sexta-feira, 29 de março de 2013

Entrevista: Carrossel de Emoções

Carrossel de Emoções lançará CD em breve./Foto: Divulgação
Criado com o propósito de resgatar os grandes sucessos do funk da década de 90 ao som de samba, o grupo Carrossel de Emoções, já colhe em pouco tempo o sucesso de ser o primeiro bloco funk do Brasil. Composto por 19 integrantes, já acumula apresentações em programas de televisão e shows em diversos estados. Abaixo você confere a entrevista exclusiva que um dos cantores do grupo, Fernando Guina deu ao blog do Caio Fiusa.

Caio Fiusa:
São apenas 6 meses de grupo e vocês já estão fazendo bastantes shows, até mesmo fora do Rio. Apesar do funk ser um estilo musical bem carioca, nos outros estados o público sabe as músicas, canta junto?

Fernando Guina:
Na semana que vem a gente completa 50 shows. Já tocamos para 20 mil pessoas em todo o Brasil, lugares como Brasília, Fortaleza, São Paulo e vamos tocar em Florianópolis nessa sexta feira. Por incrível que pareça as pessoas sabem. Em Fortaleza, tocamos semana retrasada para 3 mil pessoas, ingressos esgotados e cantaram do início ao fim. Claro que em alguns lugares as pessoas conhecem menos, mas região Sudeste e até mesmo no Nordeste a galera conhece.

CF: Por ser o primeiro bloco funk do Brasil, esperava a receptividade do público em tão pouco tempo? E como está sendo o crescimento do grupo?

FG: Com certeza não. Imaginava que fosse fazer um sucesso, mas não dessa forma. Nós fomos ao Big Brother (grupo se apresentou na Festa Folia) e ao Esquenta, ontem gravamos um programa ao vivo na FM O Dia e já estamos gravando um CD com as participações do Buchecha e do Bruno Cardoso do Sorriso Maroto, que vai entrar na rádio em breve. Começou como uma brincadeira e virou uma coisa séria. Hoje, já é uma empresa com alguns funcionários. Estamos com agenda lotada até agosto, fim de semana disponível não tem mais.

CF: Fale mais sobre o CD e a participação do Bruno Cardoso. Já existe projeto de lançar um DVD também?

FG: O Bruno Cardoso está produzindo o nosso CD. Nós vamos lançar uma música composta pelo Nico Andrade que fez Assim você mata o papai. Estamos com uma galera bem forte para fazer esse trabalho dar uma bombada. E DVD ainda estamos estudando, mas com certeza vai sair esse ano.

CF: E o Buchecha?

FG: O Buchecha é padrinho oficial do bloco. Ele é meu amigo pessoal, nos levou ao Esquenta e vai gravar a música Carrossel de Emoções com a gente.

CF: Além de você, o Carrossel de Emoções tem mais três cantores. Tem alguma diferença musical, cada um tem as suas músicas já definidas?

FG: Tem a diferença no estilo visual. Eu faço o estilo mais playboy, por exemplo. A gente vai se complementando. Na questão vocal não tem nenhuma diferença, geral canta tudo. Temos o repertório ensaiado para cada um, mas nos shows sempre rola um improviso.

CF: Como foi a adaptação do funk para o samba?

FG: São ritmos que se complementam, não é muito complicado. O mais complicado é ensaiar a bateria. A gente teve que fazer muitos ensaios para chegar ao ideal, isso veio com o tempo. Hoje, posso dizer que está bem redondo.

Guina acredita em uma apresentação
do bloco no Rock in Rio./Foto: Divulgação
CF: No grupo tem um DJ. Qual a participação dele nas apresentações?

FG: O DJ faz umas interações no meio das músicas, abre e fecha os shows e na hora do improviso solta o batidão.

CF: A formação mescla integrantes com experiência em blocos como Bangalafumenga, Rio Maracatu e AfroReggae. Isso foi pensado para criar um grupo bem diversificado?

FG: Não. As pessoas que foram nos procurando lá no começo, um foi chamando o outro. Toda essa galera tem uma vivência forte em bloco. Nosso mestre em bateria foi por muito tempo repique número um no Monobloco. Às vezes a galera toca em mais de um, mas agora estão mais com a gente por conta da agenda.

CF: Em uma entrevista ao O Globo, vocês disseram que o funk foi o único ritmo que não esteve no Rock in Rio. Porque acha que isso aconteceu? Acredita em um dia tocar lá?

FG: De repente as pessoas não enxergam o funk de uma forma tão grande para estar em um festival como o Rock in Rio. Mas não me surpreenderia se a gente fosse, já está tendo um tipo de conversa. O Monobloco já tocou e acabou abrindo uma porta. Antes de funk, somos um bloco, tentamos vender essa imagem de ''bloco funk''. Nós não somos MC´s.

CF: Acha que essa mistura entre samba e funk facilita o crescimento de vocês?

FG: Acho super viável. A gente vai fazer o encerramento de um festival de rock em julho, o Fest Valda no Circo Voador. É um concurso de bandas independentes e nós fomos escolhidos através de uma votação. A galera abraça a causa, mesmo sendo funk. Acho que por ser um bloco que faz essa brincadeira as pessoas curtem. Não vejo nenhum problema de tocarmos em um festival como o Rock in Rio, que já está se abrindo para outros estilos.

Entrevista realizada quarta feira 27/03/2013 por telefone
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Críticas, dúvidas e sugestões: fiusa.caio@gmail.com

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Entrevista: Armandinho

Falta de tempo livre é a principal dificuldade na carreira
independente de Armandinho./Foto:João Victor Fiuza
Apesar do afastamento da mídia nacional, Armandinho segue fazendo shows em grande parte pelo sul do país e até mesmo na Argentina e no Uruguai. O gaúcho alcançou o auge da carreira em 2006, com o sucesso de Desenho de Deus. Artista independente, ele conta as dificuldades da carreira e da ausência na função de pai. Atualmente, está em seu quinto CD e segundo DVD. Abaixo você confere na íntegra a entrevista que o cantor deu para o blog do Caio Fiusa, após um show nas areias de Itacoatiara, em Niterói.

Caio Fiusa: Qual a diferença entre o primeiro DVD, gravado em Balneário Camboriú, para esse agora em Buenos Aires?

Armandinho: O primeiro DVD é um momento mais popular. O segundo é mais em função da mudança da banda, pegou a personalidade dela, que é mais rockeira. A minha banda antiga tinha mais uma pegada da MPB que eram os shows que fazíamos no início da carreira em barzinhos. Tocávamos Djavan, Gilberto Gil e outros da MPB e devido à fromação rock n´roll da nova banda, eu acho que é um trabalho menos popular. 

CF: Porque a escolha de não mexer muito na parte técnica?

Armandinho: Resolvi mostrar o show como ele é. Às vezes as pessoas querem fazer um trabalho perfeito querendo cortar coisas que são naturais, que os fãs que vão assistir acabam vendo na hora. A entrada dos roadies (equipe de organização dos shows) no palco eu acho bacana porque eles fazem parte da história e da personalidade de uma banda, então quero que eles apareçam.  Os roadies estão ali no dia a dia, conversam com os músicos, estão dentro do ônibus. Na hora que eles estão trabalhando, acho legal mostrar. Fizemos questão de não esconder.  As falhas fazem parte do espetáculo. Ninguém é perfeito. 

