segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Entrevista: Lucas Ramon

Zagueiro chegou em 2008 em Malta, após se
destacar pelo Oeste-SP/Foto: Arquivo Pessoal
Em uma ilha, no continente europeu, com quase 1 milhão de habitantes, vive um brasileiro tentando a sorte no futebol. Revelado pelo Luverdense-MT, em 2004, o zagueiro Lucas Ramon, de 28 anos, chegou a Malta em 2008 após de destacar no Oeste, no campeonato paulista da série A-3. Após passagens pelo Qormi FC e Valletta FC, clube da capital onde foi campeão nacional e eleito melhor zagueiro da competição, chegou ao Vittoriosa Stars. Abaixo você confere a entrevista exclusiva que Lucas Ramon deu ao blog do Caio Fiusa. Na conversa ele fala sobre o período de adaptação no país e avalia a oportunidade de defender uma equipe maltesa para os brasileiros.

Caio Fiusa: Como você foi parar em Malta? Um país tão pequeno e tão desconhecido dos brasileiros. Conhecia alguma coisa a respeito?

Lucas Ramon: Eu não sabia nada sobre Malta, nem sobre o país e nem sobre o futebol. Eu tinha acabado de jogar o Campeonato Paulista da Série A-3 e viajei para o Paraná para acertar com a ADAP/Galo Maringá. Quando cheguei para assinar e estava conversando com um diretor do clube, um empresário daqui de Malta ligou pedindo um zagueiro. Na hora esse diretor me perguntou se eu tinha interesse em jogar aqui. Eu aceitei e desde então jogo em Malta.

CF: E chegando aí, como foi a sua adaptação?

LR: Foi muito difícil até porque eu não sabia falar o idioma. Primeiramente vim para um período de teste, então não tinha certeza se ficaria. Ou seja, além de toda a adaptação eu tinha que provar meu valor. Dentro de campo, no começo foi complicado porque os gramados são todos artificiais. Fora, eu não sabia cozinhar e não gostava das comidas daqui. E ainda tinha o fuso horário que me fazia ficar acordado até de madrugada para falar com a família. Todo esse período de adaptação durou 6 meses.

CF: E depois de tanto tempo no país, como avalia o futebol local?

LR: Tecnicamente o futebol não é dos melhores. É de muita força e essa foi a maior dificuldade para mim. Mas fui superando isso com a minha característica de sair jogando, que não é comum aqui. Mas para isso eu tive que aprender a jogar um jogo mais tático. Essa é uma exigência do futebol europeu. A realidade aqui é bem diferente dos centros europeus, os clubes não são estruturados e não têm retorno do dinheiro que investem.

CF: Queria que você falasse sobre os torcedores. A população em Malta não chega a 1 milhão, mesmo assim os clubes têm torcidas?

LR: Eles são totalmente fanáticos, porém nenhum clube tem um grande número de torcedores, como no Brasil. Teve época aqui que não dava para ir ao mercado que os torcedores pediam para tirar foto e autógrafo.

CF: E o campeonato é equilibrado?

LR: Na verdade não é tão equilibrado, são sempre 4 equipes que disputam o título. Em 5 anos no país, sempre uma dessas foi a vencedora. Mas, como não estou em nenhuma dessas, espero que a história nessa temporada seja diferente.

Após ser bicampeão nacional, Lucas Ramon chegou ao
Vittoriosa Stars em janeiro de 2012/Foto: Arquivo Pessoal
CF: Quando decidiu que jogaria em Malta, não temeu ficar esquecido e perder oportunidades em equipes brasileiras?

LR: Quando vim para Malta estava desempregado e precisando de uma oportunidade. Eu acabei me iludindo porque sempre gostei de desafios e achava que estando em Malta, perto das grandes potências, e me destacando, eu poderia conseguir uma chance em uma grande equipe. Mas a realidade não é bem assim. Não é impossível, mas acredito que chegar a um clube grande da Europa atuando no Brasil seja mais fácil. Eu vim para cá com um objetivo, mas as coisas aconteceram de outra forma.

CF: A renda per capita em Malta é de cerca de 20 mil doláres. Isso vale também para o futebol? É bom, financeiramente falando, jogar em Malta?

LR: Hoje tenho uma vida estável com as minhas coisas. Aqui não se ganha tão bem para ficar milionário como outros jogadores em países do centro. Mas é de onde vem o sustento para a minha família e eu recebo em dia. Então, não posso ficar reclamando.

CF: Depois de tanto tempo no futebol maltês e já identificado com os torcedores, não pensou em se naturalizar, até mesmo por ter características diferentes das dos zagueiros malteses?

LR: Pensar eu pensei e continuo pensando até hoje. Infelizmente os malteses não têm uma mentalidade profissional no futebol. Existe politicagem por trás de tudo que impedem eles de quererem naturalizar. Apesar disso, já tiveram vários rumores sobre o interesse na minha naturalização. Porém nunca fizeram o convite. Eu espero que isso possa acontecer, pois seria uma grande passo na minha carreira e acredito que assim poderia ter uma visibilidade bem maior, tendo possibilidade de então chegar a um clube que ofereça condições melhores.

CF: O futebol ainda é amador?

LR: O futebol é semi profissional e dificilmente vai se tornar totalmente profissional, embora eu tenha notado algumas melhoras nesse tempo que estou aqui.Todos os estrangeiros que vêm para Malta são profissionais e vivem exclusivamente do futebol. A maioria dos malteses exercem outra função. E é dessa função que vem o sustento deles. Mas existem também aqueles jogadores malteses que atuam fora do país.

CF: Jogar em Malta é vantajoso para os brasileiros?

LR: Olha, depende muito da situação e da condição do atleta. Na minha opinião é melhor estar aqui do que desempregado. Depende muito da posição do jogador. Por exemplo, atacante sempre é mais prevalecido. Indiquei um amigo, o Camilo Sanvezzo, que não tinha nada na carreira como jogador, nunca tinha ganhado dinheiro com o futebol. Ele veio para cá, foi o artilheiro do campeonato e daqui foi para a Coreia do Sul. Depois foi para o Canadá, onde hoje é muito bem pago e é artilheiro da MLS a frente do Henry. Acredito que se o jogador vier vai ter a oportunidade de conhecer um outro país, outra cultura, adquirir experiência, aprender outro idioma. Mas, se ele tiver outra proposta financeiramente boa, não compensa vir para cá.

CF: O que aprendeu nesse tempo convivendo com um cultura totalmente diferente da brasileira?

LR: Aprendi uma coisa importante como o respeito às leis de um país. Aqui a criminalidade é zero, são casos isolados, de vez em quando acontece algo violento. Acredito que isso acontece raramente porque as pessoas sabem que vão pagar pelo que fazem. Não tem impunidade. Agora eu estranhei um pouco a culinária, como falei antes. Eles gostam de comer caramujos, mas são aqueles que costumamos dizer no Brasil que dá barriga d´água. Gostam de comer também carne de cavalo e coelho.

CF: Queria que você contasse alguma história que tenha te marcado nesses 5 anos.

