na liderança do Brasileirão, somando agora 29 rodadas invicto na competição. O time comandado por Felipão bateu a Chapecoense por 2 a 1, jogando fora de casa em uma partida bem disputada. Os gols da equipe paulista foram marcados por Dudu e Marcos Rocha. Everaldo diminuiu para os donos da casa. 

Com a quarta derrota, a Chape fica estacionada no 14º lugar, com sete pontos. Na próxima rodada, a equipe catarinense visita o Goiás, no Serra Dourada. Já o Palmeiras, está com 16 pontos, um a mais que o Atlético Mineiro, mas com um jogo a menos, uma vez que o resultado da partida contra o Botafogo, onde venceu por 1 a 0, não foi homologado. No domingo que vem, o líder recebe o Athletico Paranaense, no Allianz Parque.  

Primeira etapa equilibrada

Os primeiros 45 minutos na Arena Condá foram bem disputados. A Chapecoense tentou mostrar a sua força como mandante e começou bem. A equipe até chegou a abrir o placar com Rildo, mas o atacante estava impedido. O Palmeiras errava passes, mas conseguiu equilibrar as ações. Após boa jogada individual, Zé Rafael deixou Dudu na boa. O camisa 7 bateu de esquerda, no canto de Tiepo e deixou os visitantes na frente.

Mas a festa palmeirense não durou cinco minutos. Cruzamento na área e o atacante Deyverson cortou com o braço. O árbitro precisou do auxílio do VAR para marcar a penalidade. Everaldo deslocou Weverton e igualou o placar. Foi o quarto gol dele no Brasileiro, artilheiro ao lado de Bruno Henrique, do Flamengo.

Os últimos 10 minutos foram mais animados. No fim da primeira etapa, Dudu cobrou lateral para a área, Felipe Melo desviou de cabeça, a zaga não conseguiu cortar e Marcos Rocha pegou de primeira para mandar no ângulo e fazer um bonito. Palmeiras novamente na frente.

Camilo reestreia, mas não consegue evitar a derrota

O segundo tempo seguiu equilibrado, mas muito faltoso. Zé Rafael, Gustavo Gómez e Deyverson pelo Palmeiras, Douglas e Elicarlos pela Chapecoense foram punidos com cartão amarelo. Aos 15 minutos, Ney Franco sacou Gustavo Campanharo e Arthur Gomes e colocou Renato Kayzer e Camilo, meia que teve grande passagem pelo Verdão do Oeste entre 2014 e 2015.

Os donos da casa buscavam o empate e quase conseguiram com Everaldo. Aos 35 o artilheiro recebeu, girou e bateu de fora da área. A bola passou perto do gol de Weverton. Depois do lance, a Chape tentou alguns cruzamentos para a área palmeirense, mas sem sucesso.  

*Publicado em ogol.com.br em 02/06/2019

sábado, 25 de maio de 2019

Trio de reforços do Dortmund gera debate: Quem recruta mais atletas de rivais na Bundesliga?

Hazard, Schulz e Brandt: trio de peso chega para reforçar
o Dortmund./ Foto: Reprodução
O Borussia Dortmund mostrou ao futebol europeu e, principalmente, ao Bayern de Munique, que virá forte na próxima temporada ao anunciar um trio de reforços de peso. Julian Brandt, ex-Bayer Leverkusen, Thorgan Hazard, ex-Borussia Mönchengladbach, e Nico Schulz, ex-Hoffenheim, tiveram grande destaque em 2018/19 e assinaram com o time aurinegro ao longo da semana. Todos recrutados junto a rivais da Bundesliga, em uma prática que segue causando muita discussão.

A movimentação do Borussia Dortmund na janela do verão europeu traz à pauta um assunto constantemente debatido em mesas redonda e de bar. Nos últimos anos, torcedores e imprensa acostumaram-se a enxergar o Bayern de Munique como uma espécie de "vilão" da Bundesliga. A justificativa para tal é de que o heptacampeão alemão reforça o seu elenco com jogadores oriundos de adversários locais, e assim, os enfraquece. Dessa forma, a competição perde em equilíbrio e o caminho para as conquistas do gigante da Baviera fica mais fácil.

Mas será que o Bayern realmente é o maior responsável pelo enfraquecimento dos rivais?

Dortmund supera Bayern em investimentos caseiros na década

Para responder esse questionamento, resolvemos analisar os mercados dos principais clubes da Alemanha nos últimos 10 anos. Nesse período, o time que surgiu como o mais capaz de ameaçar a supremacia bávara foi justamente o Borussia Dortmund. Bicampeões em 2010/11 e 2011/12, os aurinegros se estabeleceram como a segunda força da Bundesliga.

Desde o verão europeu de 2009, o Borussia Dortmund investiu pouco mais de 330 milhões de euros em 37 atletas que vieram de clubes da Alemanha. Além das três últimas transferências já citadas, destacam-se nomes como Marco Reus (ex-Borussia Monchengladbach), Mats Hummels (ex-Bayern), Ilkay Gundogan (ex-Nuremberg) e Julian Weigl (ex-1860 Munique).