CF: Quais as dificuldades de ser independente?

Armandinho: Independente é difícil, mas hoje com as redes sociais está mais fácil que antes. O mais difícil é administrar o escritório. Não ter mais tempo livre na tua tarde para tocar violão, ensaiar, por estar dentro de um escritório tratando de assuntos que não devia, é complicado. Aí, dá 18h e eu estou carregado de coisas burocráticas do dia a dia de um trabalho. É difícil. Se eu pudesse me livrar da administração do escritório, me livraria. Não é muito saudável para um compositor.
  
CF: Todas as músicas representam um momento da sua vida? Queria saber se você pode dizer a história de Pela Cor do Teu Olho.

Armandinho: A maioria. Acho que não deveria (risos).

CF: Estar longe da mídia é algo que te deixa chateado ou você já encara com naturalidade por ser um meio muito competitivo?

Armandinho: Estava assistindo ao show do Stevie Wonder em casa e vi a área vip com vários artistas e pensei ‘’Poxa, como eu queria estar lá.’’. Sinto um pouco de falta. Não precisa estar sempre com uma super exposição, mas de vez em quando ir lá, fazer um programa bacana, é bom. A gente consegue atingir um maior numero de pessoas com a televisão. Artisticamente falando, a televisão é um palco para milhões de pessoas. Se me convidasse para um programa, eu certamente iria. A vida é feita de ciclos e nós temos que respeitar. Se tiver que voltar, eu volto, se não eu sigo o meu caminho. 

CF: Ao longo da semana, falando com o Claudio Diel, ele contou que você estava muito abalado com a tragédia em Santa Maria. Queria que você tentasse explicar como foi essa semana.

Armandinho: Não divulguei o show de hoje (03/02) em nenhum momento nas redes sociais, procurei nem tocar no assunto, não transmitir isso para o público que estava muito feliz ali. Eu pensei em parar, prestar uma homenagem, mas a galera estava com uma vibe positiva. Foi um absurdo o que aconteceu. Fui escolhido pelo povo de Santa Maria para tocar no aniversário de 3 anos da boate, em julho. Tenho um envolvimento com a cidade. Eu fiz uma visita ao Hospital do Câncer Infantil de Santa Maria que é referencia no Brasil e fui tocar para as crianças. Foi uma das experiências mais fortes da minha vida. Vendo os vídeos e os aplausos, fico pensando ‘’Esse aplauso pode não estar mais aqui’’. Cancelei um show sexta (01/02/13) e o Planeta Atlântida foi cancelado, que eu achei uma atitude nobre do grupo RBS. Apesar do prejuízo que eles tomaram, eles vão ganhar por causa da atitude.

CF: Já pensou em fazer alguma música em homenagem às vítimas?

Armandinho: Não deu tempo. Essa semana foi tão pesada por conta disso, o cancelamento do show de sexta também. Não é fácil cancelar um show, a gente tem um contrato. O cara gastou com panfleto, mídia de rádio, aluguel do clube e de repente eu ligo para ele e digo ‘’Não vou mais tocar.’’. Quem vai arcar com isso? Sou eu. A semana toda foi de negociação, coisas que as pessoas não sabem que rolam. Hoje, aqui, eu estou relaxando, estou tirando o luto que passei a semana toda e esse show aqui em Niterói foi significativo por isso. Voltei a sorrir e ver as pessoas felizes. Consegui tirar o peso que foi essa semana no Sul. 

CF: Percebeu alguma mudança no público? Esperava esse assédio todo?

Armandinho: Tive um momento muito bonito aqui no Rio, em 2006 e 2007. Mesmo estando fora da grande mídia, o público não esquece. Acho que houve uma renovação. Quando vim para cá em 2006, vim da internet e hoje eu estou de novo. Ter um público fiel que me acompanha na internet me faz sentir em casa. Tem muita gente ainda da turma de 2006 e 2007, mas houve essa renovação e o mais incrível que é com as mesmas musicas. 

CF: E falando nisso, apesar do tempo, suas músicas desse período são as mais cantadas...

Armandinho: Não tem como virar as costas para as musicas antigas. O cara vai no show do Lulu Santos, do Kid Abelha, quer ouvir as musicas do anos 80. Nosso trabalho passa a não nos pertencer mais. Tu não tens o direito de dizer ‘’Agora eu não vou mais tocar as músicas antigas e a galera vai ter que aceitar o meu trabalho novo.’’. Vou continuar tocando. Às vezes tiro Pela Cor do Teu Olho, por exemplo, e alguém diz ‘’Vim aqui só para ouvir essa.’’. Mesmo lançando um CD com 10 ou 12 músicas inéditas, eu só consigo colocar 3 ou 4 no show. O show hoje já está com duas horas, não tem mais espaço.

CF: Porque tem evitado tocar Folha de Bananeira?

Armandinho: Não tenho tocado mais justamente para dar um apoio simbólico, não estar sendo conivente com o uso de drogas. Eu tenho uma responsabilidade com os jovens. Quando é um show em casa noturna para maiores e a galera pede, eu toco. Mas quando tem molecada, não. Tem pessoas que enxergam a música numa boa e tem pessoas que não. Respeitando as pessoas que não enxergam, eu não toco. É uma musica divertida, que joga para cima, mas o meu trabalho não se resume a ela. 

Para o cantor, a música está acima da rivalidade entre Brasil
e Argentina/ Foto: João Victor Fiuza
CF: Como lida com o tempo para o trabalho e para a família?

Armandinho: Quando eu tinha um empresário, tinha mais tempo para a minha família. Às vezes não consigo ser pai integralmente. Estou viajando, chego durante a semana e fico envolvido com trabalho. Gostaria de ser um pai mais presente. Tenho que erguer milhões de homenagens a minha mulher, muito mais que Sol Loiro. Ela é uma guerreira. Estou aqui falando contigo e ela está lá sozinha. Eu sei que ela queria estar aqui comigo. Se ela pudesse faria isso em todos os shows.

CF: Nesse último DVD, gravado em Buenos Aires, percebe-se o carinho do público argentino com você. Como é a sua relação com a Argentina?

Armandinho: Criei uma relação muito forte com a Argentina e o Uruguai, principalmente a Argentina. A rivalidade no futebol tem que continuar, faz parte do jogo, valoriza. Mas nada melhor que a música para dizer ‘’Olha, não é só aquela guerra dentro do campo.’’. Quando a gente toca, a gente toca junto. 

CF: Teve um momento marcante no show, quando você toca Rosa Norte com a camisa da seleção argentina..

Armandinho: Para nós que somos brasileiros, é difícil vestir a camisa que no futebol é a seleção a ser batida. Não estava como torcedor ali, estava como ser humano. A música tem um elo emocional que faz as pessoas esquecerem de tudo. Quando vesti a camisa, mostrei que a música está acima. Continuamos rivais no futebol. A paz entre os povos é fundamental para que possamos viver melhor. 

CF: Porque voce acha que as pessoas gostam de você, curtem o teu som?

Armandinho: Sou uma pessoa normal. Tenho milhões de defeitos. Sou romântico para caramba. Acho que é isso, sou romântico. 

CF: Queria que você falasse do Armando Antônio Silveira, sobre a sua infância, criação...