LR: Bom, tem algumas histórias legais. Um dia estava com a minha esposa e dois amigos no carro e do nada começaram a fechar a rua. Descemos para ver o que estava acontecendo e descobrimos que era a polícia que estava fechando a rua porque o Papa iria passar bem ali do nosso lado com seu batmóvel (risos). Tivemos a oportunidade de ver o Papa de perto. Uma outra história que aconteceu comigo e essa sem dúvida foi a mais importante da minha carreira, foi quando eu fui nomeado o melhor zagueiro do campeonato nacional. Eu estava muito apreensivo, já que haviam dois outros zagueiros muito bons concorrendo. Quando chamaram meu nome foi uma emoção muito grande receber o troféu. Sensação indescritível.

CF: Além da família, do que sente mais falta do Brasil e o que costuma fazer no tempo livre?

LR: Além da família sinto falta dos amigos e das delícias do Brasil, como um bom churrasco, pastel de feiram, caldo de cana e várias outras. No meu tempo livre tento curtir minha esposa e meu filho, além de jogar video game, assistir filmes e passear.

Entrevista realizada em 4/09/2013, pela internet.
Críticas, dúvidas e sugestões: fiusa.caio@gmail.com

terça-feira, 10 de setembro de 2013

Entrevista: Pedro Henrique Konzen

Konzen chegou ao FC Zurich após se
destacar no Caxias/ Foto: Arquivo Pessoal
Camisa 10. Talvez a preferida dos boleiros. Em qualquer lugar que se vê, chama atenção. Ainda mais se quem estiver vestindo for um brasileiro. Espera-se um toque genial que deixa o companheiro em condições de marcar, uma jogada criativa e a liderança dentro de campo. E é na Suíça, futebol que vem surpreendendo recentemente com vitórias sobre Espanha e Brasil, mais especificamente no FC Zurich, que um deles se encontra: Pedro Henrique Konzen. O jogador passou pela base do Grêmio, subiu aos profissionais do Caxias em 2010 e chegou ao FC Zurich no início de 2012. Com um ano e meio de clube, já marcou gol no principal clássico do país, contra o Basel e é titular na armação das jogadas. Abaixo você confere a entrevista exclusiva que o jogador deu ao blog do Caio Fiusa onde, entre outras coisas, ele revela as dificuldades na Suíça, qualifica o futebol local como emergente e opina sobre o estilo de jogo defensivo praticado pela seleção do país, que não agrada a muitos brasileiros.

Caio Fiusa: Como surgiu o interesse do Zurich FC?

Pedro Henrique Konzen: Um ex-jogador brasileiro que atuou no Zurich me indicou para o treinador.
Fíz um bom Gauchão em 2011 pelo Caxias e eles ficaram me acompanhando ao longo do ano. Em janeiro de 2012 concretizaram a minha contratação.

CF: E o que você sabia sobre a Suíça e o campeonato local?

PHK: Sabia pouco a respeito. Cheguei sem conhecer ninguém. Conhecia o Basel e o Zurich porque vi algumas vezes em competições europeias. Sobre o país, conhecia os Alpes, os chocolates, os bancos e a qualidade de vida. O idioma alemão, só tive conhecimento quando cheguei.

CF: Como foi sua adaptação? Qual foi a maior dificuldade?

PHK: A adaptação em campo não foi muito difícil, pois cheguei e logo fui atuando nas partidas por 90 minutos. Como cheguei em janeiro, no inverno, o frio foi uma dificuldade. Logo depois minha mulher veio e aos poucos a gente foi se virando com a língua. A culinária aqui também não teve grandes problemas, tem muita influencia do cardápio italiano que também existe em muitos lugares no Brasil. A cultura alemã é forte aqui e tem muitos imigrantes de países da antiga Iugolásvia. É um país rico, muito caro de se viver, mas com muita qualidade também. 

CF: Como é a relação dos suíços com os estrangeiros?
         Capa de jornal, o meia considera o futebol suíço
          parecido com o alemão/ Foto: Arquivo Pessoal

PHK: Eles tratam os estrangeiros muito bem. São sérios, mas conversando são pessoas simpáticas e gostam muito de futebol.

CF: Na Europa, a gente tem acompanhado alguns casos de racismo. Isso acontece na  Suíça?

PHK: Não, todos tem uma relação muito respeitosa. 

CF: Como é o estilo de jogo aí? 

PHK: O futebol é muito parecido com o alemão também. É rápido e de muito força. Com a técnica dos estrangeiros a liga vem crescendo a cada ano. No Brasil se joga um futebol mais habilidoso, é menos exigente taticamente em relação a Europa como um todo.

CF: O nível técnico ainda fica muito atrás dos principais centros, mas você acredita que já possa a ser comparado com os campeonatos de Portugal, Holanda, Ucrânia, por exemplo?

PHK: Ainda fica atrás de Inglaterra, Espanha, Itália e Alemanha, mas acredito que se nivela com os campeonatos de outros países, até mesmo com equipes que têm um poderio financeiro maior. Penso que com a evolução do futebol aqui, pode-se sonhar mais alto ali na frente.

CF: A seleção suíça venceu o Brasil recentemente por 1x0, venceu também a Espanha na Copa de 2010, pelo mesmo placar. A equipe sub-17 foi campeã mundial. Apesar disso, há ainda quem critique o estilo de jogo suíço, chamado até mesmo de ''ferrolho''. O que você acha do futebol praticado pela seleção e acredita que possa ser um adversário difícil em 2014?

PHK: Eu vejo isso como uma qualidade deles e que com um pouco de agressividade ofensiva podem ser sim uma equipe que incomode. 

CF: E falando sobre seleção, já pensou sobre se naturalizar e jogar pela Suíça?

PHK: Não, nunca pensei. O dia de amanhã a gente não sabe. Sonho com a seleção brasileira, mas se um dia surgir a possibilidade de naturalizar, sinceramente não sei o que vou fazer.

CF: Como é a relação com o torcedor?

PHK: Os torcedores são muito apaixonados. Por ser um país pequeno, viajam bastante com a equipe. A rivalidade maior é entre Basel e Zurich, mas rola uma clima bacana na partida. Tive o prazer de fazer boas partidas e até marcar um gol. Após um ano e meio aqui, muitas vezes me param na rua, em restaurantes...

CF: Como avalia os estádios e as estruturas?

PHK: Os estádios são muito modernos, já que teve a Eurocopa em 2008. Times da terceira e quarta divisão possuem centros de treinamentos com uma boa estrutura no geral.

CF: O campeonato tem apenas 10 times. A preparação e a competitividade é diferente?

PHK: É normal, como todo campeonato europeu. Geralmente, os jogos são só nos fins de semana. No caso, jogamos duas vezes contra os adversários por turno, somando quatro vezes no geral.

CF: Na maioria dos campeonatos europeus a disputa pelo título é monopolizada por dois ou três times. Na Suíça, é equilibrado?

PHK: Sim. O Basel vem com mais força nos últimos anos, mas no geral é equilibrado.

CF: Qual ou quais são os objetivos da equipe nesta temporada?

Konzen destaca honestidade dos
clubes suíços./Foto: Arquivo Pessoal
PHK: Estávamos concentrados na fase prelimiar da Europa League. Como não conseguimos a classificação (o Zurich foi eliminado pelo Slovan Liberec da República Tcheca, na terceira fase) estamos focados atrás do título, depois da vitória contra o Basel e o empate contra o St. Gallen.

CF: Quando não está jogando, o que costuma fazer no tempo livre?