No mesmo período, o Bayern gastou aproximadamente 264 milhões de euros, em 27 jogadores. As mais relevantes contratações feitas no mercado local foram Manuel Neuer (ex-Schalke 04), Robert Lewandowski, Mats Hummels e Mario Gotze (ex-Borussia Dortmund) e Joshua Kimmich (ex-Stuttgart).

Schalke se destaca em número de reforços

Outras equipes que tiveram bons resultados e brigaram na parte de cima da tabela, disputaram edições de Liga dos Campeões e avançaram às fases finais da Copa da Alemanha nos últimos 10 anos foram Bayer Leverkusen e Schalke 04.

O Leverkusen começou 2018/19 mal, mas conseguiu se recuperar e arrancou para conquistar um quarto lugar, o que lhe dará direito a uma vaga na Liga dos Campeões da temporada que vem. O clube negociou Julian Brandt para o vice-campeão Borussia Dortmund e para o seu lugar trouxe Karim Demirbay, ex-Hoffenheim. O alemão, campeão da Copa das Confederações em 2017, entra numa lista de agora 35 jogadores contratados por 188 milhões de euros, onde os maiores destaques ficam por conta de Kevin Volland (ex-Hoffenheim), Jonathan Tah e Hakan Calhanoglu (ex-Hamburgo) e Lars Bender (ex-1860 Munique).

Já o Schalke 04, que fez uma péssima campanha em 2018/19, foi a equipe do quarteto que mais buscou reforços em território alemão. Durante o período analisado, foram 42 jogadores comprados e 101 milhões de euros investidos. Os destaques foram Lewis Hotlby (ex-Alemannia Aachen), Leon Goretzka (ex-Bochum), Daniel Caligiuri (ex-Wolfsburg), Ralf Fahrmann (ex-Eintracht Frankfurt) e Mark Uth (ex-Hoffenheim).

Evidente que são apenas números e a qualidade dos jogadores deve ser levada em consideração. Mas é importante percebermos que o Bayern não é o clube que mais contrata dentro da Alemanha, seja em quantidade de atletas ou de montante investido. Portanto, a fama de enfraquecer os rivais é relativa. Talvez, o argumento de que os bávaros foquem suas buscas nos principais talentos do maiores rivais seja válido, uma vez que o clube fez uma limpa no Dortmund ao longo dos anos, contratando três das principais peças do adversário direto pela Salva de Prata (Götze, Lewandowski e Hummels). 

Por outro lado, o próprio Borussia Dortmund, o Schalke 04 e o Bayer Leverkusen adotam práticas parecidas, reforçam os seus elencos com atletas de equipes consideradas menores, o que, consequentemente, pode atrapalhar seus planos de competir no topo da tabela.

*Publicado em ogol.com.br em 25/05/2019

Pela primeira vez, três estrangeiros dividem artilharia da Premier League

Trio africano domina a artilharia e divide
a Chuteira de Ouro./ Foto: Premier League
O Manchester City goleou o Brighton por 4 a 1 e confirmou o bicampeonato da Premier League. Mas a temporada 2018/19 ficará marcada também por um feito inédito. A artilharia da competição foi dividida entre três estrangeiros e todos eles africanos. O egípcio Mohamed Salah, o senegalês Sadio Mané, ambos do Liverpool e Pierre Aubameyang, do Arsenal terminaram a competição com 22 gols cada. 

Após o apito final em Anfield, a dupla do Liverpool posou para fotos segurando a chuteira de ouro. Essa foi a segunda vez que Mohamed Salah foi o artilheiro da competição. Na temporada passada, o egípcio anotou 32 gols e ganhou o prêmio de forma isolada. Outro africano que já conquistou o posto de máximo goleador do Campeonato Inglês foi Didier Drogba. O marfinense foi o líder no quesito em 2006/07 e 2009/10.

Com Harry Kane machucado (o camisa 10 do Tottenham disputou 28 das 38 rodadas e perdeu a reta final da competição) e estacionado nos 17 gols, quem chegou mais perto do trio africano foi o argentino Sergio Aguero (Manchester City), que fez 21. Outro inglês entre os maiores goleados da temporada foi Raheem Sterling, que teve temporada atípica e foi vice artilheiro do campeão, com 17 tentos. 

A Premier League, disputada desde a temporada 1992/93, já viu um trio dividir a artilharia em outras duas ocasiões e em ambas com ao menos um inglês no topo. Em 1997/98, os ingleses Dion Dublin (Coventry City), Michael Owen (Liverpool) e Chris Sutton (Blackburn Rovers) anotaram 18 gols. Na temporada seguinte, Michael Owen (Liverpool) esteve novamente entre os maiores goleadores e dividiu o posto com o holandês Jimmy Hasselbaink (Leeds) e com o trinitário Dwight Yorke (Manchester United), todos foram às redes 18 vezes também. 

*Publicado em 12/05/2019 em lance.com.br