Armandinho: Sou filho do Woodstock, fui gerado no meio do ano de 1969. Sou filho de pais separados, meu pai foi embora quando eu tinha dois anos, formou outra família e me via de vez em quando. Fui criado pela minha mãe e pela minha avó como filho único até os 15 anos. Minha mãe casou de novo e construiu uma nova família. A minha avó é uma pessoa que não teve muito estudo, veio de São Borja, interior do Rio Grande do Sul e criou a minha mãe no instinto. Mal sabia escrever e perdeu meu avô assassinado no exército quando a minha mãe tinha dois anos. Perdeu o pai com dois anos e o meu foi embora quando eu tinha dois também. Essa pessoa que não está mais aqui hoje, que é a minha avó, foi muito generosa, de uma humildade muito grande. Ela me ensinou a falar com os mendigos, cresci vendo ela fazer essas coisas. Tenho muito da personalidade dela. Ela era uma pessoa explosiva às vezes, falava muito, até o que não devia, por ser impulsiva. Às vezes eu faço isso, falo uma bobagem, chego em casa e penso porque falei aquilo.

CF: E o Armandinho?

Armandinho: Eu gosto do palco. Não me considero um grande cantor, eu desafino. Não me considero um grande guitarrista e não me considero um grande tocador de violão. Eu me respeito em cima do palco, nas quatro linhas com o microfone na mão. Ali eu fico cego. É o que eu mais gosto de fazer.

CF: Tem alguma música que te marcou mais, que você mais gosta de cantar ou que você poderia destacar?

Armandinho: É que nem filho, não posso dizer ‘’Eu gosto mais desse!’’. Tem especiais como Eu Juro, Outra Noite Que Se Vai...Não tem como escolher.

Agradecimentos: Claudio Diel
Entrevista realizada dia 03/02/2013 em Itacoatiara, Niterói.
Críticas, dúvidas e sugestões: fiusa.caio@gmail.com

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Entrevista: Gustavo Fagundes

Foto: globo.com
Embora o The Voice Brasil tenha acabado neste domingo, ainda é tempo de conferir o que os participantes acharam da experiência. O entrevistado da vez é Gustavo Fagundes. Estudante de medicina e cantor por hobby antes do programa, ele conta que daqui para frente a carreira artística será para valer. Abaixo, você acompanha a entrevista exclusiva que ele deu ao blog do Caio Fiusa. E você, o que achou da participação de Gustavo Fagundes?
  
Caio Fiusa: O que achou do seu desempenho?

Gustavo Fagundes: Fiquei muito satisfeito. A maioria da galera lá está na estrada há um tempão, então tem uma experiência muito grande. A música para mim antes do programa era hobby. Sempre cantei, toquei, compus, mas nunca levei isso a sério, nunca trabalhei, nem ganhei dinheiro com isso. Eu mandei o vídeo, fui passando nas seleções e daqui a pouco eu estava lá dentro, fui caminhando e cheguei longe, em um lugar aonde tinha profissionais de anos, como o Alma. Foi uma experiência que mudou minha vida para sempre.

CF: Qual a principal diferença antes e depois do programa?

GF: A maior diferença é que antes não tinha uma importância grande. Eu fazia algo mais relaxado. Eu não fazia show, não tinha nenhum compromisso com isso. A partir de agora, depois do programa, passou a ser profissional. Tenho uma carreira artística que estou construindo e vou mantê-la. Agora é sério, é trabalho, procurar estudar para melhorar como qualquer trabalho.

CF: Como está a relação com o público, número de shows, contratos?

GF: Antes meu público era meus amigos, minha família e de um dia para o outro meu Facebook explodiu com mais de mil solicitações de amizade. Hoje eu tenho mais de 15 mil assinantes. É uma coisa que eu não esperava. Foi muito rápido. Tenho seguidores, pessoas que gostam do som que faço, o que antes era bem pequeno. Tenho empresário agora, faço show, isso não existia. O máximo que eu fazia era me apresentar em aniversário de família ou de algum amigo.

CF: Você acha que houve injustiça na escolha dos jurados?

GF: Quando os técnicos estão de costas, ali realmente é o The Voice, julgam só ouvindo a voz. Mas depois que passa isso, vai influenciar todo o resto, figurino, presença de palco, carisma, é uma coisa natural por ser um programa de televisão. Não questiono isso. Foi a primeira experiência que a Globo passou, com certeza nem tudo foi perfeito, aconteceram algumas falhas como todo programa tem. É muito corrido, muita gente para cantar, os números são rápidos, as músicas são rápidas. Nós quase não temos contato com os técnicos para eles nos ouvirem melhor. Mas acho que eles tentaram fazer tudo da melhor maneira possível. Não creio em injustiça. A decisão é do público, não acho que é errado, acho que faz parte.

CF: Tem algum receio de acabar ficando rotulado com ex-participante do The Voice?

GF: O The Voice foi tudo para mim. Tocava violão no quarto e compunha músicas para mim mesmo e agora portas inimagináveis se abriram. Sempre sonhei em ter os contatos que eu tenho hoje em dia, conhecer as pessoas que eu conheci e ter a possibilidade de cantar na Globo para milhões de pessoas. Então, para mim foi um puta início de carreira que já me deu muita visibilidade.

CF: Você acha que pode enfrentar resistência de outras emissoras por ter saído de um programa da Globo?

GF: Eu sinceramente não entendo nada desse meio. Nunca tinha pensado nisso, pensei agora quando você falou. Acho que pode até rolar sim, mas não importa muito. O sucesso não depende da emissora, depende do que a pessoa vai fazer depois. Todos que estão ali têm um talento indiscutível e capacidade para isso.

CF: Acha que a preocupação do programa não é só com a voz, mas sim com um perfil já pré-estabelecido?

GF: Não sei qual a fórmula do sucesso. A Ellen, por exemplo, uma voz incrível, talvez a melhor voz, não canta músicas do povão. Ela canta Lenine, Paulinho Mosca e mesmo assim o público adora ela, é uma das favoritas. A Ju Moraes, que também canta muito, não sei se tem uma voz tão impactante quanto a da Ellen, mas tem um estilo, presença de palco, carisma, o que agrada muita gente. Eu gosto muito do estilo que ela canta, um axé misturado com samba.

CF: Você acha que algum participante escolhe uma música para impressionar um determinado técnico?

GF: Acho que não. Temos todo um suporte, não escolhemos a música sozinho. Eu nunca pensei em escolher para agradar a minha técnica (Cláudia Leitte). Sempre escolhi para ser verdadeiro e cantar seguro o que eu gosto. Pensava nas músicas que eram boas para mim e mandava para os produtores e para a Cláudia e eles me ajudava a escolher. Não sei se passa isso na cabeça dos outros, acho que não.

CF: Por que o The Voice Brasil fez tanto sucesso?

GF: Já suspeitava por programas musicais serem líderes de audiência em outras emissoras de outros países como Inglaterra e Estados Unidos. O Brasil tem um povo muito musical. A música é muito presente aqui. Era esperado isso acontecer, ainda mais na Globo e com a equipe que foi escolhida. Os técnicos são músicos fantásticos. Todos os candidatos, com seus jeitos peculiares, são muito bons, são os responsáveis por isso tudo.

CF: E para 2013, o que pretende fazer? Seguir a carreira de cantor ou se dedicar aos estudos?