PHK: Saio para conhecer as cidades, os Alpes, as fábricas de chocolates e os restaurantes italianos. Gosto também de ficar em casa assistindo canais de TV do Brasil e de ficar na internet matando a saudade dos amigos.

CF: Se tivesse que aconselhar algum jogador a ir para a Suíça, o que diria?

PHK: Os clubes são honestos! Tudo o que você assinar vai receber no fim do mês. É um país organizado, fácil de viver. Só aconselho a virem casados porque no inverno é bem frio (risos).

Entrevista realizada em 02/09/2013 pela internet
Críticas, dúvidas e sugestões: fiusa.caio@gmail.com

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Entrevista: Alberis

Zagueiro saiu de São Paulo e está desde
2009 na Suécia./ Foto: atvidabergs.se


Aos 28 anos, o zagueiro Alberis ainda é desconhecido de muitos brasileiros. Como passagens por clubes de São Paulo como Internacional de Limeira e Guarani, rumou para a Suécia em 2008. Depois de uma rápida passagem por um clube da terceira divisão chegou ao Atvidabergs FF, clube da primeira divisão local, onde se firmou e hoje é titular e referência da equipe. Abaixo você confere a entrevista exclusiva que ele deu ao blog do Caio Fiusa. Ele conta como chegou a um país até então desconhecido para ele e aponta diferenças entre o futebol sueco e o brasileiro.

Caio Fiusa: De que forma foi encontrado e contratado pelo clube?
  
Alberis: Um diretor do FC Norrkoping, também da Suécia fez contato com um amigo da minha cidade, dizendo que precisava de um zagueiro. Inicialmente, vim para esse time da terceira divisão. Fiquei apenas três meses e acertei com o Atvidabergs.

CF: Quando chegou a proposta, o que você sabia sobre o país e o futebol local?

Alberis: Eu não sabia nada. A única coisa que me passaram foi que na Europa é bom para se jogar futebol.

CF: A maioria dos jogadores brasileiros demora a se adaptar nos países europeus muito por conta do idioma, da temperatura, culinária, distância da família. E com você, como foi? E falando sobre culinária, o que destacaria dos pratos suecos?

Alberis: Tive problemas com tudo isso que você falou. Hoje estou adaptado. Eles costumam comer muita batata, peixe e salada. A comida é muito saudável.

CF: Qual o principal aprendizado dessa experiência na Suécia?

Alberis: Aqui se respeita mais as pessoas. Não tem pobreza e todos podem ter um emprego. O modo de vida aqui é muito bom.

CF: Como é a relação dos suecos com os brasileiros?

Alberis: Eles são bem tranquilos com os brasileiros e demonstram gostar muito de futebol.

CF: Qual a avaliação que você faz do futebol sueco? O nível técnico é muito inferior ao dos grandes centros?

Alberis: Sim, claro. O nível técnico do futebol não é igual o praticado na Inglaterra, Espanha, Itália...Nesses países, tem muito estrangeiros jogando e os clubes pagam bem mais. Mas o futebol sueco está melhorando, tem saído muito jogador para bons times do continente.

Para Alberis, principal virtude dos cartolas suecos
é honrar os compromissos./ Foto:Arquivo Pessoal
CF:  Eu queria que você comparasse o futebol praticado aí com o brasileiro.

Alberis: Ah, é difícil comparar. No Brasil, tem mais talentos e muitos jogadores. Na Suécia, trabalho com muita força e taticamente eles são muito disciplinados. Porém, são poucos que tem a criatividade igual a dos brasileiros.

CF: O Brasil se encaminha para receber uma Copa do Mundo e a questão dos estádios tem gerado muita polêmica. Como são os estádios suecos e a estruturas e organização dos clubes?

Alberis: Os estádios são grandes e bonitos, até os clubes da segunda divisão são bem organizados em relação a isso. Já a estrutura dos clubes da terceira para baixo não são tão boas, poucos conseguem ter uma legal. Alguns da terceira em diante são amadores ainda.

CF: O que nós podemos pegar de exemplo do futebol sueco?

Alberis: Acredito que a organização. Os diretores e presidentes sabem trabalhar, administram muito bem os clubes. Eles não assumem o compromisso de pagar o que não podem.

CF: O campeonato nacional é monopolizado? Tem muita diferença técnica entres as equipes?

Alberis: Não muita. Umas equipes são melhores, claro, porque contratam melhor, trazem estrangeiros também. Mas no geral, os grandes como o Malmo e o Helsingborgs são sempre os favoritos. Nós estamos no meio da tabela, vamos tentar ficar entre os primeiros.

CF: Hoje, o Atvidabergs é o 8°. O que falta para ficar entre os primeiros?

Alberis: Falta ganhar, aí sim podemos chegar no nosso objetivo.

CF: Se tivesse que aconselhar um jogador que pretende atuar na Suécia, o que diria?

Alberis: Eu diria para ele vir e jogar bem, porque assim as chances de jogar em um grande clube da Europa são reais.

CF: Em 2000, a Alemanha começou um forte investimento nas categorias de base e atualmente colhe os frutos. Como as categorias de base são tratadas e acha possível surgir um jogador do nível de Zlatan Ibrahimovic, já que hoje ele é o grande nome da seleção? 
Zagueiro fala com a família diariamente.
/Foto: Arquivo Pessoal

Alberis: Aqui tem as categorias de base, mas não se investe muito. Pode até surgir um bom jogador, mas é difícil falar se vai ser como ele.

CF: O que costuma fazer no tempo livre?

Alberis: Encontro e saio com os outros brasileiros, o Bruno Marinho e o Ricardo Santos, que jogam comigo. Também faço programas como golfe e boliche, por exemplo.

CF: Com que frequência fala com a sua família aqui no Brasil?

Alberis: Falo com eles todos os dias. Vou para o Brasil todo ano, a saudade é grande mas a gente supera.

Entrevista realizada em 31/08/2013, pela internet.
Críticas, dúvidas e sugestôes: fiusa.caio@gmail.com

sexta-feira, 24 de maio de 2013

Especial Futebol Alemão

Jovens talentosos são fruto da reformulação
nas categorias de base alemãs/ Arte: Mainara Assis
Neste sábado, Bayern de Munique e Borussia Dortmund decidem a Liga dos Campeões da Europa. Esta será a quarta vez que clubes do mesmo país fazem a final da competição e a primeira entre alemães. Para chegarem a esta partida, que acontecerá no estádio de Wembley, as equipes eliminaram Barcelona e Real Madri, os grandes favoritos ao título. O duelo alemão constata a evolução do futebol no país. Com investimentos nas categorias de base, a Alemanha colhe os frutos com uma safra de jogadores talentosos e se credencia como uma das grandes favoritas a conquista da Copa do Mundo de 2014, no Brasil. Abaixo você confere as entrevistas que o narrador e o comentarista do campeonato alemão nos canais ESPN, Rogério Vaughan e Gerd Wenzel, e o comentarista do site IG, Mário André Monteiro concederam ao blog do Caio Fiusa. Nelas, eles explicam a reformulação do futebol na Alemanha e analisam o pontos positivos da organização da Bundesliga, a liga principal.

Caio Fiusa: Quando, como e porque começou essa reformulação no futebol alemão?

Mário André Monteiro: A Alemanha viveu uma época de vacas magras desde a conquista da Copa do Mundo de 1990. No final da década 1990, a própria Federeção Alemã de Futebol criou alguns centros de treinamentos para revelar jogadores. Os clubes adotaram esse esquema. Então, a gente pode ver que esses novos jogadores regulam mais ou menos a mesma idade. Essa reformulação foi importante porque os clubes se conscientizaram e colocaram a Alemanha como favorita para a próxima Copa.

Gerd Wenzel:  Essa recomeço teve início em 2000, ano em que houve um fracasso da seleção alemã na Eurocopa, ficando em último lugar no grupo, com duas derrotas e um empate. A Federação Alemã de Futebol e a Bundesliga se reuniram para decidir o que fazer. Uma das medidas, talvez a principal, era a de que todos os times eram obrigados a ter a sua academia de futebol, com centro de treinamentos. Foi aí o ponto de partida para toda essa revolução.

CF: Tem diferença em narrar a Bundesliga, em relação aos outros campeonatos?

Rogério Vaughan: Total. Na Alemanha tem torcida. O torcedor faz questão de ficar em pé. Eles bebem e não tem nenhuma confusão. A gente foi transmitir o jogo entre Borussia e Real, deixou o carro no estacionamento e foi andando até o estádio, junto com aquela massa amarela. No meio da massa gritando com copos de cerveja na mão, tinham torcedores do Real Madri passando vestidos com a camisa do clube. E você não via nenhum tipo de ironia. Isso é um grande exemplo. Cultura e comportamento. Influencia inclusive no comportamento dos profissionais. Tudo é saudavel para o espetáculo. A torcida faz parte dela, acabou o jogo ela vai embora e segue a vida dela. No Brasil, você chega ao estádio preocupado.

CF: Percebeu um aumento da audiência do campeonato alemão?

Gerd Wenzel acredita que a organização financeira
da Bundesliga é um atrativo/ Foto: Divulgação ESPN
GW: Nós começamos a transmitir o campeonato em 1998, 1999. Eu lembro que nossa audiência ficava atrás da Premier League (Inglaterra), da Liga Espanhola e do Calcio (Itália). Logo depois da Copa de 2006, a coisa foi mudando de figura. Até porque, na Espanha se cristializou a disputa do título sempre entre Barcelona e Real Madri. Na Itália, houve uma decadência do futebol com escândalos de manipulação de resultados, racismo e estádios ultrapassados. A Itália perdeu uma grande oportunidade com a Copa em 1990 de renovar os seus estádios. E aí o que foi acontecendo? A Bundesliga foi tomando o lugar dessas ligas, ficando atrás apenas da Inglaterra, nos canais ESPN. Houve um aumento considerável da audiência.

MAM: No Brasil, até o ano passado nós tínhamos três emissoras transmitindo. Esse ano só teve a ESPN, então o brasileiro perdeu opções. Mas com o sucesso desses dois times e os brasileiros conhecendo melhor, deve crescer.

RV: Sempre houve um público cativo do futebol alemão no Brasil, seja pela colônia ou pelo futebol jogado. Mas esse público cresceu muito, por conta da Bundesliga ter se destacado entre as grandes competições, com altas médias de público. E também tem a organização. A Bundesliga é um evento para a família, por isso você vê muitas crianças e casais nos estádios. Naturalmente, o interesse vai aumentar. O campeonato alemão se tornou um grande porto seguro na Europa.

CF: De que maneira a Copa do Mundo em 2006, ajudou na evolução do futebol no país?

GW: Já se sabia que a Copa poderia ser na Alemanha. E qual era o pensamento? Nós não podemos passar vexame em casa, seja no ponto de vista estrutural, no da organização e muito menos no da seleção. Esse foi um dos grandes motivos para essa organização na seleção e no futebol alemão com novos objetivos.

MAM: Eu tinha muita preocupação em cima do comportamento, não só da seleção como da torcida, o orgulho dos torcedores. O Klinsmann, que era o técnico na época, conseguiu colocar um espírito vencedor, um sentimento patriota e os jogadores conseguiram fazer o time ir bem. De lá para cá, vem colecionando bons resultados apesar de nenhum título. Mas o orgulho em cima da seleção voltou, tanto para a Copa de 2014 quanto para Eurocopa em 2016, competições que esses jogadores vão chegar mais maduros.

RV: Conversando com o Paul Breitner, ele disse que o alemão leva tudo muito a sério. E o futebol também é. E eles aproveitaram a Copa do Mundo em 2006. Tudo isso é reflexo de um investimento na base e de contratações pontuais. Isso é fruto de um projeto de alguns anos. A Alemanha quis se abrir para o mundo e fez isso após a Copa. Hoje, é um futebol bonito e envolvente. O Bayern e o Borussia formam a base da seleção alemã, que em todas as Copas chega como uma das favoritas ao lado do Brasil, Argentina e Itália. Mas dessa vez, chega com favoritismo por causa do futebol apresentado. Hoje há quem diga que está um degrau acima da Espanha. 

CF: Uma das medidas para fortalecer a Bundesliga, foi o equilíbrio nas cotas de TV dadas aos clubes. Mesmo assim, o Bayern de Munique, que contrata muitos jogadores talentosos dos pequenos times, e o Borussia continuam um degrau acima dos outros, inclusive monopolizando a conquista do campeonato nos últimos três anos. É possível que isso se estenda ou existe algum clube capaz de se intrometer nessa briga particular?

RV: O Paul Breitner, quando esteve aqui, disse que o objetivo do Bayern é ultrapassar o Barcelona e se tornar o maior time do mundo. Essa contratação do Mario Gotze por exemplo, sem dúvida enfraquece o Borussia. Por ter muito dinheiro, o Bayern acaba sendo o predador, mas eu acho que eles vão resolver isso da melhor maneira possível. Mas acredito que essa polarização vai acontecer cada vez mais forte.

Para Mário André Monteiro, alemães não devem só
se contentar com as vagas europeias/ Foto: Arquivo Pessoal
MAM: Historicamente, o Bayern consegue contratar melhor dentro da Alemanha por ter mais dinheiro. A própria federação não permite que os clubes façam loucuras financeiras. O clube tem um determinado dinheiro guardado e não pode gastar mais do que ganha. Os clubes tem uma saúde financeira boa e nenhum deles é devedor. O Bayern contratou o Martínez na temporada passada e agora o Gotze porque tem condições para isso. É difícil falar que o Bayern vai monopolizar porque nas últimas cinco temporadas foram três campeões diferentes. Isso mostra o equilíbrio. A tendência é que o Bayern faça isso, por já ter um grande time e ter se reforçado, mas futebol é resolvido dentro de campo.

GW: É possível que aconteça. Dos 50 campeonatos da Bundesliga desde 1962/1963, o Bayern ganhou 22. Mas sempre apontam outros times. Em 2004, era o Werder Bremen, mas não deu continuidade. O mesmo aconteceu com o Stuttgart depois, que foi pior ainda. O mais importante é que o clube persiga o projeto. E foi o que o Borussia fez. É a mesma coisa que Schalke 04, Bayer Leverkusen e Hamburgo, só para citar os mais tradicionais, devem fazer. A questão não é ganhar um campeonato, mas se tornar grande. E o clube só se torna grande em primeiro lugar, investindo nos times de base. Depois, ter uma saúde financeira, não permitir que o dinheiro que você ganhe seja utilizado em especulação financeira, mas que seja aplicado no próprio clube. Se crescer, no caso do Borussia Dortmund que já é um projeto, vai ser um adversário a altura do Bayern de Munique nos próximos anos. O Bayern tem esse projeto há muito tempo e se outros clubes fizerem vão fazer frente aos dois.