GF: Estou no sexto período, conseguindo manter a faculdade e carreira artística. Minha profissão atualmente é artístico como cantor e compositor, estou trabalhando como isso. Além de estudar, pretendo continuar e me formar e manter as duas coisas por enquanto para ver o que vai ser. Não tenho a mente clara para definir qual eu prefiro ou qual eu quero. No momento eu sei que quero as duas coisas. Então, enquanto eu puder mantê-las vai ser melhor.

Entrevista realizada por telefone, sexta feira 14/12/2012
Contato: fiusa.caio@gmail.com

sábado, 15 de dezembro de 2012

Entrevista: Maldonado

Volante considera as lesões os momentos
mais difíceis da carreira./Foto: flamengo.com.br
Aos 32 anos, o volante chileno Claudio Maldonado é conhecido pelo seu estilo de jogo aguerrido, como todo bom marcador sulamericano. Revelado pelo Colo Colo, tradicional clube do Chile, ele acumula passagens por São Paulo, Cruzeiro, Santos, Fenerbahçe-TUR e seleções de base e principal. Atualmente no Flamengo, conquistou o Campeonato Brasileiro de 2009 e o Carioca de 2011. Abaixo, você confere na íntegra e com exclusividade a entrevista que o jogador deu ao blog do Caio Fiusa, onde lembra o período difícil que viveu com a camisa rubro negra e comenta a situação do futebol de sua terra natal.

Caio Fiusa: O Campeonato Brasileiro de 2012 foi o que mais teve jogadores estrangeiros na história. Por que você acha que isso está acontecendo?

Claudio Maldonado: O nível do torneio está crescendo a cada ano. Muitos jogadores que estavam lá fora, estão voltando porque eles sabem que o futebol brasileiro está qualificado como um dos melhores do mundo. E todo ano aparecem jogadores estrangeiros, todo ano os clubes abrem as portas para nós que somos de fora. Eu acho que por isso há tantos como argentinos, chilenos, peruanos agora, aqui. É um mercado muito forte, que a cada dia cresce muito.

CF: Você veio para o Brasil em 2000, muito novo ainda. Por que a opção de vir? Foi pela questão financeira, pelo futebol brasileiro ser uma vitrine?

CM: Na verdade, o Colo Colo tinha uma dívida com o São Paulo. Quando eles (São Paulo) foram ver um zagueiro, não quiseram por ser mais velho. O São Paulo queria um jogador mais jovem, que pudesse dar um retorno ao clube. Foi ali que eles me viram e quiseram me contratar. Cheguei com 20 anos e foi a melhor coisa que podia acontecer. Poder mostrar o meu futebol tão competitivo como o brasileiro e abrir portas para outros clubes, para mim foi o ideal.

CF: Como foram os primeiros meses de São Paulo? Você fala muito bem português, demorou muito para aprender?

CM: Não, porque no mês que cheguei, eu ficava muito tempo concentrado com meus companheiros. O São Paulo ainda estava na disputa do Paulista e da Copa do Brasil, então eu passava mais tempo no clube do que em casa. Foi naquele dia a dia que eu aprendi a falar, a me cuidar dentro e fora de campo, foi o momento ideal para eu poder aprender tudo o que eu sei hoje. O São Paulo me ofereceu toda a estrutura, além dos meus companheiros que foram fantásticos comigo. Todo o momento confinado foi de aprendizado.

CF: Teve muitas dificuldades na adaptação?

CM: Não tive muitas. Claro, você não consegue falar direito nos primeiros três, quatro meses. Às vezes é difícil você se expressar, mas não tive em momento algum aquela dificuldade de ficar abatido, triste. Foi muito fácil, tudo correu de um jeito que eu não esperava. Isso me ajudou para poder conhecer mais da cultura brasileira, falar bem, acho que tudo isso foi um muito bom. Eu cheguei muito novo, querendo aprender, querendo sempre o melhor também.

CF: Você começou no Colo Colo, clube de grande torcida no Chile e hoje está no Flamengo, que tem a maior do Brasil. Tem como comparar?

CM: A pressão é igual. São dois times do povo, pressão o tempo todo. As torcidas de Flamengo e Colo Colo não aceitam não serem campeões, não chegar entre os primeiros. Os dois são parecidos, por isso que eu já me sentia em casa quando cheguei. Já estava acostumado.

CF: Falando sobre o Flamengo. Você chegou ao clube em um bom momento, já sendo campeão no primeiro ano. Como foi a sua chegada?

CM: Cheguei com o Álvaro, porque o clube queria dois jogadores mais experientes para poder compôr a defesa. Foi aí que a gente deu uma força para o time e tivemos uma reta final muito boa. Foi um momento muito bom para o clube e para mim, que estava fora e pude voltar ao Brasil e mostrar o meu trabalho.

CF: Apesar da boa fase do clube, você teve uma lesão antes dos últimos jogos, inclusive não podendo jogar contra o Grêmio, o jogo do título. Na época, você já era experiente. Como foi esse momento?

CM: As últimas três partidas eu não pude jogar. Infelizmente me machuquei em um amistoso da seleção e fiquei quase quatro meses fora. Foi muito difíci porque eu tinha voltado bem, estava me sentindo bem desde que eu tinha chegado ao Flamengo e ficar os últimos três jogos de fora, foi muito triste. Não poder estar ali ajudando depois de tudo que tínhamos feito em onze, doze jogos. Não poder estar ali compartilhando aquela felicidade com os meus companheiros, brigando pelo título. Foi muito triste não poder estar em campo, mas por outro lado eu estava ali com eles no dia a dia, incentivando o tempo todo. Nós éramos um grupo e você tem que incentivar o cara que está ali e tentar dar força. Fiquei triste por ficar de fora mas feliz pelo Flamengo ter saído campeão.

CF: O Flamengo tem a maior torcida do Brasil, mas nesse ano teve a décima média de público. Por que uma posição tão abaixo do que é esperado do Flamengo?

CM: Acho que a gente perdeu muito depois que o Maracanã fechou. Nosso torcedor não estava mais com aquela vontade de ir ao jogo, até porque, para algumas pessoas ficava difícil o acesso ao Engenhão. Não é o nosso estádio, é tudo diferente e jogos à noite é mais perigoso. Então, acho que as pessoas ficam com um pouco de receio. A gente que depende muito do torcedor flamenguista, perdeu com isso e esses anos estão sendos difíceis. Não vai muita gente. Talvez o torcedor espera para ir só nos finais de semana, quando o jogo é mais cedo e dá para se programar melhor. O Flamengo perdeu muito com isso. O Maracanã era praticamente a nossa casa, o torcedor ia com felicidade, tinha gosto de ir.

CF: Já chegou a pensar em formar dupla com Cáceres? Acha que daria certo pelo estilo de jogo parecido?

CM: Acho que poderia ser, porque temos um estilo diferente de jogar, mais aguerrido. A gente tem um futebol mais de pegada, até pela posição em que jogamos. Ali no meio tem pegada o tempo todo, choque o tempo todo. Então, acho que estamos mais acostumados que os brasileiros.

CF: A crise interna, muito por causa do período eleitoral do clube, atrapalhou de alguma forma dentro de campo?