CF: Qual o grande atrativo ou o diferencial do futebol alemão?

RV: O futebol apresentado, principalmente pelo do Borussia Dortmund, que é para frente. Isso chama atenção, inclusive da garotada. Os campeonatos europeus atraem muito os brasileiros. Os jogos são transmitidos nas TVs a cabo, mas o público não vê só isso. Ele vê a bola rolando em gramados impecáveis, organização, estádio lotado e festa da torcida. Então, cria uma expectativa e uma curiosidade que fazem as pessoas o acompanharem

GW: O grande atrativo em primeiro lugar é: o jogador quer saber não apenas quanto ele vai ganhar e se ele vai ganhar. Nós temos notícias de Ligas que não pagam em dia. O próprio Málaga, teve um problema sério. Na Alemanha, não importa o clube onde você esteja, no dia primeiro o dinheiro vai estar depositado na sua conta. A segunda questão é a que o jogador vai trabalhar em um campeonato extremamente organizado com estádios cheios. E qualquer jogador tem uma outra motivação com estádio cheio. A média é de 42 mil pessoas por jogo. A organização, o pagamento em dia, estádios cheios e todo o suporte que o clube dá aos jogadores atraem os estrangeiros. Agora com a chegada de Pep Guardiola, muitos jogadores vão se perguntar o porquê dele ir para a Alemanha. Ele vai ser uma isca para outros jogadores.

MAM: Tem um dado de 2002 que diz que 60% dos jogadores eram estrangeiros. Era um número muito alto. Desde então, os clubes passaram a investir mais em jogadores alemães e isso faz com que a torcida fique mais perto do clube e veja os jogadores mais de perto. O torcedor que viu o jogador crescer dentro do clube como o Thomas Muller, Mario Gotze, Toni Kroos, querem acompanhar eles crescendo no time profissional. Esses valores fazem com que a torcida acompanhe o clube. Além da estrutura que a Federação dá para os clubes. Hoje em dia os estádios são os mais modernos do mundo e a arrecadação dos clubes gira em torno do que é consumido dentro do estádio com produtos e merchandising.

CF: O futebol espanhol é considerado o ''futebol moderno'',vem de importante conquistas e tem dois dos principais clubes do mundo, assim como os dois melhores jogadores do mundo da atualidade. Mas, nas semifinais, dos quatro confrontos foram três goleadas alemãs. O futebol alemão está ultrapassando o espanhol?

GW: Eu não diria nesse momento que o futebol alemão é o melhor nessa época. Ele está em grande ascensão e vai ter que se firmar. Não está na hora de descartar o Barcelona, o Real Madri, o Manchester United. A Alemanha veio como uma grande força mas se vai continuar, só o tempo vai dizer. O Barcelona dominou e ainda domina, apesar de estar fora da Liga dos Campeões. Na Alemanha, além da habilidade dos jogadores alemães, eles alinham isso a um grande rigor físico, então talvez essa seja a grande novidade no futebol europeu: a habilidade técnica que é 50%, uma mudança iniciada em 2000, e 50% de aprimoramento físico. Além do mais, os jovens jogadores lançados em 2004,2005 e 2006 estão amadurecendo para conquistar um título internacional. O primeiro será neste sábado, independente de quem ganhe o jogo. E o segundo pode ser na Copa do Brasil em 2014. A Alemanha pode superar as outras forças do futebol mundial.

MAM: O futebol espanhol teve um momento mágico porque foi revolucionário. Mas os outros times entenderam esse jeito de jogar e começaram a fazer frente. Os jogadores ganhando experiência dentro dos clubes podem levar isso para a seleção, que bateu na trave nas Euro e na Copa. Eu espero e acredito que o futebol alemão possa fazer frente e tente buscar o título.

RV: Ninguém consegue se manter imbatível. Tem que ter uma renovação. Houve um predomínio espanhol e a Alemanha vinha se preparando com a base dela. Eu me refiro à seleção. Em 2010, Alemanha não estava na ponta dos cascos e a Espanha já vinha de um título de Eurocopa. Entre os clubes, a Alemanha cresceu muito, principalmente no coeficiente europeu. Hoje, ela ultrapassou a Itália e tem quatro vagas na Liga dos Campeões. Eu vi uma entrevista do presidente Javier Tebas, da Liga Espanhola, onde ele disse que os espanhóis tem que tomar como exemplo o campeonato alemão, porque os times são saudaveis financeiramente e não fazem loucuras. Isso vai resultar numa sequência muito boa para os times e para a seleção da Alemanha, por conta desses frutos que eles plantaram lá trás. 

CF: Recentemente a Alemanha reconquinstou uma vaga que dá classificação a Liga dos Campeões da Europa. Você considera isso um incentivo a mais para continuar crescendo ou um objetivo conquistado?

MAM: Considero um objetivo, porque a Alemanha já tinha essas quatro vagas. É importante manter para que o futebol interno continue crescendo. E não basta só ter quatro times na Liga dos Campeões e três na Liga Europa, é necessário ir bem. Na Liga dos Campeões, os três chegaram as fases finais. Os clubes não podem deixar essa peteca cair. É um objetivo para não só manter as quatro vagas, mas passar a Espanha e a Inglaterra no coeficiente na Uefa e ser a melhor liga no ranking.

GW: Foi um objetivo conquistado. O próximo é ultrapassar a própria Inglaterra. Se você olhar o ranking, a Alemanha está coladinha. Em termos de vagas não vai fazer diferença nenhuma. É o objetivo ser a primeira colocada. Vai ser um embate muito difícil com a Inglaterra. Superar a Itália era um objetivo e foi conquistado e agora é a Inglaterra e depois a Espanha. O Paul Breitner deixou muito claro isso, que o objetivo é ser a melhor.

CF: O que o Brasil pode pegar de experiência com futebol alemão?

MAM: É difícil, mas esse modelo de categoria de base é o que falta no Brasil. Alguns clubes grandes não têm isso. Essa estruturação não só do profissional, mas da base também é importante para fazer algo parecido com o que é feito na Alemanha. E principalmente, os políticos que trabalham com o futebol se conscientizarem de que: futebol é política? É, é dinheiro, mas também é lazer e cultura. Então eles têm que fazer alguma coisa para tornarem os campeonatos mais atrativos e evitarem que os clubes fiquem endividados. E claro, tem que aprender muito com os grandes países europeus. Aprendendo é o primeiro passo, porque matéria prima o Brasil tem de sobra e fazendo isso, pode monopolizar o futebol tranquilamente. 