CM:  Acho que não. Nós estavámos sempre meio de fora de tudo o que estava acontecendo. Claro que a gente escutava e via o que acontecia no dia a dia, mas eu acho que isso não influenciou muito para nós estarmos mal ou jogarmos mal. Tem aquelas coisas de salário atrasado, o cara não está feliz porque o clube está devendo, tudo isso foi um problema muito grande ao longo desse ano. Mas eu acho que não tem relação com o nosso rendimento dentro de campo. Você tem que separar. Você se sente insatisfeito, não consegue se programar, mas quando veste a camisa esquece de tudo e tenta sempre fazer o melhor.

CF: Esse ano você quase não jogou. Como fica a cabeça de um jogador que convive com lesões, mesmo sendo experiente?

CM: Esse ano foi muito difícil desde o início. Eu nunca tava legal, o meu joelho sempre estava com algum problema. Foi o momento mais difícil. Fiquei quase o ano todo de fora, não conseguia acompanhar os meus companheiros, ficava tratando o tempo todo, duas vezes por dia, treinos aos sábados. Foi o pior momento que já vivi. Depois que passei por duas cirurgias, graças a deus melhorou. Depende muito de você, da sua cabeça, do que você quer. Mas eu sou tranquilo, sabia que ia me recuperar, ia ficar bem, voltar a jogar que era o principal. As pessoas às vezes sentem a sua falta. Elas te vêem sempre ali e é difícil para o torcedor entender porquê você não joga quinze, vinte jogos, fica o ano todo fora. Agora eu estou bem, quero começar 2013 do zero.

Maldonado acha que os jogadores chilenos
mudaram de mentalidade/Foto: Vipcomm
CF: A torcida do Flamengo cobra muito a raça dos jogadores em campo. Acha que foi por isso que eles sentiram a sua falta?

CM: Eles sentiram desde a saída do Williams. Sentiram que faltava alguém com as características parecidas com a dele. Ficamos sem jogador de pegada. Depois chegou o Amaral, que foi muito bem, o Cáceres, mas ele querem que o jogador jogue, que tenha uma qualidade diferente.

CF: A seleção chilena tem evoluído com o tempo. Hoje, já consegue jogar de igual para igual com alguns potências. Qual o motivo da evolução do futebol chileno?

CM: O grupo é muito jovem. Então, a maioria está jogando fora. As seleções passadas eram formadas quase todas por jogadores que estavam fora do país. E eu acho que com isso, a seleção aprendeu muito e fora o trabalho que o Bielsa fez. Ele fez os jogadores acreditarem que eles podiam fazer tudo o que as seleções faziam. Isso foi um aprendizado muito bom, trabalhar com um cara como o Bielsa, deixou um legado muito forte na seleção. Com trabalho e dedicação, os jogadores acreditam que podem fazer. Além disso, a experiência que cada um tinha fora. O (Arturo) Vidal da Juventus-ITA, o Alexis (Sanchéz, do Barcelona), jogadores que agora são de um nível altíssimo, que estão fazendo a diferença. Claro, que podem perder alguns jogos, mas deixaram uma base muito boa que pode se classificar para a segunda Copa consecutiva.

CF: Tem acompanhado os campeonatos chilenos? Como andam os clubes?

CM: Os clubes estão muito bem. O Universidad do Chile se manteve dois anos muito bem. O treinador do clube na época, o Sampaoli, que hoje está na seleção, fez um trabalho parecido com o do Bielsa. Foram campeõs da Sulamericana. O Colo Colo estava em altos e baixos, chegou um treinador argentino de novo e agora que começou a se recuperar, mas mesmo assim não se classificou para as finais do campeonato. O futebol do Chile está crescendo, aparecendo jogadores novos, com cabeça boa que antigamente era difícil. Os jogadores estão mais espertos.

CF: O seu contrato termina agora (dia 31/12/2012). Você vai continuar no Flamengo? Eu sei que o Luxemburgo é um admirador do seu futebol. Ele já chegou a conversar com você sobre a possibilidade de trabalharem juntos novamente?

CM: Não falei com o Vanderlei ainda. Eu queria me dar esse tempo agora porque eu acho que devo isso ao Flamengo por todo o tempo que fiquei machucado. Primeiro eu vou conversar com o Flamengo, o Dorival quer que eu fique para o ano que vem. Mas existe uma reunião ainda que vai acontecer...que deveria acontecer para ver a minha situação. Se não der certo aí eu vejo o que faço e para onde vou. Mas, primeiramente eu vou conversar com o Flamengo, devo isso a eles. Tenho um respeito muito grande pelo clube. Eles ficaram o tempo todo comigo, me incentivando mesmo sabendo que eu não ia jogar mais esse ano, que o meu contrato ia acabar. Se eles falarem que não me querem mais, tudo bem, eu vou estar sempre agradecido ao clube, não tenho o que falar do Flamengo.

Entrevista realizada por telefone quinta feira, dia 13/12/2012
Contato: fiusa.caio@gmail.com

Entrevista: Luiza Dreyer

Foto: globo.com
O The Voice Brasil termina neste domingo. Por isso, aproveitando o gancho, o blog do Caio Fiusa entrevistou dois ex-participantes que encantaram o país com seus talentos vocais ao longo do programa. A entrevistada de hoje é Luiza Dreyer. Há quatro anos no mundo da música, ela revela as principais mudanças proporcionadas pelas primeiras aulas de canto e critica a escolha dos jurados. Fique ligado no próximo bate papo.

Caio Fiusa: Porque resolveu se inscrever no The Voice?

Luiza Dreyer: Eu fiquei sabendo por família e amigos. Eles sempre falaram para eu me inscrever em programas como o do Raul Gil e o Ídolos. Mas quando chegou o The Voice, e era uma coisa da Globo, todo mundo sabia que ia ter um investimento maior, falaram mais ainda para eu me inscrever. E aí, minha tia fez a inscrição. Eu não estava muito motivada.

CF: Gostou do seu desempenho? Acha que poderia ter feito algo de diferente, até mesmo melhor?

LD: Ah, com certeza. Fiquei muito nervosa nas audições. Eram sete jurados olhando para nós e tinha uma câmera filmando. Eu falei que ia cantar Cássia Eller e o tecladista tocou uma versão meio ''enterro'' dela e eu sou mais rock n´roll. Eu não pedi para mudar e comecei a cantar. A música era Por Enquanto, minha voz ficou tremendo e não ficou legal. O próprio Boninho pediu para eu cantar a capela, sendo que eles não estavam deixando ninguém cantar assim, tinha que ser acompanhado. Aí eu cantei Amy Winehouse. Quando acabei os produtores vieram me dizer que eu tava muito mal quando cantei Cássia Eller mas depois ''baixou um santo'' quando cantei Amy.

CF: Porque você acha que o programa está fazendo tanto sucesso?

LD: Primeiro porque é na Globo, que já tem muita audiência. Segundo que eles já tem um formato de sucesso, que é do outro The Voice. Terceiro porque tem um investimento muito grande por trás, que talvez não tenha nos outros. E também, por ser muito organizado. Já vi a organização de outros, as pessoas sofrem nas filas. Tudo bem que no The Voice tem gente penando, tendo que voltar outro dia. Só que eu fui levada de carro todos os dias, sempre tinha alguém para me levar e buscar, sempre alguém me ligando. E foram escolhidas boas pessoas para apresentar e julgar. Além claro, dos cantores, que são a parte principal do programa e o motivo da audiência.

CF: Concorda com o formato? Acha justo?

LD: Se a gente pensa no formato, não é legal. Um músico tem que acrescentar ao outro. Mas no meu caso, na minha batalha, eu não preciso falar, o público já disse que não foi justo. Realmente, eu não achei justo o resultado, não achei que o Gabriel cantou melhor que eu. Tiveram outras batalhas que foram injustas também. Eu acho que seria justo se saísse o pior e não é assim. Então, é injusto.

CF: Você acha que nesses programas não se busca somente o bom cantor, mas também um perfil já estabelecido?

LD: Eu também acho. Acho que tem alguma outra coisa por trás às vezes. O Lulu Santos até comentou esse negócio da alma. Eu não sei o que leva ele a buscar a alma, porque o que eu sempre busquei foi cantar com a alma. Eu canto jazz, o Gabriel canta rock, não que o rock não tenha alma, mas a minha música sempre foi uma parada de vísceras, de alma, aí o Lulu vem e me manda o discurso de que fui eliminada por causa da alma. Foi uma coisa que me deixou chateada. Mas aí, quando a gente para para pensar, vê que é um jogo de imagem, então, a gente não posso ficar abalada com isso.

CF: O que mudou no seu jeito de cantar?

LD: Eu tive minha primeira aula de canto lá dentro com uma das melhores, a Nina Pancevski. E isso ajudou muito. Ela me deu muitas dicas. Antes do programa, eu fui a uma fonoaudióloga para ver se tinha algum defeito, trava língua, alguma coisa, mas acabou que eu não tinha. Hoje, antes de cantar eu faço alguns alongamentos, alguns trabalhos para a garganta e para a voz. Minha impostação é diferente, tento não exagerar em algumas coisas. E tem também a postura. Não é só cantar, tem muito de mexer com o público e saber conquistar a pessoa. Mudou bastante.

CF: Você acha que existe a preocupação dos jurados em eliminar alguém que futuramente possa fazer mais sucesso que outro participante que por ventura venha a ganhar?

LD: Não acho que existe essa preocupação. Eles foram selecionando justamente por ter o perfil do programa. Acho que todo mundo que está ali tem potencial para seguir carreira. A questão é quem vai conseguir lidar com todas as questões, ter a manha e a sagacidade de continuar. Tem muita gente que já saiu e não está fazendo show. Eu não sei o porquê. Eu estou agitando as minhas coisas e fazendo os meus shows. Parado a gente não pode ficar, principalmente agora.

CF: Como está a sua carreira depois da participação?

LD: Eu não tinha feito show para fora da cidade. Agora, tenho um marcado para Nova Friburgo, vou para São Paulo também, pretendo ir para a Bahia e outros lugares, mas como está no fim do ano, não estamos conseguindo marcar tudo certinho. Talvez eu vá viajar, então as coisas estão meio emboladas. Eu já tenho lugares marcados durante a semana. Estou fazendo dois shows por semana. Vou fazer um show com o Diego Azevedo que também é do The Voice.

CF: Você teme ser rotulada como ex-participante do The Voice? Tem a preocupação que as pessoas associem a sua imagem ao programa?

LD: Já estão me associando. Sinceramente, está sendo uma honra. Só tinha gente que cantava bem ali. E o programa está rolando, então, isso faz parte. Ao longo do tempo, a gente vai continuar com essa lembrança, mas vai desvincular. Nós temos nosso trabalho e vão ter outras coisas que vão chamar mais atenção que isso.

CF: Alguns cantores fazem grandes espetáculos na hora da apresentação. Acha que isso interfere na escolha dos jurados?

LD: Acho que sim. A questão do espetáculo conta muito. As pessoas que já tem um pouco mais de experiência e que tiveram a sagacidade para ter esse tom de espetáculo e dessa manha de palco, eles estão conseguindo ter um passo mais a frente.

CF: Qual o seu diferencial como cantora?

LD: Isso é mais vendo. Eu sinto que cada música que eu canto, por mais que seja a mesma, gosto de cantar de uma forma diferente. Quando eu canto uma música, eu sinto toda a letra que está sendo colocada. E eu tenho uma voz rouca, puxada para o Soul. Minhas apresentações são bem viscerais, da alma mesmo. Gosto de brincar com a música. Eu gosto muito de interpretar, fazer cover. Não é chegar e tocar. Quero fazer a pessoa sentir o que aquela música quis dizer. Por isso que eu entrei no The Voice, porque eu faço uma coisa séria e profunda. Gosto de mostrar o porquê eu estou aqui.

CF: Acha que pode ter sucesso por conta do seu estilo musical?

LD: Com certeza. Eu sou puxada para uma Cássia Eller, mais desleixada. Acho que é isso o que está faltando na música brasileira.

CF: Quais os projetos para 2013?

LD: Bom, os projetos eu vou deixar na curiosidade. Mas no momento, eu estou em um tributo à Amy, que está todo mundo pedindo e estou fazendo shows. Enquanto isso, estou tocando na Melt, às sextas. No futuro terão outros shows que eu pretendo fazer com clássicos de jazz, ou de repente colocar uma Cássia, ou até mesmo um MPB, isso aí eu vou levando conforme o meu coração mandar.

Entrevista realizada por telefone, quinta feira, dia 06/12/2012
Publicada no blog oagonizante.blogspot.com.br em 14/12/2012
Contato: fiusa.caio@gmail.com

Entrevista: Rodrigo Caetano

Para Rodrigo Caetano, o Fluminense tem hoje
a credibilidade do mercado/ Foto: Ruano Carneiro
Figura importante na conquista do Brasileiro do Fluminense este ano, muito pela sua contribuição a montagem do elenco campeão, Rodrigo Caetano é diretor executivo de futebol. O ex-jogador começou a carreira como dirigente no Grêmio e passou pelo Vasco da Gama, onde ganhou destaque. Abaixo, você confere a entrevista exclusiva do diretor ao blog do Caio Fiusa, onde ele fala sobre a relação do clube com a patrocinadora, sempre alvo de críticas das torcidas rivais.

Caio Fiusa: O Campeonato Brasileiro deste ano teve um número alto de jogadores estrangeiros e de repatriados, alguns já consagrados. Mesmo assim, a média de público foi muito baixa, até mesmo do campeão Fluminense. Tem alguma explicação para isso?

Rodrigo Caetano: Ela (média de público) não tem nenhuma relação com a vinda de jogadores estrangeiros. Realmente, os clubes estão investindo. Agora, isso é muito por conta dos horários e até da própria questão dos estádios que não têm a melhor segurança. Mas em compensação você pode observar o quanto aumenta a média de público em um jogo à tarde. Então, eu vejo muito mais pela questão dos horários e acesso aos estádios. É um problema estrutural.

CF: O preço dos ingressos é justo?

RC: Olha, qualquer evento hoje, é caro. O público que vai aos estádios talvez não seja aquele que tem condições de estar indo a um evento desse porte. É isso o que nós temos que discutir. Outra coisa é a quantidade de jogos no mês, que inviabiliza. Isso pesa muito para aquele torcedor assíduo.

CF: O que o Fluminense pretende fazer para melhorar a média de público?

RC: Eu espero que tenhamos sucesso no plano de sócio torcedor. Aí sim, teríamos um ingresso mais barato, mais facilidade na aquisição, consequentemente um aumento de público nos estádios. Isso que nós esperamos.