Rogério Vaughan acredita que o Bayern é o
favorito para a grande final/ Foto: Divulgação ESPN
RV: Comprometimento, seriedade. O Brasil tem dinheiro, tem jogadores que brotam todos os anos com talento. O que falta no Brasil é seriedade e comprometimento. Na Alemanha, eles são compromissados. Em casos isolados ocorre corrupção, mas no caso do Brasil isso está enraizado na cultura brasileira e junto a isso a impunidade. O Brasil vive uma situação privilegiada em relação até mesmo a países europeus. Falta planejamento. Continuamos a ser o país do jeitinho, da improvisação. Estamos às vésperas de uma Copa do Mundo e o país como está? Muitos projetos de mobilidade urbana para melhorar o país foram cancelados. Temos casos de corrupção, superfaturamento, todos esses detalhes que fazem parte da cultura brasileira servem como atraso, não só para o futebol, mas para o país em geral.

GW: Você precisa saber se os dirigentes querem aprender. Existe uma corrupção inerente ao futebol brasileiro. Existe um apetite para se fazer grandes projetos e grande empreenteiras. Não há nenhum interesse em fazer estádios baratos, quanto mais caro melhor, porque aí todo mundo pode ter a sua participação. É preciso haver uma mudança de mentalidade no futebol brasileiro, seja na organização, ou na administração dos clubes ou das federações. Enquanto não mudar, não teremos estádios baratos, muito mais caros do que os construídos na Alemanha. 

CF: Para o jogo deste sábado, tem favorito?

GW: Não tem favorito. Estou desconfiado de que esse jogo possa ser decidido em um pequeno detalhe. Se tem um time que sabe enfrentar o Bayern de Munique, é o Borussia Dortmund. Nos últimos seis jogos pela Bundesliga, foram quatro vitórias do Borussia e dois empates. O Bayern ganhou na Copa da Alemanha e ficou por conta disso.Vai ser um jogo muito equilibrado. Quem pode fazer a diferença são um dos craques, como o Ribery, que está em espetacular forma. Do lado do Borussia, o Marco Reus, que hoje desponta como o maior talento da equipe.
  
RV: O Bayern é favorito, mas o Borussia pode desequilibrar. O Bayern chegou em duas finais e está com esse trauma. Em 2010 tudo bem, mas ano passado perder em casa pro Chelsea...essa ferida ainda está aberta. Se tem um time que pode desestruturar o Bayern é o Borussia. Na história recente dos confrontos ele atrapalhou muito o Bayern. O Bayern está com essa pressão de bater na trave novamente. Se o Borussia fizer 1x0, isso vai pesar muito. As outras finais inevitavelmente vão servir como pressão para os jogadores.

Entrevistas realizadas entre os dias 18 e 21/05/2013 por telefone.
Contato: fiusa.caio@gmail.com

domingo, 12 de maio de 2013

Entrevista: Planta e Raiz

Novo trabalho do Planta e Raiz, do vocalista
Zeider Pires (ao centro) é um projeto duplo/ Foto: Divulgação

Com 15 anos de carreira, a banda de reggae Planta e Raiz está lançando seu oitavo CD intitulado Bora Viver/ De Sol a Sol. Apesar das mais de 500 mil cópias vendidas co todos os álbuns, o vocalista Zeider Pires, acredita que o ritmo ainda tem muito a crescer. Abaixo você confere a entrevista completa que ele concedeu ao blog do Caio Fiusa. Nela, Zeider comenta a situação atual do Reggae no Brasil, critica a ausência de algum representante do estilo musical no Rock in Rio e fala sobre preconceito.

Caio Fiusa: Como você vê o reggae hoje no Brasil?

Zeider Pires: O Reggae está crescendo muito, as bandas estão se profissionalizando, fazendo os trabalhos com a melhor qualidade possível. As mídias estão começando a notar que não é um estilo que só fala de droga e coisas nada a ver, mas sim da libertação, do espírito do homem e de Deus. As pessoas estão começando a assimilar agora. Então, daqui pra frente vai crescer cada vez mais.

CF: Esse sábado foram comemorados 32 anos da morte de Bob Marley. Qual a importância dele para quem curte o Reggae?

ZP: A morte dele, tão jovem ainda, com 36 anos, ao mesmo tempo que interrompeu uma vida, deixou um legado riquíssimo para os outros. São várias mensagens. Os olhos do mundo inteiro se voltaram para a Jamaica. Ele foi um divisor de águas. A partir disso, todo mundo valorizou a arte, mas ao mesmo tempo foi uma perda irreparável.

CF: Você acha que é possível surgir outro fenômeno no Reggae como Bob Marley?

ZP: Acredito que sim, mas enquanto as pessoas focarem no parâmetro, no padrão Bob Marley não vão conseguir. Bob Marley foi só um. Existem várias bandas muito boas pelo mundo. O que dificulta é mais o lance da mídia mesmo, em popularizar, botar para tocar em rádio. É um som massificado no mundo inteiro, mas não tem uma popularização regional. Nas regiões, o Reggae é mais underground, mas se juntar o que rola em todo o mundo, fica um negócio muito grande. Existem vários paradoxos aí. No próprio Brasil, temos bandas muito grandes como Natiruts e Ponto de Equilíbrio, o Cidade Negra bombou e foi uma das maiores nos anos 90 e tem o SOJA representando no mundo também.

CF: Você citou o SOJA, que hoje talvez seja uma das maiores bandas de Reggae. Você acha que eles podem elevar o Reggae a outro patamar?

ZP: Acho que eles têm a vantagem de cantarem em inglês, terem crescido em uma estrutura maneira. A cultura americana insere a música desde o começo. Quem quiser ser músico, vai ser. Tem essa vantagem de ser primeiro mundo, mas vejo que o movimento não para de crescer e isso não é em decorrência só deles. Todas as bandas que estão lutando, estão sendo o alicerce para trazer o reggae para cima.

 CF: Você falou sobre a mídia. Ela atrapalha ou ajuda?

ZP: Quem faz o Reggae, faz porque ama. Quem vai aos shows, cola com a gente, vai porque ama. Acho que a mídia atrapalha com as músicas banais e sujas e atrapalha também o reggae em si, porque desvia o foco da molecada.

CF: E a questão das drogas? O Reggae ainda sofre muito preconceito?

ZP: Preconceito é de quem não tem informação. Quem escuta a música e presta atenção, vê que é algo muito maior, se comunica com todo tipo de gente. O Reggae fala com aquele cara que está procurando um caminho, com um pai que quer educar o filho, a galera tem que parar para pensar antes de sair falando.

CF: Falando sobre preconceito ainda, existe algum com a galera que curte o surf music, por exemplo, ou até mesmo algum outro?

ZP: Mano, acho que toda tribo tem um momento de ser radical. Aquela hora que a pessoa diz: eu curto reggae, não vou ouvir samba. Isso é imaturidade das pessoas. Uma hora as pessoas crescem e vão ver o que é música boa e o que é ruim.

CF: Queria que você falasse agora do novo CD...

ZP: Esse disco foi gravado em nosso próprio estúdio, produzido por nós mesmos e mostra a nossa independência. Assumimos o comando da nave e estamos dando continuidade. O disco é bem abrangente, pega várias vertentes, tem tudo para o público. A evolução é isso, abrir a mente. Somos brasileiros e temos vários ritmos, então pegamos o Reggae e juntamos com os sons que a galera curte.

CF: Na música Cante a paz, vocês fazem uma crítica social, a respeito da violência. Acha que a música perdeu isso?