CF: O Campeonato Brasileiro foi apontado como o 17° torneio mais valioso do mundo. Qual a sua opinião sobre isso?

RC: O que eu sei, é que hoje, (o Campeonato Brasileiro) é a terceira maior liga em termos de pagamentos de direitos de transmissão. Então é um número expressivo, que bate com a maioria dos campeonatos do mundo. O futebol brasileiro caminhou para isso, se organizou melhor, os clubes têm uma gestão mais profissional e isso passa para o torcedor e para o público uma credibilidade maior.

CF: O Fluminense olha da mesma forma para os diferentes mercados como o brasileiro, sulamericano, europeu e até mesmo o asiático?

RC: Isso não é prerrogativa. Na verdade, nós buscamos sempre o bom jogador. Mas os mercados hoje inviabilizam. Por exemplo, você trazer um jogador da Europa, que está jogando ligas mais importantes fica difícil, a não ser que seja em final de contrato. Agora, a aquisição é cara em qualquer situação. O que nós vemos aqui, invariavelmente é que esses jogadores que retornam ao Brasil estão em término ou findando o contrato. Aí sim, se transforma em uma boa oportunidade de negócio.

CF: O Fluminense é conhecido pelo seu poder financeiro. Você acha que em termos de contratação, quando o clube desperta interesse em algum jogador, a pedida salarial do atleta aumenta por ser o Fluminense o interessado?

RC: O Fluminense tem hoje a credibilidade do mercado e para honrar os seus compromissos. Claro que tem no patrocinador um diferencial favorável muito grande. Não são todos os jogadores que tem remuneração acima do mercado. Então a coisa não é bem assim. Mas é algo que o mercado reconhece, sabe que o Fluminense é um clube organizado, com boas receitas e com credibilidade. E isso é um fator que muitas vezes favorece para atrair esses jogadores. Agora, se eles pensam em ganhar mais por ser o Fluminense, é uma situação que depende de cada caso.

CF: O Fluminense está preparado para não depender da patrocinadora?

RC: Eu não sei o porquê dessa pergunta sempre. Todos os clubes buscam um patrocinador, aí o Fluminense, que tem um ótimo é perguntado como é que está para se desfazer. Acho que a pergunta tem que ser contrária, para os clubes que não têm um grande patrocinador. O que tem que fazer para ter. E não para o Fluminense. O Fluminense tem que estar preparado para manter o patrocinador, se não é o melhor, é um dos melhores a nível de futebol brasileiro.

CF: O Brasileiro de 2012 foi o que mais teve jogadores estrangeiros inscritos na história da competição. Junto a isso, existe a regra de que cada time não pode relacionar mais de três por partida. Você acha que isso evita que o futebol nacional se torne dependente?

RC: Não vejo dessa forma. Volto a dizer, o bom jogador independe da sua nacionalidade. O futebol brasileiro sempre vai ser preservado. É o futebol que mais produz jovens talentos. Esse tipo de preocupação nós não precisamos ter, pelo menos por enquanto.

Entrevista realizada por telefone, quinta feira, dia 06/12/2012.
Contato: fiusa.caio@gmail.com

Entrevista: Ruy Cabeção

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Ruy Cabeção diz que treinador foi o motivo de
sua saída do Grêmio/ Foto: Lairto Martins
Ruy Bueno Neto começou a carreira no América/MG. Ganhou fama nacionalmente após se destacar com a camisa 2 do Botafogo, onde se tornou ídolo. Após passagens por grandes clubes brasileiros, acaba de disputar a Série C pelo Brasiliense-DF. Aos 34 anos, o experiente jogador revela bastidores da relação entre jogador e empresário e o desejo de ser treinador futuramente. Abaixo, você confere a entrevista exclusiva que o Cabeção deu para o blog do Caio Fiusa.

Caio Fiusa: Hoje, você tem contrato com alguém? Surgiu alguma proposta ou sondagem?

Ruy Cabeção: Estou sem clube. Sondagem tem, mas proposta concreta ainda não.

CF: Está esperando o ano terminar para decidir?

RC: Não. Estou esperando uma coisa bacana. A gente tem que analisar tudo, o time, o campeonato que vai ser disputado. Não estou trabalhando mais com escritório, não tenho nada assinado com nenhum empresário mais. Então, é direto comigo mesmo.

CF: Você passou por grandes clubes como Cruzeiro, Botafogo, Fluminense e Grêmio. Mas foi no Botafogo que você conseguiu destaque nacional. Foi a sua melhor passagem?

RC: Foi, porque a identificação com a torcida era e é muito grande. Mas, tiveram outros clubes em que eu tive momentos bons também. No próprio Cruzeiro, eu tive muitos, mas por ser mineiro, ser prata da casa do estado, o reconhecimento às vezes não é o mesmo. O Grêmio também, fiquei pouco tempo, mas fui eleito melhor lateral do campeonato gaúcho. Não tem um time específico. O carinho maior que eu carrego até hoje é da torcida do Botafogo.

CF: Você é lembrado pelo jogo da final do Carioca de 2006, no qual mesmo machucado, permanceu em campo. Foi o momento ou o jogo mais marcante da sua carreira?

RC: Tive muitos. Eu sou um jogador que tenho um reconhecimento maior do torcedor. Em Minas Gerais, algumas pessoas vinculadas à imprensa - eram minoria, mas de meios importantes - infelizmente tinham problemas pessoais comigo.  outros não reconheciam, prefiriam falar mal. No Cruzeiro, eu fiquei marcado por ter participado da jogada do gol de despedida do Sorín. No título mineiro do América/MG, eu que fiz a jogada toda sozinho para o gol do Alessandro. No Botafogo teve esse jogo. No Figueirense, quase fomos campeões da Copa do Brasil. E no Grêmio, a gente chegou a uma semi-final de Libertadores e foi a minha primeira. Cada time tem um momento.

CF: A sua passagem pelo Fluminense interferiu na relação com a torcida alvinegra?

RC: Não, de forma alguma.

CF: Foi bem recebido nas Laranjeiras?

RC: Sim. Tenho o respeito do torcedor por ter feito parte do grupo de 2009, que se livrou do rebaixamento.

CF: No início você era só Ruy, depois adotou o Cabeção. Alguma vez o apelido incomodou?

RC: Não. Esse apelido começou com a torcida do Cruzeiro, mas foi se firmar mesmo no Botafogo. Eu carrego desde criança, o pessoal da minha rua, do meu bairro, sempre me chamaram de Cabeção. Então, nunca incomodou não.

CF: Você falou do Grêmio, onde começou muito bem, marcando dois gols nos dois primeiros jogos. Depois saiu no meio do ano. Porquê?

RC: Eu saí exclusivamente por culpa do treinador. Eu tive um desentendimento com ele na semi-final da Libertadores. Eu iria ficar treinando em separado, mas o Celso Barros (presidente da patrocinadora do Fluminense) me ligou pedindo para ajudar o time e me ofereceu dois anos de contrato. Foi por isso que eu saí, se não, teria continuado lá. A diretoria, os jogadores e a torcida gostavam de mim.

CF: Se arrepende de ter saído do Grêmio naquela época?

RC: Não é questão de se arrepender ou não. Eu gostava muito de jogar pelo Grêmio. Na minha estreia eu fiz um gol, fui muito bem no Estadual, era titular absoluto, tinha muita coisa boa que poderia acontecer. Infelizmente, apareceu mais um treinador para atrapalhar minha carreira, mas é vida que segue e serve de aprendizado.

CF: Você ficou conhecido por jogar na lateral. Depois, passou a atuar como meia. Como foi essa transição?

RC: Nos últimos quatro ou cinco anos, eu venho jogando mais como segundo volante ou meia direita. Mas, querendo ou não, sempre um treinador me pede para atuar na lateral. Isso vai mais por questão do elenco. Para mim, jogar no meio de campo, não foi nenhuma novidade. A minha categoria de base foi toda feita como meia direita. Quem me colocou como lateral direito foi o Vanderlei Luxemburgo, na época em que estava em falta no Brasil. Ele achava que eu poderia ser feliz ali. E realmente fui.

CF: Você falou que passou a jogar de lateral por causa de uma opção do Luxemburgo. A posição de lateral ainda é carente?

RC: Hoje, não. Logo após a época do Cafu, não tínhamos laterais-direito no Brasil. Agora, a gente tem o Daniel Alves, o Maicon, que apesar da idade é um dos melhores na posição, e alguns meninos bons que estão aparecendo.

CF: Quais as principais diferenças entre atuar na lateral e no meio?

RC: Infelizmente, o lateral é muito dependente do meio de campo. Se ele não tiver volantes e meias que balancem o jogo, de um lado para o outro, vai morrer de fome. Já, o meia não, é o coração do time, do futebol mundial. A bola está sempre passando por ali. Você tem condição de participar mais da partida com a bola no pé.

CF: Acha que ainda tem vaga para você em algum clube da primeira divisão?

RC: Sinceramente, para jogar em um clube de ponta está complicado. O futebol está monopolizado. Existem alguns empresários no futebol brasileiro que para o jogador entrar em um time grande, tem que passar por eles. E o exemplo serve para mim. Quando deixei de trabalhar com meu empresário, que tinha se vinculado a um outro, grande no meio do futebol, a dificuldade de arranjar espaço na Série A ficou maior. Ele passou a não querer trabalhar comigo por conta da minha idade e por não trazer nenhum retorno a eles. Voce vê jogadores tecnicamente de niveis inferiores, mas que podem dar um retorno para os times e empresários, que tem vaga garantida (nos clubes) e ficam pulando de um para o outro, até atingir 30 anos. Jogador acima dessa idade não vale nada.

CF: Por já ter 34, você já pensa em parar? Alguma ideia do que pretende fazer quando se aposentar?

RC: Por enquanto, não. No próprio Brasiliense, os preparadores físicos e os treinadores que passaram por lá, me disseram que posso jogar tranquilamente até aos 40. Mas, pelas minhas contas, pretendo atuar por mais 3 anos para poder treinar todos os dias e acompanhar o ritmo de todo mundo. Quando me aposentar, eu tenho muita vontade de ser técnico um dia.

CF: Pretende encerrar a carreira em algum clube específico? No Botafogo, América/MG, Grêmio...

RC: Isso eu não penso. No Botafogo, é lógico que eu tive meu momento de ídolo, mas eu não posso nunca me comparar a um Túlio Maravilha, a um Sérgio Manoel, Wágner, Gottardo, Gonçalves. O clube estava a quase dez anos sem ganhar o Carioca e eu joguei machucado, o certo seria não jogar, tanto que fiquei 52 dias parado depois. Isso marcou muito a torcida. Mas eu tenho humildade e sei da grandeza que eles têm e não posso me comparar. Quero parar em um time bacana, sem jogo de despedida.

CF: Você nunca foi ligado à polêmicas, que rondam o mundo dos jogadores de futebol. Como é a sua vida fora dos campos?

RC: Uma coisa que existe é a hipocrisia. Tem muito jogador que se diz evangélico, mas não sai da noite e enche a cara. Eu fico no meio termo. Apesar de ser casado e ter duas filhas, nunca deixei de sair e tomar a minha cerveja na hora certa. Aqui no Brasil, a coisa mais estranha do mundo é jogador beber e fumar. Você vai na Europa e os jogadores bebem e fumam muito mais do que os daqui. Lá, existe o profissionalismo, eles não se preocupam com a vida pessoal do jogador, só querem que ele renda dentro de campo. Eu faço tudo que uma pessoa ''normal'' faz, lógico que tenho as minhas restrições. Sou muito feliz porque sempre soube aproveitar a minha vida da melhor maneira possível.

CF: Você afirmou em uma entrevista que os técnicos Celso Roth, Mario Sérgio e Levir Culpi foram importantes por serem diretos e sem frescuras. Tem muita frescura no futebol?

RC: Futebol hoje virou um mega evento. Os clubes aprenderam a usar o marketing. Os jogadores importantes conseguem ficar aqui muito tempo. Então, está envolvendo muita coisa. Existem empresários no meio que tem jogadores, são donos de clubes, muita influência e são só os caras (agenciados) deles que entram nos times. Os empresários não estão preocupados com os clubes. Só querem mostrar o produto deles. Nesse sentido, o futebol está chato.

CF: O Grêmio prepara o seu adeus ao estádio Olímpico. Um assunto, relacionado a isso, que vem sendo muito debatido, na internet especialmente, é o fim da ''avalanche''. O que você pensa a respeito?

RC: Isso é complicado dizer. É uma característica muito forte e tradicional da Geral. A gente fica triste, mas o futebol tem que ter um crescimento. Reclamamos há muitos anos que o Brasil tem que ter estádios modernos e agora estamos seguindo essa linha. Se tivesse alguma outra forma, um consenso, criar um cantinho só para essa organizada, não sei, é difícil. A repercussão vai ser muito grande por ser uma marca registrada gremista.

CF: Falando sobre o seu último clube, o Brasiliense chegou a ter uma boa fase na Série C, mas depois acabou não conseguindo a vaga para as quartas de final. O que houve?

RC: O ano do time foi muito ruim. Cheguei lá para disputar o segundo turno. Era capitão da equipe e fiz um ótimo campeonato, mesmo ninguém esperando. Sou muito grato ao Luiz Estevão, que sempre gostou do meu futebol e pediu para que eu voltasse. Mas existe uma pessoa lá dentro que não vai com a minha cara. O Brasiliense só colheu o que ele plantou. Infelizmente, investiu em jogadores que não eram da grandeza do clube e só no returno contratou jogadores de qualidade. Eu fui um deles, que cheguei para tentar salvar, consertar a besteira que fizeram. Mas sozinho a gente não consegue fazer nada. Mesmo assim quase conseguimos a vaga depois de uma temporada horrível, devido à filosofia de trabalho que implantaram no início do ano.

CF: Algum companheiro para destacar?

RC: São muitos nomes, muita gente mesmo, mas eu posso citar o Sorín e o Alex, nos tempos de Cruzeiro. O Pintado no América/MG. No Botafogo, o Scheidt e o Dodô. No Grêmio, o Alex Mineiro, que é meu amigo até hoje. Eu só tive problema mesmo com dois técnicos. Eles serviram como aprendizado, me ensinaram o que não fazer como treinador. E como eu tenho vontade de ser, foi uma experiência.

Entrevista realizada por telefone, quarta feira, dia 28/11/2012
Publicada no blog oagonizante.blogspot.com.br 01/12/2012
Contato: fiusa.caio@gmail.com