ZP: Acho que não. São momentos que você vivi e se depara. Não dá para você ficar toda hora falando do mesmo assunto, vai soar estranho. No caso dessa música que eu compûs em 2000, eu tinha chegado do ensaio e estava rolando umas imagens de guerra na televisão. Aí eu comecei a chorar de raiva, peguei o violão e fiz. É questão de momento, tem hora que você está amando e vai falar de amor. Não pode ter barreira para o que vai ser comunicado. Não importa se você sente amor, importa se ela é verdadeira.

CF: Você fez uma parceria com o Chorão, do Charlie Brown Jr, em Gueto do Universo. Como estava a relação de vocês antes da morte dele?

ZP: A gente se trombava muito pela estrada e pelos camarins. Fazia tempo que a gente não se via, não se encontrava. Chorão era um grande cara. Infelizmente mais uma perda, mais uma história interrompida.

CF: O Rio de Janeiro vai receber este ano o Rock in Rio, um grande festival internacional e o reggae não está representado. O que pensa sobre isso?

ZP: Isso aí é maior panela. Esse Rock in Rio aí virou uma fábrica de dinheiro. É um negócio lindo e maravilhoso, mas infelizmente está vindo muito gente do pop. Isso foge do parâmetro do festival, mas tudo bem, a gente continua trabalhando e quem sabe um dia estaremos lá também.

CF: Para terminar, queria que você dissesse qual a peculiaridade do Reggae?

ZP: O Reggae é uma música que eleva, que vem para unir, para alertar e para libertar. Nunca você vai ouvir um reggae estimulando a violência, alguma coisa ruim. É uma música que traz as coisas boas para perto e fala de evolução.

Entrevista realizada quinta feira 09/05, por telefone
Contato: fiusa.caio@gmail.com

domingo, 14 de abril de 2013

Entrevista: Rodriguinho

Novo DVD de Rodriguinho traz um filme
com a vida do cantor./Foto: Pedro Zuazo
Rodriguinho apareceu para o Brasil no final dos anos 90 integrando o grupo de pagode Os Travessos. Em 2004 seguiu carreira solo. Hoje, aos 35 anos, além de cantar e compôr, atua como produtor. Em turnê com o novo CD ''O mundo dá voltas'', ele já é sucesso nas rádios com a música homônima em parceira com o rapper MV Bill. Abaixo você confere a entrevista exclusiva que ele deu ao blog do Caio Fiusa, onde fala das mudanças na carreira e do novo trabalho.

Caio Fiusa: Queria que você começasse falando sobre a sua nova turnê.

Rodriguinho: Estou com a minha nova turnê ''O mundo dá voltas'' e basicamente todos os shows consistem na mesma apresentação. Eu diminuo somente quando a casa de show não suporta minha estrutura. Eu estou trabalhando uma fonte de interação, porquê ''O mundo dá voltas'' é um filme da minha infância, da minha vida. Eu tento levar isso para o palco com os clipes. Estou levando isso para a estrada para galera ver o que vai ser o DVD.

CF: Como surgiu a ideia de fazer um filme através dos clipes?
  
Rodriguinho: Foi uma ideia minha. Videoclipe traduz a música e hoje em dia o comércio não é tão grande. Não existe muito isso de vender o videoclipe. Você vê mais na televisão, ele é tratado como um bônus e eu estou querendo tratar como um trabalho de carreira. O DVD tem 13 músicas, sendo 10 videoclipes e 6 formam um filme com continuidade.

CF: E o convite para a participação do MV Bill?

Rodriguinho: Eu sou paulista e a veia do rap, hip hop, r&b é muito forte aqui. Sempre gostei muito e tento colocar no meu trabalho. Quando eu escrevi a música, achei que no final eu precisava de um rap. Achei que era a hora para juntar com alguns nomes do rap. No ''O mundo dá voltas'' foi o MV Bill, que eu acho que é um dos maiores nomes do rap nacional. No ''Minha Diretriz'' foi o Pregador Luo, que é o maior rapper gospel. Tem o meu irmão também, ele canta uma outra música. Então achei que era a hora para essa abertura, é um trabalho mais maduro, não é uma onda. Quando as coisas estão acontecendo no momento, em ascensão, tudo parece onda. Era uma hora legal até para chegar nas pessoas e pedir para cantar junto já com uma base.

CF: Você tem feito parcerias com artistas de diferentes estilos musicais, caso do MV Bill agora e o Léo Santana. Isso mostra que hoje você não está preso a somente um gênero musical?

Rodriguinho: Em relação ao estilo musical não tenho uma preferência. Todas as músicas em que participo, são minhas. Não fujo do meu estilo. Só participo se tiver a ver comigo. Quando me chamam para participar, peço para fazer a música. Por isso acho que a parceria com o Léo Santana foi muito legal, com o MV Bill a música já estava pronta, ele veio fez o rap e abrilhantou mais ainda. O Thiaguinho é meu parceiro de composição, então não tem nem o que falar.

CF: Você acabou de voltar de viagem dos EUA. Como foi lá?

Rodriguinho: Eu estava de férias. Aproveitei para gravar um clipe, já que a atriz foi junto e filmamos em Los Angeles e Las Vegas. Vai ficar muito rico esse trabalho em relação a imagem, captação, tem muita coisa boa. Faço alguns shows lá, mas nunca para esses lados, é sempre Nova Iorque, Nova Jérsei e Miami, que tem a concentração de brasileiros.

CF: Hoje você já trabalha como produtor também, inclusive na carreira do seu irmão. De onde veio essa vontade e como tem sido a experiência?

Rodriguinho: Na realidade a vontade de ser produtor veio quando eu comecei a compôr, porque algumas músicas não ficavam do jeito que eu queria. Quando você compõe uma música você pensa no final dela, em como ela vai ficar gravada e geralmente não acaba ficando. Comecei a me dedicar, produzi alguns artistas e foi dando certo. Hoje divido a produção com o Wilson Prateado, que foi quem me ensinou 90% do que eu sei. O disco do meu irmão era para ser uma produção minha, mas chamei ele (Prateado) por causa da experiência, know-how, pelo nome. É bom porque você sabe o que quer e o trabalho fica com a sua cara. Conheço meu irmão muito bem, então sei até aonde posso ir com ele. A função do produtor é conhecer o produto com o qual está trabalhando. Tem muito produtor que transforma o artista no que ele (produtor) pensa, não no que o artista é. Eu procuro estudar o artista para manter uma linha. Isso melhora na minha composição e na apresentação.

CF: Quem vê o Rodriguinho hoje e compara com a época de Os Travessos percebe uma mudança na aparência. E na sua personalidade, o que mudou?

Rodriguinho: Tudo vai mudando. Você vai ficando adulto, são 35 anos de idade e 25 de carreira. Uma hora você tem que se assumir e fazer o que você deseja, não o que a mídia quer. No Os Travessos tinha aquele lance com as meninas de ser tipo um sex symbol, hoje eu não penso mais nisso. Se vier, é consequência, meu foco é na música.

 CF: Percebe um público renovado ou ainda tem bastante gente da época de Os Travessos?

Rodriguinho: É bem diferente hoje. No Os Travessos tinham muitas meninas, o grupo tinha um formato boy band, né? Era muita mulher. Os homens não curtiam muito. Hoje meu público masculino é muito forte, gostam muito do som e eu percebo que quando vão ao show é por causa do som. As músicas que seguram o público. Aquelas menininhas que curtiam antigamente, hoje já são casadas com filhos e levam os maridos. Deu uma mudada. Eu, particularmente, gosto muito mais do público atual.

CF: Você ainda canta as músicas de maior sucesso do grupo, sempre as coloca nos shows?

Rodriguinho: Não tem como não cantar. Não quero fugir disso. O Rodriguinho existe por causa disso. Procuro levar Sorria que eu estou te filmando aonde quer que eu vá.

CF: Em relação ao Os Travessos, hoje você acha que o samba e o pagode são mais aceitos?

Rodriguinho: Hoje é muito aceito. Todas as classes curtem. Da minha época para cá está muito melhor. Apesar disso, os que estão fazendo sucesso são os de sempre. A gente acaba se renovando dentro da nossa carreira. Não teve uma grande revelação nos últimos cinco anos. O último foi o Turma do Pagode, mas não é novo. Eu que sou de São Paulo já conhecia há tempos.

CF: Em uma declaração, o Thiaguinho disse que contribuiu para a história do samba e isso gerou muita polêmica. Você acha que distorceram o que ele quis dizer?

Rodriguinho: Distorceram o que ele disse. Ele contribuiu sim, não tem como negar. Se o samba está nesse nível de cachê, de 150, 200 mil é por causa do Exaltasamba. O grupo abriu esse leque de cachês astronômicos, de levar a massa para curtir, de entrar em todas as classes sociais. O Thiaguinho levanta a bandeira do samba. Ele contribuiu e vai continuar contribuindo, pelo o que eu conheço dele. O Thiago é muito talentoso. Quando alguém está no momento, as pessoas ficam esperando acontecer alguma coisa só para criticar. Ele está provando que é talentoso.

Entrevista realizada por telefone em 10/04/2013
Contato: fiusa.caio@gmail.com

sexta-feira, 29 de março de 2013

Entrevista: Carrossel de Emoções

Carrossel de Emoções lançará CD em breve./Foto: Divulgação
Criado com o propósito de resgatar os grandes sucessos do funk da década de 90 ao som de samba, o grupo Carrossel de Emoções, já colhe em pouco tempo o sucesso de ser o primeiro bloco funk do Brasil. Composto por 19 integrantes, já acumula apresentações em programas de televisão e shows em diversos estados. Abaixo você confere a entrevista exclusiva que um dos cantores do grupo, Fernando Guina deu ao blog do Caio Fiusa.

Caio Fiusa:
São apenas 6 meses de grupo e vocês já estão fazendo bastantes shows, até mesmo fora do Rio. Apesar do funk ser um estilo musical bem carioca, nos outros estados o público sabe as músicas, canta junto?

Fernando Guina:
Na semana que vem a gente completa 50 shows. Já tocamos para 20 mil pessoas em todo o Brasil, lugares como Brasília, Fortaleza, São Paulo e vamos tocar em Florianópolis nessa sexta feira. Por incrível que pareça as pessoas sabem. Em Fortaleza, tocamos semana retrasada para 3 mil pessoas, ingressos esgotados e cantaram do início ao fim. Claro que em alguns lugares as pessoas conhecem menos, mas região Sudeste e até mesmo no Nordeste a galera conhece.

CF: Por ser o primeiro bloco funk do Brasil, esperava a receptividade do público em tão pouco tempo? E como está sendo o crescimento do grupo?

FG: Com certeza não. Imaginava que fosse fazer um sucesso, mas não dessa forma. Nós fomos ao Big Brother (grupo se apresentou na Festa Folia) e ao Esquenta, ontem gravamos um programa ao vivo na FM O Dia e já estamos gravando um CD com as participações do Buchecha e do Bruno Cardoso do Sorriso Maroto, que vai entrar na rádio em breve. Começou como uma brincadeira e virou uma coisa séria. Hoje, já é uma empresa com alguns funcionários. Estamos com agenda lotada até agosto, fim de semana disponível não tem mais.

CF: Fale mais sobre o CD e a participação do Bruno Cardoso. Já existe projeto de lançar um DVD também?

FG: O Bruno Cardoso está produzindo o nosso CD. Nós vamos lançar uma música composta pelo Nico Andrade que fez Assim você mata o papai. Estamos com uma galera bem forte para fazer esse trabalho dar uma bombada. E DVD ainda estamos estudando, mas com certeza vai sair esse ano.

CF: E o Buchecha?

FG: O Buchecha é padrinho oficial do bloco. Ele é meu amigo pessoal, nos levou ao Esquenta e vai gravar a música Carrossel de Emoções com a gente.

CF: Além de você, o Carrossel de Emoções tem mais três cantores. Tem alguma diferença musical, cada um tem as suas músicas já definidas?

FG: Tem a diferença no estilo visual. Eu faço o estilo mais playboy, por exemplo. A gente vai se complementando. Na questão vocal não tem nenhuma diferença, geral canta tudo. Temos o repertório ensaiado para cada um, mas nos shows sempre rola um improviso.

CF: Como foi a adaptação do funk para o samba?

FG: São ritmos que se complementam, não é muito complicado. O mais complicado é ensaiar a bateria. A gente teve que fazer muitos ensaios para chegar ao ideal, isso veio com o tempo. Hoje, posso dizer que está bem redondo.

Guina acredita em uma apresentação
do bloco no Rock in Rio./Foto: Divulgação
CF: No grupo tem um DJ. Qual a participação dele nas apresentações?

FG: O DJ faz umas interações no meio das músicas, abre e fecha os shows e na hora do improviso solta o batidão.

CF: A formação mescla integrantes com experiência em blocos como Bangalafumenga, Rio Maracatu e AfroReggae. Isso foi pensado para criar um grupo bem diversificado?

FG: Não. As pessoas que foram nos procurando lá no começo, um foi chamando o outro. Toda essa galera tem uma vivência forte em bloco. Nosso mestre em bateria foi por muito tempo repique número um no Monobloco. Às vezes a galera toca em mais de um, mas agora estão mais com a gente por conta da agenda.

CF: Em uma entrevista ao O Globo, vocês disseram que o funk foi o único ritmo que não esteve no Rock in Rio. Porque acha que isso aconteceu? Acredita em um dia tocar lá?

FG: De repente as pessoas não enxergam o funk de uma forma tão grande para estar em um festival como o Rock in Rio. Mas não me surpreenderia se a gente fosse, já está tendo um tipo de conversa. O Monobloco já tocou e acabou abrindo uma porta. Antes de funk, somos um bloco, tentamos vender essa imagem de ''bloco funk''. Nós não somos MC´s.

CF: Acha que essa mistura entre samba e funk facilita o crescimento de vocês?

FG: Acho super viável. A gente vai fazer o encerramento de um festival de rock em julho, o Fest Valda no Circo Voador. É um concurso de bandas independentes e nós fomos escolhidos através de uma votação. A galera abraça a causa, mesmo sendo funk. Acho que por ser um bloco que faz essa brincadeira as pessoas curtem. Não vejo nenhum problema de tocarmos em um festival como o Rock in Rio, que já está se abrindo para outros estilos.

Entrevista realizada quarta feira 27/03/2013 por telefone
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Críticas, dúvidas e sugestões: fiusa.caio@gmail.com